Letargia & Carnaval

Tudo que junta muita gente, eu não gosto. E evito. É claro que existem exceções como alguns aniversários e shows de banda da vida. Ademais, qualquer tipo de encontro (não profissional) que passou de 5 pessoas, começa a me incomodar. Não gosto de muita gente junta, sempre acaba dando problema, cedo ou tarde. Passei os cinco dias do carnaval trancada em casa, cuidando das minhas coisas, que já são preocupantes o suficiente.

Algumas pessoas se preocupam com a minha solidão e eu não sou uma delas. Conheço tanta gente que tem como maior medo da vida o fato de morrer sozinho ou sozinha, que a pessoa acaba se doando à relacionamentos completamente imprestáveis só porque é incapaz de se bastar. Não tenho medo de morrer sozinha porque simplesmente já aceitei isso como um fato. E o que vier durante o caminho até a minha morte, é lucro.

Não vou mais forçar situações na minha vida. Não quero isso pra mim.

De preferência nunca mais.

Todas as vezes que fiz isso, sofri terrivelmente e acredito que a esta altura eu já tenha entendido o recado.  Estava conversando sobre solidão com um amigo. Sobre nunca me sentir adequada e ajustada à coisa alguma. Sobre nunca me identificar com nada… Principalmente sobre nunca me sentir em identificação com nenhum tipo de grupo em absoluto. É um sentimento de solidão bastante excruciante, eu diria. E recorrente.

A diferença é que aos 20 isso me incomodava profundamente. Eu ficava mal porque eu efetivamente queria ser aceita, mas ficava triste em reconhecer que não me identificava 100% com nada nem ninguém. Que a “minha turma” simplesmente não existia. Hoje em dia tenho aceitado isso um pouco melhor. E tenho aprendido a me resignar cada vez mais, mesmo porque, não adianta muito eu me revoltar contra isso, não é mesmo?

Tenho melhores amigas, sim. Tenho alguma vida social, até. Mas definitivamente não me identifico muito profundamente com nada nem ninguém que me relaciono. Mesmo. E não existe problema algum nisso na verdade. Entendo que isso passa uma impressão de frivolidade pra maioria das pessoas, mas é justamente o oposto disso. Acreditem. Eu só gostaria que as pessoas no geral fossem capazes de extrair o drama de se viver em solidão, mesmo porque, não é tão dramático assim quanto pensam. Estamos todos sozinhos. Sempre.

É uma questão de costume e adaptação. De auto-conhecimento. De escuta. De disciplina. De criar um mundo de si e para si. De entender seus limites e de respeitar-se. De estabelecer regras para se conseguir viver minimamente em paz, quando possível. De se saber conseguindo sentir-se confortável na sua própria pele, condicionado de forma mínima por fatores externos. Depois de algum tempo a solidão deixa de ser auto-abandono e se torna individualidade e auto-desenvolvimento.

E isso me trouxe mais ensinamentos que jamais poderia imaginar.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: