Paus

Texto originalmente publicado no blog Graphic Descriptions, da Stoya.

Há algumas semanas atrás eu disse “realmente não existe um jeito legal de explicar pra uma pessoa que você não se importa muito com o tamanho do pau dela ou com sua intumescência”. Isso pareceu ser amplamente entendido como um comentário sobre fotos de paus não solicitadas, mas eu apenas coloco no mute ou bloqueio as pessoas que me mandam isso. No twitter, no meu celular, se eu não tenho uma forma de desligar comunicação não solicitada, eu tendo a evitar a tecnologia.

Eu me referia ao pênis tímido ou relutante. O pênis preso a uma pessoa que pensa que deve prover uma ereção de pedra ao mínimo indício de desejo sexual do parceiro. Preso àqueles que se desculpam muito pelo que eles interpretam como um isulto ao meu fascínio físico, o que eles temem é um fracasso em ir ao encontro de requerimentos básicos.

Encontro os portadores desses paus complicados bem regularmente na natureza. A coisa com a qual eu luto é em como comunicar gentilmente o fato de que em ambiente recreacional eu realmente não me importo.

Um pau duro não é a chave para uma interação sexual agradável ou gratificante. Eu não tenho nenhum pau e sei fazer me sentir muito bem quando tenho vontade. Ter um orifício inferior penetrado por um pau aumenta os riscos do sexo. Uma camisinha pode estourar, causando uma afobação para realização de testes de DST e uma ida até a farmácia para o plano B. Mesmo se a camisinha ficar intacta, a coceira no outro dia devido à abrasão pelo latex é uma das minhas sensações menos favoritas.

Quando essas pessoas com corpo de macho começam a se estressar, eu digo “É totalmente ok. Se isso se apresenta como uma opção viável para penetração vaginal pode ser divertido, mas existe todo um outro espectro de coisas que poderíamos estar fazendo” e eles dizem “obrigada por ser tão legal” enquanto não acreditam em nada do que eu disse e se estressam duplamente. Eles ficam presos em suas próprias mentes em relação a isso. Sua masculinidade fica ameaçada pela sua própria aderência a uma concepção formulaica de sexo heterossexual.

Mas na minha cama, a pessoa com o órgão semi ou totalmente flácido é a única focada na ausência de intumescência. E eu nunca encontrei uma forma boa de comunicar a minha falta de preocupação com isso de modo em que acreditem em mim.

Até recentemente, quando um homem respondia exuberantemente à minha boca e mãos encolheu ao sugerir penetração da minha vagina, a sua glande roxa desaparecendo em seu prepúcio em desacordo com suas palavras. Ele começou a pedir perdão, se desculpar, mas então perguntou se poderia me chupar.

Com as minhas costas arqueadas e ambas pernas tremendo em volta do pescoço dele, com dois de seus dedos gentilmente acariciando (mas não machucando) a parede frontal da minha vagina e sua lingua gentilmente acariciando o meu clítoris. É assim que o argumento “viu só, quem precisa de pau?” é confirmado de modo eficiente.

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Stoya

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