Nada de mal nunca te aconteceu

Traduzido do site Fractal Enlightenment

“Adquirimos a força que superamos” – Ralph Waldo Emerson

Nada de mal nunca te aconteceu. Para a maioria das pessoas, uma frase como esta irá incitá-las a fazer uma das duas coisas. Ou elas irão parar por um momento, sorrir, acenar com a cabeça e concordar porque depois de refletirem irão perceber que esta afirmação é mesmo verdadeira, ou irão imediatamente ofender-se, ficar na defensiva e às vezes até mesmo ficar com raiva e começar a jorrar as 5-10 situações ruins que aconteceram com elas só naquele mês.

A instintiva reação de uma pessoa em relação a esta afirmação pode significar algo muito mais profundo do que apenas quem vê o copo como meio cheio ou quem o vê como meio vazio. Pode ser um indicador do quão apegadas essas pessoas são à sua própria “história”, seu passado, ou até mesmo a emoções negativas em geral. Quando nos tornamos muito apegados a um trauma passado, ou negatividade, ao ponto de utilizá-los como parte de nossa identidade, corremos o risco de nos tornarmos viciados e dependentes dessas emoções negativas para estabelecemos um sentido de quem somos.

“Um sentido de sofrimento é uma pequena tarefa quando comparada a recompensa. Ao invés de ressentir-se de seu problema, explore-o. Pondere-o. E acima de tudo, use-o.” – Max Lucado

O conceito de tornar-se viciado em emoções negativas ou em sofrimento pode soar absurdo inicialmente, porque quem é que escolheria se tornar viciado em algo que os faz sentir mal? No entanto, se você forma sua identidade como “eu sou a pessoa a quem muitas coisas ruins aconteceram” ou “eu sou a pessoa que teve que lidar com este trauma” ou “eu sou a pessoa que teve tais e tais experiências terríveis que me fizeram ser quem sou hoje”, seu sentido de si começa a depender da história negativa a fim de reforçar o seu sentido de si mesmo.

Quando o senso de quem você é, é formado em torno de uma experiência traumática passada, você pode se sentir muito defensivo em relação a qualquer coisa ou qualquer pessoa que ameace desacreditar ou negar a sua “história”. Para nos protegermos de nossa mente construir uma história sobre um evento passado, devemos primeiro olhar para como tudo acontece em primeiro lugar. Quando algo acontece para nós e nós não o planejamos, nossa mente cria uma história sobre a situação através dos nossos pensamentos. A história que criamos determinará se classificamos a situação como “boa” ou “má”. Boas situações são arquivadas na pasta de “coisas que deram certo” enquanto as más situações percebidas são arquivadas em “coisas que deram errado”.

No entanto, a verdadeira sabedoria vem do fato de sabermos que nenhuma situação é inequivocamente boa ou ruim. Se você tirar um tempo para pensar em qualquer situação boa ou ruim, é garantido que você pode encontrar pelo menos alguma coisa ruim que aconteceu devido a uma “boa” situação, ou alguma coisa boa que aconteceu por conta de uma situação “ruim”. Esse exercício por si só prova que a afirmação é mesmo verdadeira.

Nada de mal nunca te aconteceu. Quando olhamos para as situações de uma perspectiva mais ampla, somos capazes de ver que há na verdade tudo tem seu lado bom. A única coisa que nos previne de ver este lado bom é o nosso ego ou senso de identidade. O quão apegados nos tornamos em relação a nossa história determinará o quão ferozmente o ego irá persistir em seu julgamento de uma situação.

Quanto mais forte a persistência mais protetivo e defensivos ficamos na tentativa de proteger nossa história e identidade a todo custo. A fim de evitarmos viver em uma realidade do passado repetidamente em nossos pensamentos e nos tornarmos quem desejamos ser neste momento presente, apenas precisamos ajustar uma coisa… Como processamos emoções e sentimentos.

“Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” — Viktor Frankl

Sim é verdade que uma experiência que tivemos pode ter nos machucado, feito a gente se sentir triste, com raiva, deprimidos, frustrados, etc… No entanto, sentimentos, como situações, vem…. E vão embora. Contanto que tragamos consciência aos sentimentos, e permitamos que eles se processem até findarem, nunca teremos um motivo para viver com dores passadas repetidamente por contar novamente nossa história triste para nós mesmos através de nossos pensamentos.

Sentimentos são meramente uma representação de como nosso cérebro escolheu processar um evento em particular. E embora eles pareçam extremamente reais no momento, sentimentos e emoções não se igualam à realidade. Nossos sentimentos nos ajudam a reforçar nossa perspectiva em um evento e podem até se manifestar externamente em nosso corpo físico, o que os faz parecer ainda mais reais, mas uma mudança de perspectiva é tudo o que uma pessoa precisa para não se tornar apegado a uma história.

É importante lembrar-se que não deveríamos julgar os sentimentos por si sós, nem deveríamos evitá-los e fingir que não estão acontecendo, mas ao invés disso deveríamos senti-los completamente e usá-los de forma construtiva. Quando sentimos os sentimentos até findarem, somos capazes de superá-los. Descobrimos a luz no fim do túnel e muito frequentemente nos sentimos melhores no final de um evento traumático ao invés de piores ainda. É neste ponto que somos capazes de reescrever nossa história.

Ao invés de deixar o evento ruim definir quem somos no presente momento, começamos a ver nós mesmos como alguém que teve que lidar com uma situação não muito desejável, mas foi capaz de extrair a parte boa disso e superar isso. Ao invés de vítimas, nos permitimos ser vitoriosos.

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