Serpente

Inicia-se sinuosa, com um arrepio que delonga-se por todo torso. E então surgem calafrios intensos, contínuos. Certo tempo depois instala-se na região abdominal e por ali permanece, infiltra-se. E dali emana, espalhando-se pelo corpo todo. Às vezes é tão forte que adoeço. Percebo meu corpo tremer e hoje resisto. Melhor dizendo, hoje tenho minhas defesas. As palmas das mãos começam a suar. Essa serpente – que não é ansiedade – permanece nas entranhas e beira a loucura ao cúmulo de imaginar situações e ouvir vozes com perfeição e enxergar na mente imagens muito claras  de tudo, como se assistisse a um filme. Quando é muito intenso acabo sonhando e nunca é agradável. A última vez que tive um sonho desses foi dia 28 de julho. Acordei com asco de mim mesma. A serpente sabe.

Após tudo isso fico com o corpo dormente e com a sensação de que sei exatamente o que se passou.

Mas talvez não saiba mesmo.

Talvez não saiba nunca.

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