In the big city nothing hurts

Essa noite eu sonhei que eu sentava na sua cara. Foi um sonho estranho, eu olhava pra um lugar que era como se fosse um espelho. E não me enxergava. Era outra pessoa que estava ali, que me emulava. Além de existir essa pessoa que deveria ser eu e não era, existia uma outra. Uma outra pessoa, que conversava comigo, enquanto eu sentava na sua cara. O que acontece é que a conversa estava mais interessante. Com a outra. Não lembro de uma palavra sequer do que foi dito. Não me lembro mais de você.

Acordei.

Fiz três anos de São Paulo esses dias. A cidade tem me castigado. Bastante. Sou casca grossa. Encostei a cabeça na janela chuvosa do ônibus e fiquei pensando que não preciso ser forte o tempo todo. Que eu podia fraquejar, me cansar. Odeio pensar nisso. Até minhas lágrimas são resistentes. Lágrimas de impotência, de ódio, mas jamais de fraqueza. “Na cidade grande nada machuca”.  Amigas paulistanas se ressentem com a frieza da cidade. Se você chora em público, ninguém te vê. Acho é ótimo.

Não sufoco. Pego a máxima quantidade de ar que consigo. Não me deixo sufocar. Elas tem a ilusão de que em uma cidade pequena e provinciana as pessoas vão ser mais amáveis e se importar mais com você. Pelo contrário: saberão seu nome, sobrenome e terão ainda mais armas pra julgar o que quer que você sinta ou deixe de sentir. Não caio, nunca mais, mais nesse papo. Enquanto isso, permaneço aqui, encosto a cabeça na janela chorosa do ônibus e penso que preciso respirar. Apenas respirar.

Essa cidade, ela senta na minha cara.

E finge que não é com ela.

Enquanto me ignora e conversa com algum outro alguém.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: