Rôla

Entraram com uma ação contra o vídeo no MP. Não adiantou nada (ainda bem). Várias pessoas acharam o vídeo sem graça. Ok. Eu achei o vídeo engraçado, da primeira vez que o vi. E ainda continuo achando graça. Mas acredito que só entenderá a graça quem já foi vezes o suficiente em uma casa de sucos no Rio de Janeiro. Para quem é de fora, quando vamos em uma casa de suco por lá e percebemos o atendimento, a impressão que fica é que o cara que faz os pedidos pra cozinha sequer pensa no que está pedindo. É tudo no auto-piloto, quase automático. Sobre ele oferecer rôla pra moça, essa é fácil: sempre, o tempo todo, estão querendo nos vender algum tipo de produto. Lojas de suco não estão excluídas disso. E é tudo tão automático, feito de forma tão rápida que a moça – mesmo confusa, achando meio estranho e talvez não sabendo direito o que está levando – acaba mesmo pedindo duas rôlas, porque né, fazer o quê se não tem o que ela quer. Aí é que é a graça da coisa toda, porque nesse momento fica surreal mesmo. Não é por nada não mas a esquete desenha bastante bem um dos vários tipinhos brasileiros. Esse vídeo de humor fala sobre linguagem, sobre publicidade, sobre colocar as coisas no automático e fazer com que os outros, meio que na malandragem (mas também à força), aceitem o que está sendo imposto: rôla. A moça pode mesmo ter pedido duas rôlas espontâneamente, mas a esquete toda leva a crer que ela foi coagida. E nós, somos mesmo, muitas vezes coagidos a comprarmos (e aceitarmos) coisas que nem queremos ou nem sequer sabemos bem porquê estamos comprando/aceitando.

Essa esquete da Porta dos Fundos me lembra de dois outras referências de humor (bem mais ofensivos inclusive) sobre o mesmo tema:

George Carlin – Advertising Lullaby:

Bill Hicks on Marketing:

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