Pragmatismo

Ele me deu bom dia da forma mais solene possível. “Bom dia, D.”. Soou grave. “Eu tô lendo um livro, eu já havia lido alguns trechos aleatórios desse livro e prometi ele pra uma pessoa, depois prometi pra outra pessoa, mas… Agora eu comecei a ler o livro a sério e pau no cu: esse livro tem que ser seu. Esse livro vai pra você porque ele é um livro perigoso. É um livro terrível e eu acho que você precisa dele. Até porque as outras pessoas, elas não iam entender. Elas não iam… Elas iam gostar, iam achar curioso, talvez. Mas elas não iam entender, elas não iam entender. Você, você, você, você.. Você vai entender. Então ele é seu. Foda-se. Eu… Eu não cheguei a prometer. Se eu tivesse prometido eu teria que cumprir. Eu vou… Dar outras coisas pras outras pessoas. Esse é seu porque ele tem que ser seu. E esse eu prometo que vai ser seu. Eu tô meio arrebatado por conta desse livro, eu fiquei, eu tava meio preguiçoso, indolente e agora… Eu me sinto… acuado”. 

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