Doenças

I Este ano realizei um pesadelo antigo, não meu mas de outra pessoa. O pesadelo era tão antigo que acredito que neste ano ele já tenha finalmente sido reconhecido como sonho (vontade) pelo outro. Somente eu poderia realizar isto e ninguém mais. A frase era minha para ter e dizer no momento adequado: “eu nunca mais quero ver você”.

II Se eu digo “eu quero que você morra”, desejo isso de verdade. Se eu digo “eu odeio você”, eu realmente sinto isso. Sou leviana ao desejar que muita gente morra. Mas sempre me preocupo em não usar o ódio em vão. Algumas palavras são mais sérias que outras?

III Às vezes me pego pensando “estou com saudades”. Aí uma voz dentro de mim surge e me pergunta “saudades do quê?”. E eu pergunto novamente à esta voz “É mesmo… Saudade do quê?”. E aí é como se essa “saudade” nunca tivesse existido. Não é saudade, é impulso. Não é amor, é doença.

IV Para lidar com a solidão eu tenho uma lista. Todas as vezes que eu me sinto o último ser humano do mundo, extremamente sozinha, com vontade de chorar, eu volto à esta lista, a releio quantas vezes for preciso e aí compreendo que prefiro estar sozinha comigo do que sozinha com outra pessoa. Ao menos eu tenho me esforçado pra ser mais gentil comigo mesma.

V A paixão – que é sempre efêmera – nós deixamos para sentir pelos outros. A dedicação, perene, apenas a nós mesmos. E não há nada de errado nisso. Parece mesquinhez mas é uma generosidade profunda. E isto precisa ser deixado claro. Caso deixar claro não seja possível, deverá ser imposto.

VI O que é feito às vezes é insignificante comparado à forma que é feito. A forma muda toda a estrutura do conteúdo e quando não se enxerga isso, as dificuldades só aumentam. Antes uma mágoa breve do que uma mágoa irrecuperável.

VII Omitir ainda é mentir. E jamais vai deixar de ser.

 

 

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