Por favor

Breathe

Echoing the sound

Time starts slowing down

Sink until I drown

Please

I don’t ever want to make it stop.

(And It keeps repeating

Will you please complete me?

Never be enough, to fill me up.) 

 
Questiono o que chamamos de amor.

Penso que nele se escondem medos profundos e uma impotência muito grande. Uma necessidade da vida de outra pessoa. Uma busca insana por completude. Uma não aceitação da natureza fragmentada da experiência humana e da imprevisibilidade dos devires.

O que costumamos entender por amor é uma falta muito grande, uma sensação de escassez que nos leva a querer alguém que seja “nosso”, “meu”. E nos limita as possibilidades de afeto, de interação, de prazer e de desenvolver sentimentos mais profundos.

Pensamos que profundo é dividir a vida com alguém e confiar nessa pessoa como não confiamos em nenhuma outra, como apoio único para as coisas mais íntimas. Guardamos a intimidade como um tesouro prestes a ser roubado, como algo que requer provas, testes e contratos para que se compartilhe… e pensamos que isso é profundo…

Profundo é poder ter a intimidade aberta, compartilhada com quem nossso desejo se associar, em relação de respeito e equidade. Não é necessário viver todas as experiências significativas na companhia exclusiva de uma pessoa para desenvolver um convívio profundo.

O problema é pensar a alma como um quebra-cabeça que precisa ser finalizado, com peças faltantes que precisam ser encontradas.

Estou bem com meus vazios (ou com boa parte deles) não quero que me completem pois ser completo é ser limitado, é estar fechado. É cercar os parques onde a vida corre livre, morar em condomínio fechado, frequentar praias privadas.

É viver com medo do outro, considerar o contato uma ameaça… Uma ameaça ao feudo de uma pessoa só que nos acostumamos a buscar.

Vejo meus afetos como expansão, sem limites, sem fronteiras, sem donxs. Espero viver a intensidade desses afetos de forma livre. Me envolver com as pessoas pelo desejo. Dar e receber carinho com respeito por quem me acompanhar nessa caminhada.

Isso significa a desconstrução do meu desejo. Significa erradicar os limites nos quais ele foi construído, borrar as bordas de um desenho de corpo normativo. Cruzar fronteiras em nome das afetações e alegrias que terei com diferentes pessoas em diferentes momentos.

Também significa ampliar o suporte que posso dar às pessoas que me afetam, nos momentos em que estiverem frágeis. Viver intensamente as paixões alegres é também viver intensamente o cuidado de estar presente nos momentos em que um mundo inteiro oposto, adoentado pelo medo, pesar sobre meus companheiros e/ou minhas companheiras.

Isso não foi assim toda a minha vida, ainda não é totalmente e provavelmente nunca será por completo. Mas, cada dia mais, eu busco ativamente essa liberdade.

É isso que eu gostaria de chamar de amor.
(C. D. C.)

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