Autópsia de uma paixão

A primeira coisa que acontece é o desequilíbrio, para o bem ou para o mal. Eu simplesmente deixo de ser quem eu estava normalmente sendo até então. O pensamento obsessivo persiste e o não relaxamento torna-se permanente, a excitação é continua. É tudo muito incômodo. Minha irritabilidade aumenta. Me sinto fragilizada. Odeio me sentir assim e acredito que a culpa seja minha, quando na verdade não há culpa de ninguém: algo apenas está se desdobrando. E eu estou resistindo à mudança, como sempre. Passo os dias me culpando pela forma que me sinto ao invés de tentar criar qualquer outro tipo de perspectiva para mim, para o que acontece. É alguém, é uma pessoa, é o outro. Fantasiado, na minha mente. E minha cabeça tem o dom das fantasias mais abissais. De todas elas (por isso sei de antemão tantas coisas, o tempo todo). Sinto muito medo. Sei no que isso vai dar. Sei que existem outras lições que devo aprender. Sou uma aluna relapsa. E isso faz com que tudo se frutifique em ilusão e eu me frustre duplamente, em consequência disso, claro. Preciso perceber certas coisas a tempo e mudar de postura, redirecionar isso tudo o que sinto. Preciso me permitir desabrochar e tirar melhor proveito dos ensinamentos. Preciso saber deixar ir, deixar ficar, deixar acontecer. Preciso também e inclusive me permitir essa perda total de controle. Ela é necessária e inevitável. Faz parte de todo o processo. E acima de tudo, preciso estar aqui agora mesmo, apenas. Sempre.

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