007/2014

Pra mim, o melhor momento/horário/tempo de todos é aquele quando a gente acaba de acordar, mas ainda não está efetivamente acordado. Antes eu achava que era um estado de semi-consciência, mas há algum tempo tenho pensado que é como se existisse uma outra consciência nesses breves momentos, no entremeio entre sono e realidade. Me seduz muito a ideia de existirem várias consciências e em como diferentes estados de consciência podem se interconectar às vezes e transformar o que existe. É quase como se dentro desses momentos fosse possível se desenvolver toda uma realidade paralela onde certas coisas pudessem existir de fato, pois de outro modo seriam inviáveis ou impensáveis. É como se houvesse todo um espectro de consciências e ali eu me encontrasse, temporariamente, em algum deles. Quando acordei hoje pela manhã não soube muito bem o que fazer nos momentos seguintes. Me sentia meio paralisada, mais lenta que o normal. Sentia o que sinto às vezes: como se estivesse debaixo d’água. Muitas vezes isso indica algo ruim, mas hoje não era isso, era outra coisa. Quando acordo também costumo deixar tudo organizado para que eu possa fazer as coisas com mais agilidade e não precise tomar muitas decisões enquanto me arrumo e me preparo para ganhar a rua. Era cedo e eu não entendia muito bem ainda o que deveria fazer. Fui até o banheiro e fiquei me olhando no espelho. Acho que perdi um pouco a noção do tempo, fiquei me olhando e tentei esvaziar a minha mente de qualquer coisa, qualquer pensamento. Depois de alguns minutos, pensei comigo mesma “quando isso tudo começou?”. Parei por um tempo e pensei novamente: “como isso tudo começou?”, “você se lembra?”. E então uma memória brutalmente honesta me atingiu e eu finalmente me lembrei de tudo. Sei que somos ensinados a desconfiar desses momentos, mas o que percebi a partir disso me pareceu muito justo. Ensaboando meu rosto e lavando meu sono de repente pensei: “desde o início, desde o primeiro pensamento, a culpa é mesmo toda minha”. E essa será a minha verdade final. É isto o que será aceito. Foi de fato o meu primeiro pensamento que realizou tudo o que houve. Ao compreender isso não senti nada na hora, nem tristeza, nem satisfação. Nem mesmo frieza: não senti absolutamente nada, eu estava completamente vazia. Apenas me permiti perceber algo. Algo que sempre resisti em admitir ao longo dos anos. Tive um raro momento de clareza, muito intenso. E de repente muitas coisas começaram a fazer sentido. Ainda estou pensando nesse momento, ao longo do dia. Hoje foi um dia bastante importante pra mim.

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