As heaven is wide

– Vim aqui te dizer que nem são 9:30 e já senti ciúmes de você. Sim. Ciúmes. E sim. De você.

– O que que eu fiz?

– You’re charming. E uma moça interessante me disse que eu perdi, playboy. E eu senti ciúmes. De você. Estou ficando possessivo. Veja bem.

– Isso também é uma maldição. Não se engane.

–  O que seria uma maldição?

– Por que ela te disse isso? Eu ser charming é uma maldição.  Porque isso é ilusório, isso passa. Eu sou feita de ilusões.  Somos, você sabe.

– É bastante óbvio para quem nos vê que eu gosto muito de você. Não se trata de algo que eu mantenha em segredo. Isso às vezes irrita as pessoas. E irrita exatamente porque percebem que você é fabulosa, aos meus olhos. Às vezes, porém, o oposto acontece. Ao olharem para você, percebem o que me encanta. E se encantam também. E aí está o motivo de meu ciúmes. Mas nada mais foi dito.

– Que pena que isso irrita as pessoas, não? Eu duvido um pouco, também, que as pessoas com quem você se relaciona não sejam fabulosas.

– Algumas são. Não fabulosas. Fabulosa é um adjetivo que eu uso com certa parcimônia. Enfim.

– Acho que o problema das pessoas é que elas precisam de coisas… E eu tenho voltado a ser niilista nesse aspecto… Eu não preciso de nada. Ou de quase nada. Como diria a música, I want you, but I don’t need you..

– Entenda meu ciúmes como uma declaração de algo cujo nome eu não darei. 

– Oh! Me apetecem muito, coisas sem nome. Muitíssimo. Fazem parte das minhas coisas favoritas.

– Coisas sem nome. Coisas lentas e silenciosas. Coisas que nem nome precisam ter. 

– E, até então, eu tenho gostado muito das pessoas que tenho conhecido por você. Mas é diferente. Não se aproxima do que se apresenta, conosco.

– Pois é. Eu não poderia ter resumido melhor.

– Eu me sinto satisfeita com a sua descrição.

– Você é foda, D.

– Eu gosto muito de você.

– Eu também. Mas há algo mais. E eis aí algo imenso. 

– (Minha estrutura, talvez. O espaço imenso que eu ofereço para a criação de qualquer coisa, qualquer ideia, qualquer fantasia. A potência de todo o meu vazio à espera de ser novamente, preenchido e posteriormente esvaziado, para se reconstruir novamente…). Vamos ver, com o tempo, do que se trata. Ontem eu tive uma longa discussão. Tenho uma cidade pra perdoar, você sabe disso.

– A gente ressignifica ela, juntos. 

– Estaria fazendo isso pelos motivos errados, se fosse agora. Então peço paciência.

– No seu tempo.

– Não gosto de fazer nada de qualquer jeito. Nem com pressa. Eu estou com saudades… Mas ir e fazer coisas “a todo custo”, it’s just not my style. Eu adoraria poder, agora. Mas existem algumas coisas por aqui ainda e eu não quero denegá-las.

– Eu te espero. Quanto for.

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