Desaniversário

Você é meio burra. Vou explicar, bem direitinho. Eu sou inconstante. Eu me entedio facilmente. Não me orgulho disso. E eu me alimento de paixões. Porém, estou sempre faminto. Mas algumas pessoas têm uma característica única. Um superpoder. Elas não me entediam nunca. São cornucópias de fartura, para um homem faminto. E é aí que está. Você nunca me entedia. Você é uma fonte contínua de surpresas e encantamentos. Com agravantes. Um deles: você me aceita inconstante. E o faz sem esforço. Não é nem mesmo uma concessão. Outro agravante: você é lenta. Somos lentos. Eu sou um réptil. 

Eu vejo gente olhando para você e te vendo com meus olhos. E fico feliz. É como se eu e essas pessoas compartilhássemos um segredo. E esse segredo é você. As pessoas se encantam com você, mas as pessoas tem pressa. Você é rara e estranha, essa é a parte do encantamento. Eu já estive lá, no encantamento. Ainda estou. Mas eu cheguei em outro ponto também. No reconhecimento. Temos algo em nosso sangue. Você é um algo que não tem nem nome. E eu sou muito grato à vida por ela ter feito nossos caminhos se cruzarem. Considere isso uma declaração de algo que não tem nome. 

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