Amor

Houve um dia em que, minha mãe em um de seus ‘acessos de raiva’, disse para o meu pai que quando ele morresse não haveria ninguém no enterro para segurar o seu caixão. Provavelmente ela disse isso por algum motivo estúpido, ele não quis (ou não pode) fazer algo que ela pediu. Algo não saiu exatamente como ela queria. Coisa assim. (A diferença entre minha mãe e eu é que ela tem acessos de raiva impulsivos e impensados, como quase todo mundo de capricórnio. Eu não). Ele jamais se esqueceu desta frase. E chora ao se lembrar dela até hoje. Ela jamais o quis bem, de verdade. O único sentido da existência do meu pai na vida dela é ceder aos seus caprichos, apenas. E ele cede, a todos, até hoje. Infelizmente, acredito. A única diferença é que, na realidade, meu pai tem amigos de verdade. Poucos, mas tem. Dá pra levar o caixão. Minha mãe, não. Minha mãe tem contatos profissionais… Que, por isso, calham de ser suas ‘amigas’.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: