Sagitários

Te amo a distância
com quatro cães rosnando a 2 cm
uma execução marcial a 7 m
150 km de congestionamento
a 30 cm da caneta que escorregou por entre os dedos

A distância
admito o olhar embaçado
forçando a vista através dos óculos vencidos
e com bastante tempo para tropeçar
fazer lanche
ficar distraído
e seguir firme em tua direção

Desde que todas as rotas foram apagadas
que as pontes desabaram
que estradas de terra foram soterradas
que colapsos aéreos e marítimos
estamparam as chamadas dos jornais
e desde que tudo conflui para o blefe da bússola
enfeitiçada por tua imapealidade
desde então
eu sangro
eu singro
sigo em tua direção

Te acho distante
telescopicamente impossível
empilho medições por sobre a mesa
testo leopardos e policilindradas
simulo minha chegada
à tua ausência.
Perto do teu chakra, dos dedos estalados,
dos chicletes e cartas sem destino lindamente assinadas
perto da xícara que você não me serviu o café
perto do último livro que você me disse que estava lendo
– sem marcador de página –
perto do montante de areia
em que você se afundou
por horas
onde fez tudo desaparecer
e quando chegou a noite
enquanto as marés subiam
você mesma desapareceu

Há um desvio até você
como se um arqueiro
tivesse mirado por muito tempo um alvo
e atingido a si mesmo
como se o anti-horário
trapaçeasse todos os meus eus
e minha regressão fosse súbita
nenhum símio tivesse me dado consciência
nenhum Deus tivesse me soprado a carne
e não existisse
nada de mim por aqui –
e enfim,
eu encontrasse você.

(K. L.)

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