Sempre houve e sempre existiu essa tentativa, quase sempre frustrada, de fazer parte de algo maior que eu. Nunca consegui ter sucesso com isso, da forma que gostaria – talvez porque essa forma não exista, o que é bastante ruim também. Faço sim muitas coisas,… fiz, quis, gostei, amei, etc. Mas quanto mais acredito que tenho certas coisas, menos elas me pertencem. A sensação nunca foi a de aproximação, mas sim de distanciamento de acordo com o tempo. E isso é com tudo. Não importa o que eu faça: trabalho, me divirto, escrevo, conheço pessoas, me apaixono. Sei que existem coisas perenes na minha vida, que uma ou outra coisa me define. Mas as minhas relações, os meus relacionamentos com as coisas e com os outros, é sempre como se quem eu sou fosse destacado disso tudo, fosse algo à parte. Acho que estou tão grandiosamente desiludida que não confio mais nem na existência. Sou amável mas não reconheço as pessoas como amigas, sempre acho que tudo vai passar ou dar errado em algum momento (e essas coisas sempre ocorrem, quando não ocorre coisa pior). Sou esforçada e dou sempre o melhor de mim, mas não reconheço um bom trabalho como tendo sido meu de fato, mas sim de um conjunto de fatores que vão além de mim. E isso tudo pode parecer muito “generoso” de minha parte, mas a verdade é que tudo isso é de uma auto-mesquinhês incalculável. Sou extremamente mesquinha. Tenho comigo mesma o defeito que mais critico nas pessoas: eu sou pobre de espírito. Sou completamente incapaz de criar vínculos reais com qualquer coisa e com quem quer que seja. Não me compartilho, não me entrego, não confio, para me proteger e me manter numa tranquilidade relativa – quando não, falsa. Não sou infeliz, sou apenas uma pessoa muito sozinha mesmo (embora muitos se recusem a acreditar nisso). E cada vez entendo isso mais como uma opção mesmo e não um destino. Às vezes sinto mais ou menos solidão, mas no resto do tempo, sou sozinha e me sinto confortável assim pois não tenho como me sentir de outro modo, não há muito o que ser feito. Me criei e me fiz assim, assumo a culpa, ela é inteiramente minha. E ainda vou decepcionar muita gente por isso.

Bom… Que pena.

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