Realidade paralela

Não saber o que vai ser da minha vida era algo que costumava me angustiar bastante. Na verdade eu sei o que é a minha vida, e ela é muitas coisas e não uma só, então eu consigo ter uma ideia bem simplificada do que pode ser a minha vida. Não é tão ruim quanto eu gostaria que fosse. Mas vez e outra tenho me permitido pensar em realidades paralelas. Hoje pensei em algo muito bonito que jamais irá acontecer. Imaginar e sonhar coisas ainda são tabus pra mim, mas tenho tentado fazer isso, aos poucos. Imagino coisas boas e coisas ruins também. Fazendo isso tento ser mais livre. Tento imaginar as coisas com cuidado, pois pensamentos podem ser perigosos, podem nos consumir. Não quero ser consumida, quero usufruir dos meus pensamentos, não me tornar escrava deles. Enfim… Sonhei acordada, enquanto cozinhava, que minha mãe havia decidido se aposentar e terminar sua carreira de longa data. Pensei que ela sairia de Campo Grande e viria pra São Paulo e investiria em um pequeno bistrô, onde eu a ajudava e teríamos a ajuda de outras poucas pessoas. Imaginei a decoração do bistrô e nela haveria fotos do tempo que minha mãe dançava e a temática geral do lugar seria essa. Seria uma coisa dentro da outra, que nem as matrioshkas. A gente trabalharia bastante, mas a vida seria mais larga, mais ampla, mais livre. Haveriam mais perspectivas. Curiosamente meu pai não estava nessa realidade, não sei dizer o porquê. Minha irmã também não. Mas foi legal imaginar isso, imaginar uns dez anos disso. Alguns anos de convivência pacífica, de tranquilidade, de vivências inteiras, mais genuínas, menos interessadas. Mas isso não vai acontecer. Nunca vai acontecer, a não ser na minha mente. Minha mãe é apegada demais às coisas que ela construiu. É o tipo de pessoa que irá resistir até o final, que jamais irá se aposentar. É a pessoa que irá sorver até a última gota de vida, porque sim. Ter paz, pra minha mãe, é a morte.

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