Conselho perene

Dora: Me sinto muito desconfortável. Isso tudo me incomoda muito.

Ele: Pode ser. A escolha é sua, mas os ganhos são maiores se você suportar o desconforto… E a perda será que nada acontecerá. E se nada acontecer, dane-se, você fica na mesma.

Em Banho Maria

Conselho pra uma vida toda. Pra todas as coisas. Pra várias situações, eu lembrei e usei.

É de um otimismo que beira o comodismo. Mas só é comodismo se você QUISER que seja.

Ia escrever algo aqui sobre “suportar desconfortos”. Mas já não enxergo mais dessa forma. Não tenho tendência a enxergar tudo pelo lado ruim. Não fico mais magoada por muito tempo e também não sei (nunca soube) me vingar. A minha máxima é deixar estar, sempre. Um hiato é sempre positivo, comigo nunca teve erro. Nada que um bom período de reclusão com meditação não cure. Me faço voltar ao eixo na marra, sempre. E depois as coisas se arranjam. E se não se arranjam eu FAÇO elas se arranjarem. Ou pelo menos tento. Orgulho não vale merda nenhuma nessa existência escrota que a gente vive. Mas é preciso dar tempo ao tempo, sit back and relax. E é fato: as situações sempre melhoraram quando fui assim. Menos desgaste, menos discussão desnecessária e irrelevante que nunca chega em lugar algum, mais tempo vivendo bem. Muito melhor.

Ignorance is bliss.

Aí sim, depois de agir assim algumas vezes, pude perceber que coisas tem começo, meio e RECOMEÇO, sempre. O único fim real é só quando a gente morre e a única certeza que temos é de que um dia, qualquer hora dessas, iremos morrer (nihil verum nisi mors). Enquanto não morremos, as situações vivem em nós, independente do tempo, independente de tudo. E a tendência é tudo acontecer de novo e de novo (se permitirmos, claro), só que de formas diferentes, contextos diferentes, enfim. Mas isso é apenas um padrão que reconheci. É tão claro, tão óbvio, tão luminoso que é ridículo, que me irrita e que, a bem da verdade, nem me impressiona mais. A vida é um filme muito do sem graça e às vezes eu me machuco e também me entedio ao extremo.

O grande problema é saber lidar com todas AS (IM)POSSIBILIDADES. “Mas não.. isso nunca vai contecer/é pouco provável que aconteça”. Por que não? O que garante? E aí a pessoa te dá respostas supostamente “concretas”, quando na verdade, na grande e dolorida verdade, a resposta que você tem e acredita não passa de uma “fé”, de algo que a pessoa, em seu íntimo, realmente espera e ACREDITA que não acontecerá, mas talvez, não confesse a si mesma que não tem  mesmo certeza disso. É dolorido, triste, mas hoje acho tragicômico. “Não… mas isso nunca vai acontecer”, pois sim, acontece sim, acontece muito, acontece sempre e acontece novamente. E novamente. E novamente. No mesmo contexto, em outros contextos, com outras pessoas. Mas acontece. Nesses casos, é preciso lembrar sempre dos detalhes minuciosos e guardá-los com sabedoria em cantos específicos da memória, pra não esquecer jamais. Eles nos dão boas pistas pra entender melhor quando e por que as coisas acontecem. Pistas, apenas, que fique claro. Nada concreto, mas suficiente. Questão de fazer associações, ligar pontos e, novamente, acreditar. Ou não. Enfim…

Mas quando acontece o HIATO e depois, o recomeço, aí sim tudo é muito novo, outras perspectivas, outras cores, outro tempo, espaço, etc. E tudo PARECE (notem PARECE) muito BOM. Mas não é exatamente bom: é apenas o mesmo, só que com uma outra roupagem… Nada mais nunca é realmente novo. E isso já faz tempo. As coisas já mudaram e o seu saudosismo é imbecil. Quem não é muito consciente disso se frustra com uma frequencia que, pra mim, é entediante. Então é preciso escolher o que é importante.

E o importante pra mim é o agora.

Que já é outra coisa. Faz tempo.

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