Sinos

Hoje, por volta das 9h, passo pela praça da Sé e ouço os sinos da catedral tocando. Parece que tocam pra mim. Não consigo evitar de sorrir, todas as vezes que acontece alguma aleatoriedade sonora do tipo. Sinto vontade de parar para ouvir as badaladas até o final, mas não tenho tempo e estou atrasada. Desço as escadas rolantes da estação de metrô com toda a sincronicidade possível. Não com esses sons, mas com tudo, com a existência inteira. Sinto que desci aquelas escadas como uma divindade. Sinto como se eu me desligasse de absolutamente tudo, como se eu apenas ressoasse.

Hoje, andando apressadamente por volta das 15h no largo da São Bento, ouço os sinos do Mosteiro tocando. Sinto que estou exatamente onde deveria estar. Sinto que sei que tudo o que já aconteceu vai acontecer novamente e assim sucessivamente. Sorrio imediatamente, ainda meio incrédula da segunda coincidência do dia. Dessa vez, tenho essa sensação, esse sentimento estranho de que estou fazendo a coisa certa. De que a minha vida, finalmente, está do meu lado. Que as coisas voltam a fazer sentido pra mim, como jamais fizeram. Fazia tempo que não sentia isso. Alguns chamariam isso de esperança. Chamo de negação.

Lasciate ogni speranza voi ch’entrate…

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