Suficiente

Passei a vida tentando e me esforçando para ser suficiente para as pessoas que amei. Nunca consegui. Sempre faltou algo. Nunca fui perfeita, nunca fui exatamente como elas queriam que eu fosse. Isso dificultou sempre a criação da minha própria identidade, os outros, essas pessoas, que eu amei. Esperei muito delas, esperei mais ainda de mim mesma. Esperei demais por coisas que nunca vieram, que jamais chegaram a ser. Hoje me vejo tendo que ser o suficiente para mim mesma. Em alguns aspectos tenho me sentido satisfeita. Bastante satisfeita. Mas isso é sempre transitório. A minha satisfação nunca é plena. Continuo querendo mais coisas. Continuo querendo coisas as quais penso que não posso alcançar. E é essa continuidade que me dá a impressão de que eu não me basto, nunca. De que não sou o suficiente, nem para mim mesma. Percorro um caminho e, na verdade, eu não tenho onde chegar. Essa chegada, para mim, não existe. E então eu começo a pensar que talvez o topo não exista. E que talvez o suficiente seja uma miragem que insistimos dizer enxergar. Algo que está a passos de distância, mas nunca chega, nunca se completa, nunca se sacia, pois saciar-se seria um tipo específico de morte. Eu não basto. Eu jamais irei bastar. Para mim mesma. Para quem quer que seja.

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