Simulacro

Eu durmo. Durmo o tempo todo. Durmo na maior parte dos dias. É assim que eu passo. Às vezes, tento me acordar. É difícil, sou preguiçosa, pra tudo. Tentava me acordar, sem muito sucesso. Resolvi insistir. Não só insistir, mas persistir nesse pequeno despertar. E de repente as coisas ficaram claras na minha mente. De repente estava tudo ali, na minha frente, se desabrochando. As coisas existiam e era tudo real. Não houve transição. Não houve cerimônia alguma e nem mesmo formalidade. Na verdade nem pensei que eu pudesse estar acordando. Nada. Simplesmente me vi, ali, naquela situação querida, desejada, fantasiada. E nada me pareceu tão concreto quanto isso há um bom tempo. As gotas de água caíam na minha pele. Havia uma certa angústia. Era um momento onde a urgência ocorria sem pressa alguma. Eu te via entre vapores. E tudo estava claro pra mim. Não havia nada para mim além daquele simulacro. Naquele momento eu havia acordado, plenamente, em mim. E isso durou por alguns instantes, não sei o quanto, perdi totalmente a noção de tempo. Parece ter durado até você me sussurrar docemente: ‘eu estou querendo você agora’ e, assim, me fazer adormecer novamente. Algo me diz que há uma estranha ligação entre esses mundos. Afirmo isso porque sinto como se tivesse te tocado, de um modo ou outro. Algo me diz que, ou estamos acordados o tempo todo, ou estamos dormindo, o tempo todo. E eu quero tudo. Eu quero todas essas coisas. De novo. E tudo parece acontecer como deve acontecer. Tenho déjà vus, sucessivos. Sei do que estou falando.

[I want to have it all. And I’ll die alone, trying.]

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