Vinte partes

Assinatura. Imitação. Homenagem. Ei, eu vejo você. E quero que te vejam em mim também.

I

A memória de qualquer detalhe, faz meu coração até então impassível, querer explodir.

II

Meu corpo colado no seu, minhas batidas nítidas, percebidas. Só te solto quando acalmar. Não acalmei. Ainda.

III

… e eu faço isso sempre porque, enfim, o meu pau é pequeno. Eu sei que você está mentindo.

IV

Aquele rubor… Não foi do calor.

V

Abro meus seios e você observa, atônito, do outro lado da mesa, as pequenas folhas. Não, não faça isso…

VI

Eu não sei pra onde eu estou indo… Mas estamos indo para algum lugar.

VII

Uma timidez, com pretensão de rotina. Depois, um pedido de desculpas. E então, um pedido. Acatado.

VIII

Você segurava o meu rosto e dizia coisas. Fez isso repetidamente até que… Nah, esta frase não tem graça.

IX

Olhe pra mim. Inevitável obedecer.

X

A sutileza de alguns toques, nas costas, nas mãos. A estrutura ausente.

XI

O aspecto onírico de cada uma daquelas visões, só me fazia acreditar ainda mais em tudo o que acontecia.

XII

Sua língua, lentamente, nas minhas pálpebras.

XIII

Eu receberia as piores notícias se elas me fossem ditas com a sua voz. E eu já ouvi coisas terríveis. Mas não o suficiente.

XIV

Chovia. Forte. Ali fora. A fantasia já não era mais alta, era o mais próximo possível do real. Simulacro.

XV

Minhas unhas passando levemente pelo seu crânio.

XVI

Aqui estão os espanhóis. Aqui estão os franceses. E aqui… Estão as minhas impressões digitais.

XVII

Escureceu. Então eu podia falar o que quisesse. Inclusive coisas que não deveriam ser ditas.

XVIII

Sua mão esquerda, apertando o meu pescoço. Uma perda de controle incipiente.

XIX

Vá embora.

XX

A clavícula, em seus três pontos, permanece intocada. Dentro de uma caixa.

Não temos sorte.

Estou a fim de você.

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