Como seguir em frente quando você está machucado e está a espera de um desfecho

“Nos libertarmos de algo nos dá liberdade e liberdade é a única condição para a felicidade” ~Thich Nhat Hanh

Ah, desfechos. Aquela sensação de justificação, ou um sentido de realização – pode ser muito sedutor!

Tem vezes que buscar resolução a algum impasse é muito importante. Se estamos tendo uma discussão com nosso parceiro, resolver isso pode fortalecer nosso relacionamento. Se estamos tendo um desacordo em relação a um contrato, determinar o resultado disso é pré-requisito para que continuemos com o projeto que temos em mãos.

Nesses tipos de situação, buscar um desfecho é muito relevante.

Posto isso, existem várias situações que ocorrem em nossas vidas nas quais buscamos um desfecho, mesmo que ele não nos sirva. Na verdade, esse desejo pode nos emperrar a vida.

Quando sentimos que agiram mal conosco, queremos uma resolução disso. O tamanho ou o tipo da infração pode não importar. Queremos saber de quem é a culpa, ou, se soubermos quem é o culpado, queremos saber porque ele fez isso.

Aí é que está: é muito comum sentirmos que esse tipo de resolução seja necessário para que possamos seguir em frente.

Há algum tempo atrás eu estava num relacionamento com um cara que tornou-se um tanto quanto desagradável. Sem que eu soubesse, ele mexeu na minha carteira, tomou nota dos dados do meu cartão de crédito e estava usando dois cartões meus para financiar o que eu só posso descrever como um vício em compras.

Eu não estava usando os cartões, então eu não esperava ver nenhuma conta, e uma vez que ele sempre chegava em casa antes de mim, ele conseguia pegar as contas da caixa de correio antes que eu as visse.

Eu não fiquei sabendo disso até que terminamos por outros motivos.

Além de lidar com os sentimentos típicos de término de namoro, eu também tive que encarar a realidade da habilidade desse homem em mentir pra mim e roubar de mim. Sim, o relacionamento acabou, mas eu imaginava que tivéssemos amor e respeito um pelo outro e, bem, integridade o suficiente para não cometermos nenhum tipo de crime.

Eu queria que ele se responsabilizasse pelo comportamento dele; Eu queria um pedido de desculpas; Eu queria que ele me explicasse como ele podia ter se comportado de maneira tão desprezível em relação a qualquer pessoa, ainda mais eu, sua namorada na época.

Previsivelmente, eu não tive nada disso.

Fiquei abalada com isso por algum tempo. Levei meses parar perceber que o motivo de eu não conseguir superar a relação era porque eu ainda estava esperando que ele me explicasse, pedisse desculpas, ou algo assim. Percebi que se eu quisesse me livrar disso, eu também precisaria abrir mão do meu desejo de que ele admitisse que tinha sido um imbecil.

Queremos nos sentir no direito. Queremos que seja reconhecido que nos fizeram mal. Se possível, queremos uma admissão de culpa.

No entanto, observando este tipo de desfecho, geralmente estamos abrindo mão do nosso poder. Estamos dizendo “eu não posso me livrar dessa experiência até que…”

O que realmente desejamos é uma mudança emocional interna. Queremos nos sentir melhores!

Já sabemos que não podemos esperar que o mundo externo cuide de nossos sentimentos. Vamos aplicar esse conhecimento para nossas resoluções também.

Foi assim que eu superei a situação do namorado ladrão, e é uma formula que eu continuo a lembrar a mim mesma toda vez que eu começo a sentir como se eu não conseguisse me livrar de uma experiência até que a satisfação seja minha:

Reconheça que aconteceu merda.

Sim, é uma merda quando um antigo bom amigo para de retornar nossas ligações e textos. E pode alterar muito nossa vida quando somos demitidos de um trabalho, mesmo recebendo feedback positivo em nossa avaliação de performance.

É importante não fingir. Às vezes nos apressamos em ignorar os sentimentos que estão presentes no momento como uma tentativa de parecer indiferente (como se não estivéssemos machucados, na verdade), ou como se soubéssemos lidar com a situação. Ser resiliente é ótimo e tudo o mais, mas primeiro vamos reconhecer que doeu quando fomos magoados!

Ter sentimentos não nos torna menos capaz de lidar com coisas difíceis, ou de termos excelentes soluções. Apenas significa que somos humanos.

Identifique todos os sentimentos que você tem.

Se a situação é mais simples, talvez tenham um ou dois sentimentos. Para eventos mais intensos, pode levar um tempo apontar cada um deles.

Isso é essencial, porque a identificação e reconhecimento vão de mão em mão. Fazendo isso, estamos aceitando que estamos sentindo essas emoções. Esse tipo de auto-reconhecimento é crucial.

A propósito, somos os únicos que podemos decidir o que é simples e o que é complexo para nós mesmos. Somos todos únicos, e todos tivemos experiências diferentes que nos ajudaram a moldar quem somos. Algo que é simples para uma pessoa pode ser complexo pra outra e vice versa. E isso é ok.

A questão é não comparar a experiência que estamos tendo com como outras pessoas reagiriam; mas sim de se auto-processar e seguir em frente.

Livre-se da necessidade de mediação externa de qualquer tipo. 

Isto não tem nada a ver com perdão. Não é sobre ser superior, também. Essas duas opções envolvem o outro.

Isso tem a ver conosco e com o que nós queremos para nós mesmos.

É simplesmente reivindicar que podemos seguir em frente independente do que está acontecendo (ou do que não está acontecendo) no mundo externo. Podemos usar afirmações, ou meditações, ou quaisquer ferramentas que funcionem pra nós liberarmos energia.

Quando estamos buscando por resoluções externas, estamos também buscando reconhecimento. Aprender a se auto-reconhecer é uma maravilhosa dádiva que oferecemos a nós mesmos.

Se você utilizar as dicas acima, ou outra receita que funcione pra você, escolha seguir em frente. Somos os únicos que nos beneficiaremos disso, e somos os únicos que sofreremos com isso se não tomarmos esta escolha.

Tiny Buddha ~ simple wisdom for complex lives

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