Sonhos

Sonhei com você. Estávamos num apartamento iluminado, eu, você e ela. O apartamento estava na iminência de um desabamento. Tentei avisá-los que tudo ia desmoronar e cair. Ela estava embaixo de um edredom, virou-se e continuou dormindo. Ela era linda e branca, muito branca. O apartamento inteiro era lindo e branco, muito branco e clean. Você disse que ia fazer um chá e que no momento estava com preguiça demais de sair de lá, que iria daqui a pouco. Achei tudo muito estranho e simplesmente saí correndo do prédio, as fissuras nas paredes ficavam cada vez maiores, o chão tremia, os ruídos de estruturas cedendo me assustava um pouco. Saí do prédio correndo, peguei minha bicicleta e segui meu caminho. De longe, vi que o desabamento era constante, mas nunca final. De alguma forma, apesar de tudo, a estrutura sempre permanecia. De longe, vi vocês saindo por um outro caminho, calmamente. O sonho continuou e me lembro que eu andava de bicicleta pelo centro de São Paulo, indo para algum outro lugar.

(…)

Sonhos com você são recorrentes, desde sempre, perto ou longe. Mas eles tem se tornado cada vez mais intrincados e com significados herméticos, bizarros. Sinto que ao invés de me recusar a mencioná-los eu devo explorá-los mais do que nunca. Você sempre me parece muito intimidador em todos os sonhos. Quase todos. Só que o sonho de hoje foi diferente. Éramos amigos de novo e estávamos em alguma apresentação de alguma coisa, em um teatro que eu já conheço. Entre uma conversa e outra, você me contou, como se não fosse nada demais, que fez uma cirurgia para mudança de sexo. Você apenas mudou seu sexo, sem a coisa toda de hormônios e tudo. Continuava homem, só que agora tinha uma boceta. Você inclusive se levantou, abriu o zíper, abaixou as calças e mostrou pra mim a sua nova boceta. Olhei bem de perto e me parecia genuíno. Você estava bastante orgulhoso de si mesmo. E o fato de você ter feito isso não me incomodou nem um pouco (nem no sonho e nem depois quando acordei). Na verdade, por dentro eu sabia que isso era o que você sempre queria, sempre quis, de verdade. E eu fiquei feliz porque você estava feliz. Sobre o que tentávamos assistir enquanto conversávamos, bem, nada dava certo naquela apresentação de qualquer modo. Ríamos, como amigos. A impressão era a de que tudo ficaria bem. Não sabíamos. Acordei.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: