Escuta

Tenho dificuldade em admitir que tenho dificuldade em ouvir. Para mim, é dificílimo. E é difícil porque para que eu escute são necessárias regras das quais eu mesma desconheço, não sei, mesmo, quais são. Para que eu ouça, não basta que apenas me digam. Depende diretamente do todo, de tudo. Duas pessoas completamente distintas podem me dizer a exata mesma coisa, mas vou ouvir de modos diferentes. Depende muito do contexto, da forma que é dito, do timing. Se aquilo faz ou não sentido para o que eu vibro no momento, para a minha atual corrente de vida… Senão, não: não ouço. Não vou ouvir. Não que eu seja resistente, não se trata disso. A sensação de finalmente poder ouvir algo é maravilhosa. No entanto, esta é uma experiência extremamente arrojada e muito vigorosa, para mim. Mexe por dentro com partes que desconheço, sempre. Às vezes nem com toda a repetição e agressividade do mundo eu vou ouvir. Geralmente esta forma costuma receber minha indiferença ou meu tédio, não me impressionando em absolutamente nenhum nível. E às vezes é preciso de apenas um sussurro… Um suspiro. Um respirar. Um olhar. Ou até mesmo um toque.

E finalmente entendo. E escuto, sempre em reverência.

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