Superando a separação

Tentamos tanto superar nossa separação dos outros. Mais intimidade. Mais fricção de corpos. Mais troca de ideias. Mas é sempre como se você estivesse gritando do seu quarto e eu estivesse gritando a partir do meu. Até mesmo tentar sair do quarto investe o quarto com uma realidade. Quem sou eu? O quarto que a mente construiu.

Gastamos tanto esforço para sairmos de algo que nunca existiu até o termos criado. Algo que se vai em um momento. Sempre tivemos momento em que não existia quarto algum. Mas nos assustamos. Ou tentamos explicar isso, ignorar isso ou deixar que isso passe.

Um momento. O momento do orgasmo. O momento pelo oceano quando há apenas onda. O momento de sentir-se amando. O momento de crise quando esquecemos de nós mesmos e fazemos o que é necessário fazer.

Cada um de nós saímos de novo e de novo. Nos voltamos e olhamos e percebemos que estamos fora – e entramos em pânico. Corremos de volta para o quarto, fechamos a porta, ofegantes. Agora eu sei onde estou. Estou de volta em casa. Seguro. Não importa o quão esquálido o quarto seja, o quão desfeita a cama, não importa quantos insetos estejam rastejando na cozinha. Estou seguro.

Esses momentos aparecem de novo e de novo em nossas vidas. Para muitas pessoas ele primeiro surge como um vislumbre para outros estados de consciência trazidos a tona por traumas emocionais, drogas, sexo, natureza ou um caso de amor. Esse vislumbre revela à pessoa que existe algo a mais. Que ele ou ela não é exatamente quem ele ou ela pensava que fosse.

Você pode ligar esses momentos às condições nas quais eles surgiram. Talvez seja o momento de orgasmo sexual quando você transcende a sua consciência. Talvez seja um momento de trauma, ou extremo perigo quando você “esquece de si mesmo”. Talvez seja quando você está numa floresta longe das pessoas e você baixa sua guarda, afrouxa os limites de sua consciência. Talvez quando você está a beira de um córrego. Talvez quando você está sentado silenciosamente com amigos que você confia e ama.

Para surfistas é no momento quando eles entram em equilíbrio com a incrível força da onda. Para esquiadores é quando o equilíbrio é perfeito. Quando nossas habilidades se encaixam nas demandas perfeitamente, não existe ansiedade. Então provamos a nós mesmos. Não há mais nada a ser feito. Nesse momento nossa consciência se expande.

Ram Dass

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: