Ponta firme

Nunca soube lidar com elogios direito. Não gosto de elogios porque eles me objetificam e eu sempre tento não ser isso. E justamente por não querer me tornar objeto, eu seja isso boa parte do tempo pras pessoas que convivem comigo. Sei disso também. Mas esta é uma escolha das pessoas, não minha, então tudo bem. Quando eu percebo que é isso, essa questão deixa de ser problema meu e passa a ser do outro, apenas. Não há muito a ser feito. Sempre pensei assim, tentaram me fazer pensar o contrário disso mas descobri que era inconsistente, enfim. Às vezes me pego tentando curtir elogios que me são ditos muito raramente e por pessoas completamente aleatórias e em situações um tanto quanto incomuns. É, mais ou menos assim. Tem um elogio que algumas pessoas me reservam há alguns anos que até hoje eu não sei bem o que significa. Sei o que significa de modo geral, mas gostaria de entender o que significa pra mim mesma. Ouço de pessoas que de um modo ou de outro trabalharam comigo de algum modo: a Dora é “ponta firme”. Ser alguém ponta firme é, especificamente, ser alguém confiável, alguém com quem você pode contar em relação a algum trabalho. Alguém que pode te ajudar quando você precisa. Estava pensando agora que podia ser sinônimo de “pau pra toda obra”, mas acho que não. “Pau pra toda obra” também objetifica, mas não sei bem porque me parece mais pejorativo. Foram poucas pessoas que me acusaram de ser “ponta firme”. Poucas, mas valorosas. E, de fato, eu gosto de ajudar as pessoas não só com quem eu trabalho, mas no geral. Ajudar as pessoas é uma das minhas premissas de vida. Muita gente acha isso pequeno demais, subalterno demais, afetado demais. Pra mim, foda-se, eu só quero ajudar os outros: sinto que preciso fazer isso pra ser quem eu sou. Ainda estou tentando me decidir se “ponta firme” é um elogio ou não.

E se eu ainda estou tentando me decidir é porque eu já me decidi.

 

 

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