Não (Sim)

Noite passada sonhei que eu tinha recebido um “não”, formalmente, por e-mail, de uma pessoa que gosto muito. Queria vê-lo e no sonho ele tinha me mandado um e-mail, longo e cheio de rodeios, para no final dizer que “não ia rolar”. No sonho, não li o texto até o final pois eu já sabia o que ele iria dizer. Achei um tédio. “Não acredito que esse imbecil se deu ao trabalho de me escrever tudo isso pra me dizer algo muito mais simples e objetivo”.  E a pior coisa que uma pessoa pode me fazer é me deixar entediada. Me enrolar. Me botar num rodeio. Me deixar em banho-maria. Ok, já sei que você não está a fim. Não me faça perder meu tempo, ok? Minha reação no sonho: aquele e-mail me atingiu como uma flecha. Por dois motivos: pela imbecilidade da coisa toda (eu broxei, obviamente) e também pelo não (porque afinal, eu queria). Fiquei triste quando no meio do texto já me toquei do que ele significava. E fiquei puta quando me toquei da enrolação. Mas aí logo em seguida, em outro momento no sonho, já estava distraída fazendo outra coisa. Foi como se eu entrasse em algum tipo estranho de fluxo e aquilo de algum modo não conseguisse se agravar em mim. E foi curioso pois a flecha permanecia na minha pele, sem sangrar. Passei a fazer uma série de coisas com a flecha ainda atravessada e, agora, parte de mim, da minha própria constituição. Como se eu nem percebesse. Não lembro em que parte de mim, do meu corpo, a flecha ficou cravada. Só sabia que ela estava permanentemente lá. E eu fazia todas as coisas que eu podia e precisava fazer com a flecha encravada, como se não fosse nada demais. E a sensação era a de que eu finalmente havia me adaptado.

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