C

Estamos cansados no meio do deserto, ao final de mais um dia, quando o sol está se pondo. Seus olhos ardem em tons de laranja, e a poeira do tempo faz com que tudo fique mais difícil de enxergar. Seus olhos estão áridos para mim, que faço uma pequena sombra à distância. Eu não mais te assombro. Você não me causa mais medo. Não mais nos reconhecemos. Não há mais nada a ser dito, no entanto, nos olhamos. E compreendemos o que acontece. Nos damos as costas e a cada passo, a cada último olhar, para ter a certeza de que o outro ainda está lá, reconhecemo-nos cada vez menos, embora ainda nos olhemos. Em plena distância, ainda apertamos nossos olhos, para ver o que ainda resta, para enxergar o resquício de sonho e desejo transformados em horizonte trêmulo, miragens de água em solo infértil e uma sombra ínfima de uma silhueta que se desfaz, cada vez mais. É um adeus infinito. É um adeus que jamais se despede.

 

Do nada

Eu entendo
Quem sou eu

Eu acho que

Já estive
Aqui antes

Eu sei

O que você fez
Para o mundo

Seu rosto

Ele está em suas mãos
Como tudo

Choro

O que houve
Para nós aqui

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