Fabulae

Dizem que se você conta uma mentira mil vezes ela se torna verdade. Se você cria fábulas, ficções, fantasias e acredita nelas, geralmente, elas acabam por acontecer em algum lugar da existência. A cada repetição as fábulas se recriam. A ficção se torna mais real. A fantasia sussurra bem próxima ao seu ouvido. Cada vez que pronunciei uma frase que era uma fábula, eu acreditei nessa frase profundamente. Do fundo do meu coração. Minhas fábulas, todas, são muito queridas pra mim. Mas até hoje tento descrever a sensação que tive quando pronunciei pela enésima vez aquela ficção – que pra mim sempre foi tão real – e antes mesmo de finalizar a frase, ela, dentro de mim, já havia se tornado fictícia novamente. “Ninguém nunca me amou como você”. – Sim, isso é verdade mesmo – me disseram, com um misto de arrogância e um profundo desprezo. O que eu sentia não estava em jogo ali. Jamais esteve. Mas é interessante quando acreditam, mesmo que por um segundo, nas minhas histórias inventadas. Não notaram que quando quase terminei de dizer a frase, eu já estava com olhos turvos. Não notaram o desgaste daquela frase que, enterrada há mais de mil dias em mim, já estava agonizante em seu leito de morte e naquele momento havia dado o seu último suspiro. Acho que toda vez eu a repetia na esperança de que ela sobrevivesse por mais um dia, em mim, dentro de mim. Mas aquela frase, que quase não consegui completar, que quase não conseguiu terminar de sair da minha boca, o significado dela naquele dia desapareceu.

Ou talvez não, talvez apenas tenha sido apenas uma fantasia momentânea como qualquer outra. Algo que me dava prazer acreditar que pudesse ser verdade. Mas não era e jamais foi. Hoje eu relembro da situação como um sonho. Um sonho engraçado. Fecho meus olhos e me lembro de tudo, distante. Distante. Me sinto leve. Me sinto completamente sozinha. E sinto brotar um pequeno sorriso tímido nos meus lábios.

E é bom me permitir isso tudo.

IMG_3620a

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: