Capítulo 22: Linguagem Corporal

por Leah Reich

Alguém me disse uma vez que sentir vontade de uma coisa em particular é a forma do seu corpo te dizer informações importantes. Você quer açúcar porque você tem comido muito disso. Você quer carne vermelha porque você está com pouco ferro. Você quer verduras verdes porque passou duas semanas no final do ano comendo comidas de natal e ano novo. Você quer comer uma panela inteira de purê para preencher o vazio onde estava o seu coração. Você quer o que é ruim pra você, você quer o que é bom pra você, você quer acessar o conhecimento enterrado profundamente em seu sangue e ossos. Você olha as células de soslaio, como se o DNA estivesse impresso nele como uma lista de ingredientes.

Mas um corpo pode te falar de outros tipos de fome. E se em minhas juntas eu posso sentir uma dor por uma cidade? E se os meus tendões são feitos não de tecidos conectores mas de um desejo-tricotado por uma pessoa? E se não for sangue o que corre pelas minhas veias mas os resquícios derretidos de tudo o que eu nunca deixei pra trás?

.   .   .

Um amigo escreve pra mim: “Muitas vezes eu me pergunto se você seria, poderia ser sido mais você mesma se você tivesse crescido em outro lugar”.

.   .   .

O eu que sou é um eu muito particular, construído através do tempo de qualquer número de partes, muitas das quais são produtos inconfundíveis do meu ambiente. Não todos. Em outro lugar eu teria sido rebelde e falastrona. Em qualquer outro lugar eu teria sido uma bola de sorvete, rápida para amaciar e com uma grande fita de melancolia correndo através do meu núcleo. Mas eu imagino os outros. Como aquela parte de mim que sentiu tão profundamente a distância entre eu e os outros. A parte que precisava fechar a distância, não importando o risco ou o que era requerido que fosse feito. Eu ia querer isso não importando onde estivesse?

O que é a necessidade, de qualquer modo. Se o seu corpo te diz que precisa de algo, como você pode ter certeza que é necessidade e não querer? Necessidade e não vã fantasia? Necessidade e não um passe de mágica, ou de estômago ou de coração?

Ou talvez o problema com o corpo e seus quereres e necessidades é em como você pode saber qual deles ouvir. Como você pode saber qual é o certo e qual irá te levar ladeira abaixo ao longo caminho distante de onde quer que você estaria, poderia estar.

.   .   .

Meu corpo me diz coisas, mas eu não ouço. Meu coração, vísceras, mente. Todos tem vozes altas, altas o bastante que às vezes eu imagino se tem alguém perto de mim que possa ouvi-las quando elas reclamam em uníssono. Mas tão altas quanto elas sejam como elas podem se equiparar à memória muscular, pelo desejo de seguir o mesmo caminho, de novo e de novo, por açúcar e sal e aço e pele.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: