Tá estressada? Vai trepar.

Não entendo gente que acorda de bom humor porque trepou. Influencia tanto no humor assim? Não sei. Acho que não tanto quanto acreditam. Ao menos, acredito que não deveria. Mas né, talvez eu não saiba de nada mesmo. Já fui julgada frígida pelos transões, transarínos e transantes. E sei lá, por mim ok. É o que transpareço na superfície. Não me importo. “Até parece que você nem gosta de sexo”, já me disseram. Sim, talvez eu não goste de sexo da mesma forma que você gosta. E nesse caso, a forma como encaramos o sexo importa. Muito. Digo que não me importo com o que pensam que sou porque o que eu sinto na verdade só diz respeito à mim mesma. Minha experiência é única e intransferível. Então não faz muito sentido eu me ofender com isso.

Disse isso tudo porque estou cansada de me posicionar firmemente em relação à algo e alguém falar que preciso de pau. “Vai trepar!”. Como se isso fosse resolver meus problemas. Sem falar que não é uma regra que eu me sinta muitíssimo bem depois de ter trepado (ou me masturbado), pois sexo é algo subjetivo e as pessoas sentem tudo de forma única, não? Sinceramente, acho completamente raso. Ok, que tem aquele papo chato e cheio de psicologismos de a origem do problema e Freud e coisa e tal. Mas a complexidade que resulta do ato sexual, a bem da verdade, tem outros desdobramentos. Não é tão simples: trepou tá ótimo, tudo melhorou. Isso é infantil, uma ilusão. As angústias das pessoas vão além de só não transar. Existe todo um contexto para que elas sejam infelizes.

Me sinto mais satisfeita sendo ouvida e respeitada como eu de fato mereço do que estar trepando loucamente e tendo orgasmos em série, por exemplo. Ser ouvida. Ser compreendida. Ser respeitada. Me sentir à vontade o suficiente para que eu me expresse, sem medo. Inclusive expresse meu afeto. Isso me dá muito mais tesão. Escolha pessoal minha. Podem me julgar. Não me importo.

Quem dera que um pau fosse a grande salvação para todos os problemas do meu mundo. Veja bem: não é. Não existe piroca de ouro que vá resolver objetivamente esse problema que estou te comunicando. Não existe pica das galáxias que vá apaziguar ou ter empatia com essa angústia que estou sentindo. Não é bem assim que funciona, amigo.

Sexo não é – não deveria ser, NUNCA, em nenhuma circunstância – moeda de troca. Já me vi em um jogo onde o sexo era utilizado como moeda de troca para várias coisas – afeto inclusive. Mais tarde acabei descobrindo que esse afeto era, na verdade, inexistente. Uma mentira. Várias, aliás. O que acontece é: eu sei jogar esse jogo. Muito bem, por sinal. Mas ele não me interessa, absolutamente. O acho desestimulante. Individualista. Mesquinho. Mórbido. Impotente.

Meu sexo é muito mais do que isso.

Eu sou plana e generosa.

E, por isso, jogos não me apetecem.

Sexo jamais deveria ser condicionante de nada. Sexo é lúdico. É brincadeira. É consequência. E jamais deve ser a causa de coisa alguma. E enfim, trepar, foder, dar umazinha, procriar não muda caráter de ninguém, não. Esse argumento é ridículo. “Vai trepar!”. Já chegaram a me dizer “você precisa ver mais pornografia, trepar mais, ver mais piroconas pra se motivar”. Acreditar nisso é simplista e reduz a minha experiência de vida a uma só função: trepar.

Sejamos mais né?

Ademais, estimo melhoras pra quem quiser continuar pensando assim.

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