Um simples exercício para aumentar o seu bem estar e diminuir sua depressão por Martin Seligman, patrono da psicologia positiva

por  do Brain Pickings

Você precisará de caneta, papel e um silenciador de cinismo.

“Quando [um homem] tem uma saúde justa, uma fortuna justa, uma consciência organizada e uma total isenção de parentes constrangedores”, escreveu Henry James em seu diário“Acredito que ele é obrigado, delicadamente, a considerar-se feliz.” Mais do que uma mera contemplação filosófica, no entanto, as observações de James são os presságios dos achados da psicologia moderna na busca da engenharia reversa da ciência-arte da felicidade. Ninguém tratou da eterna questão do que gera felicidade com mais rigor e dedicação empírica do que o Dr. Martin Seligman, patrono fundador da Psicologia Positiva — um movimento que tem como premissa combater o “modelo doença” tradicional da psicologia, que se foca em como aliviar o sofrimento ao invés de como amplificar o bem estar. Seligman, que eu tive o prazer de encontrar primeiramente na Universidade da Pensilvânia, e que foi uam vez eleito Presidente da American Psychological Association pela maior quantidade de votos na história da organização, permanece um dos psicólogos mais influentes no estudo da felicidade. Em seu excelente e altamente recomendado livro Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being (public library), Seligman oferece uma simples prática que promete melhorar o seu bem-estar e diminuir a sua depressão – a “visita de gratidão”. Embora para os cínicos esse exercício possa parecer antiquado e muito próximo à auto-ajuda, está enraizado em décadas da aclamada pesquisa de Seligman e traz à vida prática alguns dos mais importantes achados da psicologia moderna. Seligman nos leva através da prática:

Feche seus olhos. Lembre-se do rosto de alguém que ainda esteja vivo e que há anos atrás fez algo ou disse algo que mudou a sua vida pra melhor. Alguém que você nunca agradeceu apropriadamente; alguém que você poderia encontrar pessoalmente na semana que vem. Tem um rosto?

A gratidão pode fazer a sua vida mais feliz e mais satisfatória. Quando sentimos gratidão nos beneficiamos da memória agradável de um evento positivo em nossas vidas. Também, quando expressamos nossa gratidão a outros, reforçamos nosso relacionamento com ele. Mas às vezes o nosso muito obrigado é dito tão casualmente ou rapidamente que é quase insignificante. Nesse exercício… Você terá a oportunidade de passar pela experiência do que é expressar a sua gratidão de maneira pensativa, proposital.

Sua tarefa é escrever uma carta de gratidão a essa pessoa e entregá-la pessoalmente. A carta deve ser concreta e ter cerca de trezentas palavras: seja específico sobre o que essa pessoa fez para você e em como isso afetou a sua vida. Deixe a pessoa saber o que você está fazendo agora, e mencione o quanto você se lembra do que ela fez por você. Cante! Uma vez que você tiver um testemunho escrito, ligue para a pessoa e diga que você gostaria de visitá-la, mas seja vago acerca do propósito do encontro; Esse exercício é muito mais divertido quando é uma surpresa. Quando você se encontrar com a pessoa, tome seu tempo para ler a carta.

Seligman promete que este exercício que de certo moda induz à auto-consciência, irá te fazer feliz e menos deprimido a partir de um mês.

Ele então sugere uma segunda prática complementar – o “Exercício O que deu certo”, também conhecido como “Três bênçãos” – baseadas nas intervenções que ele e o seu time no Positive Psychology Center e na universidade da Pensilvânia validaram nos experimentos placebo controlados, tarefas aleatórias que eles têm conduzido desde 2001, para analisar mudanças de satisfação na vida e níveis de depressão. Ele contextualiza o valor desse exercício entre a nossa cultura de preocupação e era de ansiedade:

Pensamos muito sobre o que dá errado e nunca o suficiente sobre o que dá certo em nossas vidas. É claro, às vezes faz sentido analisar maus eventos para que possamos aprender com eles e evitá-los no futuro. No entanto, as pessoas tendem a passar mais tempo pensando sobre o que é ruim na vida do que é útil. O pior é que esse foco em eventos negativos aumentam a ansiedade e a depressão. Uma forma de evitar que isso aconteça é melhorar em pensar e saborear o que deu certo.

Por motivos evolucionários sãos, a maioria de nós não somos nem mesmo bons em permanecermos em bons eventos tanto quanto somos em analisar os maus eventos. Aqueles nossos antecessores que passaram muito tempo aquecendo-se na luz dos bons eventos, quando deveriam estar se preparando para o desastre, não sobreviveram à Era Glacial. Então para superarmos a dobra do nosso cérebro de catástrofes naturais, precisamos trabalhar e praticar essa habilidade de pensarmos sobre o que deu certo.

Ele então oferece seu antídoto empiricamente testado:

Todas as noites na próxima semana, tire 10 minutos antes de ir dormir. Escreva três coisas que deram certo hoje e porque elas deram certo. Você pode usar um diário ou o seu computador para escrever sobre os eventos, mas é importante que você tenha um registro físico do que você escreveu. As três coisas não precisam ser importantes além da conta (“Meu marido pegou meu sorvete favorito pra mim quando voltava do trabalho pra casa hoje”, mas podem ser importantes (“Minha irmã acabou de dar a luz à um menino saudável”).

Próximo a cada evento positivo, responda a pergunta “por que isso aconteceu?”. Por exemplo, se você escrever que o seu marido buscou sorvete, escreva “porque ele é realmente atencioso às vezes” ou “porque eu lembrei de ligá-lo do trabalho e lembrá-lo para passar no mercado”. Ou se você escreveu, “minha irmã acabou de dar a luz à um menino saudável”, você pode escrever como causa… “Ela vez tudo certo durante a gravidez”.

Escrever os porquês dos eventos positivos pode parecer esquisito nas primeiras vezes, mas por favor tente fazer isso por uma semana. Vai ficar mais fácil.

Para alguns de nós capazes de aquietarmos o nosso cínico interior culturalmente condicionado que julga e despreza tais práticas, Seligman promete que ficaremos “menos deprimidos, mais felizes e viciados nesse exercício em seis meses a partir de agora.”

Flourish oferece uma melhoria existencial inestimável em sua totalidade. Complemente esta leitura com outras de Seligman sobre felicidade, depressão e a vida significativa, e então revisite as sete melhores leituras sobre a ciência-arte da felicidade.

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