Excessiva

Tenho uma mania, muito feia, que é a de não fazer algo aos poucos, mas querer fazer tudo de uma vez. Querer “resolver tudo logo”. E isso é desde sempre. Pra mim, não existe o processo. Não existe a composição. Não existe o projeto. Existem as coisas, que são feitas de cabo a rabo. Numa tacada, numa sentada. E eu sempre vou até o fim de cada uma delas. Raramente largo pela metade, ou deixo meio feito. Não consigo. Eu não sou assim. Eu faço. O que for preciso. O quanto for preciso. Pelo tempo que for preciso. Por muito tempo achei isso uma grande qualidade. Não é… É um defeito na verdade. Noto agora pois estou trabalhando diretamente com projetos que envolvem planejamento de longo prazo. E isso, em mim, não é algo que só aparece no trabalho. Esse tipo de comportamento reverbera em várias partes da minha vida, em tudo: alimentação, paixões, coisas as quais estou a fim, decisões. Muitas, muitas coisas. Eu sou o excesso. Isso aparece mais e principalmente nas decisões que eu tomo, quase que impensadas às vezes. Não planejadas. Tomadas de impulso. Jogo com as cartas que tenho na mão. Se não tenho mão, jogo as cartas pro ar. Sinto que não tenho tempo a perder. Absolutamente não tenho paciência com coisas que me fazer perder o meu tempo, que me é tão caro e precioso. Me equilibro entre extremos, sempre. Ou tudo feito, ou nada feito. Raramente há negociação. Não tenho tempo de me arrepender porque a vida me atropela e logo em seguida preciso tomar mais decisões. É meio exasperante, meio sufocante, mas acredito que isso seja do meu gosto. Sempre foi. Me acostumei. Me acomodei ao excesso. Mas não precisa ser assim. Não precisa. O excesso é bom sim. Pode ser bom. E me trouxe coisas boas.

Mas não é tudo. E não deve ser tudo.

(O que é suficiente pra mim?)

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