Tarot

Última vez que tirei tarot foi em agosto de 2013. Foi num momento bastante crucial da minha vida, inclusive. Última vez que joguei as cartas me disseram algo importante e simplesmente obedeci, sem questionar muito. Senti que devia. Na verdade foi um assombro para mim, na época. Sabe quando existe algo óbvio e você simplesmente não consegue ou, pior ainda, se recusa a enxergar? Naquele momento, as cartas deixaram o que era óbvio o mais explícito possível, para que não houvessem dúvidas, para que não houvesse forma de eu repensar, de ser tolerante (mais uma vez) ou persistir em algo que era completamente infrutífero.

A Torre apareceu como uma assombração pra mim, mas a verdade é que ela já me estava imposta desde 2011. Não foi bem como se eu nunca a tivesse visto, mas simplesmente a tivesse reconhecido, naquele momento. Naquele jogo, ela apenas se materializou pra mim e tudo ficou muito claro, muito evidente. Estremeci na hora. Senti assombro e medo. Foi um aviso dado uma vez só e foi completamente implacável: saia daí e saia rápido que vai dar bosta. Podia muito bem ter ignorado essa carta. Fingir que não era comigo, como sempre faço. Mas os avisos foram acompanhados por comentários claros: se você continuar como está, irá sofrer imensamente. E você não precisa disso mas, novamente, a escolha é sua. Senti esses avisos nas minhas vísceras e elas não costumam se enganar.

Tomada por completo pavor e levando muito em consideração todos os acontecimentos recentes na época, eu decidi aceitar esta carta. Decidi ouvi-la e segui-la. A ruptura foi inevitável. Foi menos traumatizante do que se a situação tivesse se arrastado indefinidamente, pois esse era o caminho que estava sendo tomado. A curto prazo, foi um tanto quanto difícil, mas não foi em momento algum insuportável. Sofri sim, mas não me desfacelei inteira, não definhei. Nada disso, pelo contrário: me desenvolvi ainda mais. Aprendi coisas. Entendi limites. Me conheci melhor. A médio prazo, hoje, vejo que foi infinitamente melhor para todos os envolvidos. Acredito nisso intimamente.

Nunca havia tomado uma decisão séria baseada em cartas antes, mas dessa vez posso dizer com toda certeza que não me arrependo nem por um segundo.

luis_royo_tarot_la_torre

Em agosto do ano passado, joguei novamente. Achei que já era hora. As cartas também falaram de relacionamento. Não necessariamente afetivo ou amoroso, mas como um todo, com todos. Acho curioso como algumas pessoas me enxergam como a pessoa mais sociável do mundo quando na verdade sou a mais solitária do mundo. Tenho muitos conhecidos, apenas. E me relaciono pífiamente com as pessoas porque não gosto de todas. E também não acho que tenho que tolerar todas e muito menos lidar com todo mundo se eu não quiser. Sei que isso faz de mim uma pessoa sozinha, mas esta é também uma escolha. Acredito que estas questões de relacionamento tem mais a ver comigo mesma do que com os outros, a bem dizer.

O meu desafio vai ser saber o que tolerar e no que perserverar e principalmente no que cair fora. Não vou mais aceitar merda de ninguém. Preciso separar o que é bom e o que é importante do que não é – nunca foi, nunca vai ser – pra mim.

Várias coisas vão acontecer num futuro próximo (de 5 a 10 anos). Gente vai morrer. Já até consigo imaginar quem é, mas é só um chute. Fui avisada que vou cair, por minha própra culpa novamente, em um relacionamento abusivo por conta de um temporário momento de fragilidade – por conta desta morte. A descrição foi precisa e idêntica a algo que já vivenciei inclusive. A sensação foi a de “ok, eu já vi esse filme antes e não quero que isso aconteça novamente”. É curioso também como às vezes acho que tenho controle sobre determinadas coisas, que posso ou não posso deixá-las acontecerem comigo, quando não é bem assim que acontece. Não tenho controle algum, mas acho interessante ser alertada.

Essa questão de relacionamento – com os outros e comigo mesma – tem também a ver com a minha auto-estima e auto-percepção. Estou pensando em algumas coisas em relação a isso desde 2014 e tenho me planejado nesse sentido. As coisas vão mudar por aqui. Já estão mudando. Lentamente, mas estão. Fui alertada novamente que essa questão de auto-imagem e auto-estima não é superficial e pra eu não me enganar acreditando que as coisas irão se modificar de forma mágica ou de fora pra dentro. Há um trabalho a ser feito e também sei disso.

Acho que agora em março, depois do meu aniversário devo ver as cartas novamente. O mapa também, várias coisas. Dessa vez penso em mais direta e incisiva nas coisas que quero saber. Antes nunca tinha muito interesse por nada em específico, mas agora enxergo claramente que existem questões – que posso ou não decidir mudar: mas o mais importante é que eu seja consciente delas. Minhas escolhas independem do fato de eu ser consciente sobre como as coisas são. Estão desvinculadas… Eu sei e eu acredito. Mas a vida é outra coisa. A vida não é isso. A partir de determinadas fronteiras, não possuo poder algum para modificar muita coisa. Mas quero poder ir até o limite que me for possível.

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