Brincadeiras

Sabe quando você passa a vida inteira brincando e aí quando você diz algo a sério não te dão crédito? Então.

Só hoje percebi o quão perturbador pode ser não saber se de fato uma pessoa está brincando ou está realmente falando a sério. Podem me chamar de ignorante, sem noção, não tem problema. “Nossa cara, você é retardada? Não sabe diferenciar uma ironia de algo sério?”.

Ok, posso ser retardada. Não sinto constrangimento nenhum em desconfiar das intenções de uma suposta ironia, se eu quiser. Para mim não é problema nenhum admitir que posso, sim, desconfiar do que é dito e escrito por qualquer pessoa, seja ela próxima ou não. Chamem do que quiser: burra, paranóica, exagerada… Chamem minhas reações de overreactions: tem problema não.

Quer vocês queiram ou não, é realmente muito fácil esconder suas intenções por trás de palavras e por trás de uma tela. É muito mais fácil, mesmo, gerar ambiguidade, confusão e cortina de fumaça. Muito mais do que no tete a tete.

Desculpem, mas não neguem: é, simplesmente. Muito fácil.

O que eu acho difícil mesmo é viver enxergando isso tudo e fingir que não existe, que não é uma possibilidade. Não enxergar e nem se dar conta às vezes do peso e da importância das palavras, do gestos de determinadas frases, dos duplos sentidos, das ambiguidades.

Sou burra por não compreender ironias? Pode ser.

Sou grossa e estúpida por repreender, não aceitar e/ou questionar coisas/termos/expressões/comportamentos que não compreendo e que talvez me ofendam? Pode ser também.

Mas acho que a minha ignorância seria ainda maior se eu deixasse certas coisas passarem batido, como se não significassem nada pra mim. Ou como se absolutamente tudo fosse uma eterna brincadeira na minha vida. E eu não sei viver assim.

Mas muita gente vive assim.

“O que eu escrevi não é pra ser levado a sério”. Vivemos na era do bate e assopra. Escreve uma bosta e depois não sabe se justificar. Fala algo e depois diz que foi brincadeira. Ou pior ainda: diz que não quis dizer nada “que disse por dizer”. Que tipo de pessoa sem culhão fala uma coisa dessas? Nada significa nada então? Não entendo.

O que eu acho é que as pessoas estão/são cada vez mais irresponsáveis e inconsequente no que dizem e no que escrevem. As pessoas, de um modo geral, NÃO SE ASSUMEM. Não assumem seus desejos, não assumem suas vontades, não assumem seus pensamentos e não assumem seus desgostos, principalmente. Eu não gosto disso e eu não consigo conviver com isso. E posso escolher: eu não quero que as coisas sejam desse jeito na minha vida, nem com as pessoas com quem me relaciono.

Mas talvez seja eu quem desaprendeu a brincar, mesmo. É, que pena. Talvez seja eu que tenha me tornado uma pessoa amarga e séria demais. Mesmo. Que seja. Mas por hora – por todas as experiências que já tive – prefiro continuar sendo assim. Esta decisão sim eu admito que pode não ser muito sábia da minha parte, mas até eu encontrar um outro novo modo menos defensivo de pensar para lidar melhor com essa situação, será assim mesmo.

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