Why Be Happy When You Could Be Interesting?

Felicidade é pra mim uma categoria muito conformista. Não entra no escopo. Você tem um sério desvio ideológico no começo da famosa proclamação de independência “pursuit of happiness” (busca pela felicidade), se há um ponto na psicanálise é que as pessoas na verdade não querem ou desejam a felicidade e eu acho bom que seja assim. Por exemplo, falando sério, quando você está numa busca criativa, naquela febre maravilhosa “meu deus, estou a fim de algo” e por aí vai, a felicidade não entra aí. Você está pronto para sofrer. Às vezes cientistas, eu li história da física quântica, ou do início da radiação, estamos até prontos para levar em conta a possibilidade de que eles morrerão por causa de alguma radiação ou coisa assim. Sabe, felicidade é pra mim uma categoria antiética. E também nós não queremos na verdade conseguir o que pensamos que queremos. A história clássica que gosto, o cenário tradicional, talvez chauvinista, eu sou casado com minha esposa, o relacionamento com ela é frio e tenho uma amante, e o tempo todo eu sonho “ah meu deus se minha esposa desaparecesse”, eu não sou um assassino mas enfim, digamos que isso abriria uma nova vida para mim com a minha amante. Você sabe o que qualquer psicanalista te diria que acontece com certa frequencia? Que se por algum motivo a esposa vai embora, você também perde a amante. Você pensava “isso é tudo o que eu quero”, que quando acontece e você tem, você percebe que tudo faz parte de uma situação muito mais complexa, que o que você quer não é na verdade viver com a amante, mas mantê-la a uma distância e um objeto de desejo com o qual você sonha e isso não é uma situação excessiva, eu acredito que seja assim que funcionamos. Nós não queremos de verdade o que pensamos que queremos.

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