Graciosa

Ele falava sobre padrões de comportamento e sobre um retorno que sempre se repete. Eu sempre quis estudar isso, mas nunca soube muito bem por onde começar e eu nunca quis começar pelo que é óbvio. Sempre quis começar pelo de repente, por onde não podia ser começado, justamente pra se contrapor a minha visão de “começar pelo começo e no tempo certo”.  “Não vou te falar nada que você já não saiba, só vou demonstrar algumas coisas”. Demonstrar: soou como se fosse mágica. Alguém que me mostra algo apenas, ao invés de ficar falando sem parar. O conceito, o significado: quero essas coisas. Todo o resto é opcional. Já estive nisso, já estive aí repetidamente, me reconheci. A linguagem não era estranha, era tudo muito simples. Ele apenas disse: “Escute: essas coisas ocorrem. E você apenas precisa estar consciente que ocorrem”. E geralmente eu estou, mesmo, consciente. Mas não dessa forma. Estou consciente mas não com uma vontade tão afirmativa. Esse retorno é uma ilusão. A casa, a morada, o lugar: uma ilusão. Usando um termo feio, uma mentira mesmo. Pra qual precisamos sempre voltar. Ser viciado é inato (‘nascemos em pecado’, etc). Mas o padrão existe sempre. A mentira existe sempre. A diferença está na forma em que se quebra esse padrão. Comportamento não-viciado às vezes se torna anti-viciado, tornando-se assim, viciado. Me enxergo quase sempre então me tornando uma anti-viciada, o que não resolve muitas coisas e faz com que se aumente a chance de que o vício retorne, cada vez mais forte. Preciso ler mais sobre essas coisas, procurar saber mais sobre isso tudo. E vou fazer isso. É curioso ouvir tudo isso e entender a história dele por inteiro. Enfim… O que esperar de alguém que teve um derrame que o deixou com afasia e disse que isso foi uma dádiva? Só pude compreender isso como dádiva pois me lembrei das armadilhas.

Sempre quis ser graciosa.

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