Padaria

Vou quase sempre na padaria hippie louca e suja. O atendente sempre “bom dia querida como vai, o que vai ser hoje?”. Hoje fui na padaria ‘de social’ e nêgo me ignorou por uns 3 minutos. Depois “não vi que era você, você está diferente hoje… como vai querida?”. Fiz o desjejum. Do meu lado sentou um idoso. Não falou nada. O atendente simplesmente entregou-lhe o café e ele começou a tomar, vagarosamente. Em algum outro momento observei como os atendentes eram atenciosos, memorizando e antecipando o pedido dos clientes. Num primeiro momento, achei isso meio incrível, imagina só, que delícia, você mal chegar no lugar e ser atendido assim, com todos já sabendo de antemão o que você quer. Só que hoje achei isso melancólico pra caralho. Tomar o mesmo café, todos os dias, por sei lá, 50 anos, na mesma padaria, do mesmo jeito? Me pareceu tão deprimente. Tomar todos os dias a mesma coisa. Meio triste, fica parecendo falta de opção quando na verdade é falta de vida mesmo porque a pessoa escolhe estar ali, tomar sempre aquele café, viver sempre nesse marasmo e comodismo. Isso me amedronta até os ossos, essa inércia de vida. Não sou contra o coditiano, nem contra a rotina, nem nada disso: adoro essas coisas, me fazem eu me sentir segura. Sei sair do protocolo quando preciso, sou livre pra isso. Eu gosto da repetição, quando ela merece ser gostada. Mas também acho que isso é algo que precisa ser sempre observado, estar em constante vigilância e, principalmente, transformação. Se a rotina não se transforma, ela toma um sentido bastante perverso, pernicioso, que foge à vida, parece. Tão triste. Tenho mais medo dessas coisas do que medo da dor de mudar.

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