Maio

“Fazia frio, um dia de outono, se diria. Um dia fresco e brumoso de maio. Eles costearam um campo, atravessaram um povoado de onde os habitantes acabavam de ser evacuados. A presença do rio se traía na névoa pelo eco surdo do vazio e pelo odor dos juncos. Uma das manhãs de sua vida… Eles sentiam que o momento era de dizer palavras graves, definitivas, palavras de adeus e de esperança, mas o que vinha ao espírito parecia pesado e inútil. Era preciso confessar que aquela única semana tinha sido uma longa vida de amor. Que o tempo desaparecera. Que a dor que viria, a ausência, a morte não atingiriam essa vida. Era preciso dizer, mas eles se calavam, seguros de experimentar, desde a menor vibração, o mesmo sentimento.”


MAKINE, Andrei. A terra e o céu de Jacques Dorme. Cosacnaify: São Paulo, 2010. p. 114-115

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