O que você quer

Nunca imaginei que eu fosse sair de casa algum dia para qualquer coisa. Hoje saí de casa para ver. E foi muito bom. Proveitoso. Já falei isso por aqui: uma das coisas que mais me atraem nas pessoas é a forma que elas enxergam as coisas. Descobri que, observar isso é também uma forma de observar a mim mesma. Um dos meninos buscava cores e as conseguia de modo impecável, composições excelentes, buscas interessantes. Gosto do que ele faz, mas o que ele faz não é o que eu faço. Tento fazer parecido, o resultado é bastante pobre. Ainda não sei ao certo o que faço, mas tenho algumas dicas já. Olho pra outras coisas. Os meninos perceberam isso logo quando apontaram pra uma janela com azulejos cheios de adornos e disseram “vai lá, Dora, essa foto é sua”. Era como se isso que existisse não fosse de propriedade de mais ninguém (um sentimento estranho, enfim). Eu gosto do abandono. De ruínas. De (im)permanências. E principalmente, de texturas. As cores – gosto delas até, mas – são meras consequências do que eu enxergo. Raramente penso em cores ou anseio por elas – ao contrário do meu colega. De tudo, a textura é o que mais me atrai. Sentir que posso tocar algo (ou sentir que posso ser tocada por esse algo, ao enxergá-lo). Isso responde algumas coisas.

Eu obedeço a texturas.

Posso passar por tudo, mas nunca passo por elas incólume.

E gosto, muito, disso.

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