Nightwalk

Ontem resolvi andar da Vila Madalena até em casa. Óbvio que não consegui. Da Madalena até o Sumaré é uma subida que só termina quando chega nas Clínicas. Não é uma subida hardcore, mas ainda assim é subida, pra quem tava acostumada a andar reto. Não tive dificuldade em realizar o percurso, mas ele seria longo e eu estava cansada. Comi antes de andar e isso dificultou um pouco também. Mas só fui sentir esse cansaço mesmo hoje, nas pernas, nos músculos que eu não sinto enquanto ando reto e que só são acionados durante uma escalada. Não consegui chegar até em casa, cheguei na Brigadeiro e peguei o metrô: estava cansada, com frio, queria ir no banheiro e já eram 23h. Estou aos poucos descobrindo do que gosto e do que não gosto e esta é uma das coisas mais difíceis de se fazer, para mim, na minha vida. Gosto bastante de andar de noite. Prefiro. Gosto de andar ainda mais quando está frio. Sei que consigo andar tranquilamente 5km em linha reta, sentindo um cansaço satisfatório, necessário. Não gosto de me sentir exausta. Não gosto de passar perrengue desnecessário. Não gosto e não preciso. E não quero me punir enquanto caminho (me obrigar a andar quando estou cansada, me obrigar a andar até me exaurir, andar com o tênis muito apertado, passar frio, querer ir pra casa e não ir, etc.). Não vou, em absoluto, fazer coisas que me desagradem. Não preciso disso. Não quero que seja uma tortura, um massacre. Quero que seja bom, duradouro e constante. Que desvie da rotina e seja espontâneo. E principalmente: que seja muito prazeiroso. E que me proporcione descobertas. Sobre o próprio caminho e sobre mim mesma. Não preciso complicar o que é simples. Eu só preciso caminhar.

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