Meditação

Acho que vai fazer cerca de um mês ou dois, não tenho certeza, que eu estou efetivamente meditando, todos os dias, antes de dormir. E basicamente o que eu fiz nos primeiros dias foi ficar 10 minutos sentada só respirando e focando na minha respiração e tentando não pensar em nada. E de alguns tempos pra cá eu tenho tentado fazer 20 minutos por dia e acredito que isso seja tempo suficiente pra uma prática diária. Faço antes de dormir porque pra mim é um horário bom, tem funcionado. E enfim, eu tenho feito isso. E em alguns dias eu tô bem cansada e então a meditação não é tão boa, eu sou meio relaxada nesse sentido, no entanto tenho sido bastante discipinada no sentido de meditar todos os dias não importando o quê. Posso ter voltado bêbada de algum lugar, vou meditar, posso estar com sono, vou meditar, estou cansada e estressada do trabalho, vou meditar antes de dormir. É um comprometimento, de fato. Um dos poucos que consigo manter. Nem sempre essas meditações que faço bêbada ou com sono são boas, porque com sono eu estou quase inconsciente, quase apagando. E, enfim… Eu acabo não prestando tanta atenção na minha respiração quanto eu deveria. Não é uma seção de meditação muito funcional, por assim dizer. Mas ela acontece. Apesar de todos os pesares ela ocorre.

Tenho gostado muito de fazer essas meditações diárias antes de dormir. Percebo que às vezes quando estou andando na rua minha respiração está diferente,  estou tendo mais fôlego inclusive. O que é engraçado porque eu não tô fazendo nenhum exercício propriamente dito, estou só respirando. Tenho percebido também que a meditação tem moldado algumas coisas em mim. Isso da disciplina é a primeira coisa. Meu fôlego pra andar também tem se modificado. E hoje aconteceu uma coisa muito estranha que não ocorreu em outras seções de meditação. Hoje eu sentei aqui e comecei a respirar e sempre faço isso né, normal. Mas hoje eu estava realmente focando na minha respiração e não estava cansada, nem com sono, tive um dia bom, tranquilo, um final de semana muito bom. Sentei e comecei a respirar. Eu respiro só pelo nariz né, porque foi assim que aprendi, pelas coisas que li sobre meditação, é só pelo nariz que a respiração é feita. Você não respira pela boca. E quando eu comecei a meditar eu vi que a minha respiração era muito ruim. E via que eu não sabia nem respirar direito. Era muito deficiente mesmo e é uma coisa tão ridícula porque é automático, é algo que fazemos sem pensar desde que nascemos, então é meio ridículo falar “como assim eu não sei respirar direito? lógico que eu sei respirar direito! eu tô viva!” e… Enfim, não é bem assim que funciona. Eu respiro muito mal no geral. E a meditação tem me ajudado nesse sentido.

E hoje eu sentei aqui e comecei a inspirar e expirar e durante o processo de meditação eu sinto muita falta de ar e no geral eu sinto muita falta de ar por causa do sobrepeso, enfim, porque sou gorda, etc. E às vezes durante a meditação eu sinto muita vontade de bocejar. E na vida mesmo, muitas vezes quando eu sinto falta de ar eu bocejo. Então no meio da prática às vezes eu sinto essa vontade e tenho vontade de várias coisas na verdade: de me coçar, de arrumar o cabelo, de tossir e coçar o olho, etc. E eu não posso fazer essas coisas porque eu estou meditando, caralho, você separou esse momento do seu dia pra fazer isso então você vai fazer isso. E enfim, estou lá respirando e percebo que surge essa necessidade de bocejar e de puxar ar pela boca, porque eu sou muito viciada nisso né? A verdade é essa. A gente tem a respiração viciada. Porque é o jeito fácil de obter ar da forma mais rápida. Enfim. Me controlo. Não bocejo. Não faço nenhuma outra coisa que eu queira fazer. Não me coço, não nada, continuo inspirando pelo nariz e expirando pelo nariz e não páro. E eu fico fazendo exatamente isso. E é muito complicado. Puxo o ar pelo meu nariz e eu sinto que ele vai preenchendo meus pulmões, mas é muito estranho porque eu sinto ele preenchendo o meu estômago, sabe? E é muito estranho a forma que eu inspiro…

Porque, por exemplo, quando eu termino de soltar o ar e esvazio meu pulmão, estou totalmente relaxada e quando eu começo a inspirar o ar, parece que ele vem do meu ventre, passando pelo meu estômago, pelo meu peito, pela minha garganta e aí ele pára, geralmente é aí que ele pára. Ele pára na minha garganta porque eu não consigo puxar mais além disso. Tenho essa limitação. Então eu puxo o ar no limite de até onde eu consigo e aí eu solto porque não aguento. Só que ontem eu tive uma experiência diferente durante a meditação. Aconteceu pelo menos umas duas ou três vezes durante a meditação de eu puxar esse ar e ele subir por mim, vindo do meu ventre, para o meu estômago, para o meu peito, pela minha garganta e subindo até a minha cabeça. E essa foi uma das sensações mais fodas que eu já senti durante a meditação. Da primeira vez que isso aconteceu eu não percebi direito, pensei “ok, eu estou me esforçando então o ar veio né? normal”. Na segunda vez, também meio que passou batido, achei só ok. Só que na terceira vez que eu consegui puxar o ar ao meu limite máximo, aconteceu algo muito diferente.

Costumo meditar de olhos fechados e tento ficar o mais relaxada possível, o mais que eu consigo pra poder fluir bem. E da última vez que eu consegui inspirar no meu limite, quando esse ar chegou na minha cabeça a sensação que tive foi como se eu estivesse num quarto escuro e alguém tivesse acendido a luz, porque de repente ficou tudo claro na minha mente. Foi como se tivesse acontecido um clarão na minha cabeça. E depois disso veio uma placidez quase que indescritível e foi muito, muito intenso. Não sei por quanto tempo isso durou, não deve ter durado muito pois isso aconteceu depois que eu consegui puxar o ar ao máximo e logo em seguida eu expirei normalmente. E aí eu comecei a sorrir e pensei “caralho! é isso! é isso!!”. Depois que fiquei consciente de que isso tinha acontecido, fiquei tentando repitir, fiquei tentando puxar aquele ar de novo pra minha cabeça e eu não consegui mais né, lógico. Porque aí eu já tava querendo me focar pra uma coisa que, para acontecer, tem que ser de uma forma natural, espontânea, de modo que eu esteja plenamente relaxada e não que esteja buscando aquilo a todo custo. Aquilo simplesmente acontece quando acontece. E esta foi a experiência de ontem.

Fiquei um tanto quanto impressionada com o que aconteceu. Vou continuar meditando, todos os dias, pois vez e outra descubro algo novo – sobre a prática, sobre mim mesma. Sei que nem todos os dias eu vou conseguir ter uma meditação excelente como a de hoje, mas o importante é a prática. Acho que mesmo que eu tenha dias muito ruins de meditação que não tenham significado absolutamente nada pra mim, a prática é mais importante do que qualquer outra coisa. Aí depois as coisas vão se ajustando aos poucos. E isso que eu falei sobre “o ar subir na minha cabeça”, acho que tem a ver com chakras e/ou com plexos. E eu nunca parei pra ler sobre essas coisas à sério. E talvez eu devesse, porque faz todo o sentido com o que aconteceu. Tem gente que acha isso bobagem. Talvez seja, mas estou um tanto quanto curiosa. Vou continuar meditando e quero fazer isso porque tem me feito bem. Não quero fazer isso por nenhum motivo específico. Não quero virar uma iogue, não quero ser foda, não quero nada disso. Só quero aprender a respirar direito, aprender a ficar bem e ter isso como uma prática porque me acalma. Isso me faz eu me sentir bem. É o suficiente.

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