Vacinação Anti-Rubéola, Esterilização e Aborto

Eu não gosto de discutir assuntos polêmicos, mas tem vezes que acontece mesmo que sem querer. Hoje conteceu. Vou postar essa conversa por que acho que o tema é pertinente. Depois, se ainda tiver paciência, elaboro um outro texto com outros pensamentos meus. Essa discussão ocorreu depois que li o post “Alerta: vacinação contra rubéola” no blog Rei Nada, do Marcos Ludwig. Fui incomodá-lo no msn pra comentar o post e a conversa rendeu:

Dora: Nossa que ótimo! Eu tomei a vacina contra rubéola.. Esses dias, na saída do RU, umas pessoas de enfermagem me atacaram e me vacinaram :D

Marcos: É, pra tu ver como estão com vontade de esterilizar todas as mulheres :D

Dora: Tomara que esterelizem geral mesmo. Já tem gente demais nesse mundo.

Marcos: Certo. Isso me dá uma pista das tuas reais intenções. Vou anotar isso para um dia ser usado contra ti. ;-)

Dora: Hehehe.. E quais seriam as minhas reais intenções? Nem eu sei delas!

Marcos: Não sei. Requer uma análise associada com outras pistas que tu pode já ter dado ou dará no futuro ;-)

Dora: Heheheh… Daqui uns 5 anos.. “eu queria tanto ter um bebê”. Putz.. inimaginável, eu com um bebê. Credo. Não ia funcionar não.

Marcos: Conheço uma pessoa que aos 25 fez vasectomia voluntariamente. É a pessoa com mais alto grau de “psicopatia” que eu conheço.

Dora: Ano que vem eu faço 25. Acho que se fosse pra eu ter filho, já tinha que ter tido. Não gostaria de ser mãe idosa com filho adolescente, que nem minha mãe foi. Eu não sou psicopata. Só não gosto de gente. Digo, “de todas as gentes”.

Marcos: Eu sei. Estou falando dessa pessoa.

Dora: Mas e depois? Ele casou, encontrou Jesus e se arrependeu? :}

Marcos: Claro que não. A idéia dele é nunca se casar.

Dora: A maioria das pessoas tem pensado assim hj em dia.

Marcos: Eu percebo isso em blogs por aí e digamos que mais na ‘classe’ universitária.

Dora: Eu não digo que “nããão” mas.. Pelo estilo de vida que eu levo e pelo que me conheço,.. Acho *muito* improvável que me case. Então, antes que falem q eu ficarei “pra titia”, eu já digo que não quero casar.. hahahaha.. Eu vou ser uma balzaca malamáda. :D

Marcos: No povão eu acredito que não pensem assim.

Dora: Pro povão, fazer filho é tão “natural” quando comer e cagar. Mesmo que não tenham condições, engravidam do mesmo jeito e não tiram por que, na maioria, são católicos… Não entendem o processo de engravidar como qualquer outro processo orgânico. Ai, esse assunto dá muito pano pra manga -_-

Marcos: Claro, do jeito que tu vai particionando o assunto, só pode dar mesmo. Bom, quem segue o catolicismo com devoção não engravida fora do tempo. Espera casar pra poder fazer isso. “Tirar” significa matar uma pessoa, mesmo que essa pessoa esteja em gestação. Se isso acontece fora do tempo, é por uma irresponsabilidade quanto aos próprios atos e que evidentemente está sendo influenciada por vários meios.

Dora: “Com devoção”.. Peralá po.. A maior parte dos católicos é “não-praticante”.. Mas enfim, ainda assim “tem fé”. Não sei o que é pior.. “matar” uma pessoa, ou condená-la a viver de uma forma indigna.

Marcos: Tem pouca fé.

Dora: Concordo contigo que é irresponsabilidade, mas ainda assim, não considero aborto assassinato.

Marcos: Bom, aí tu está justificando um crime com a possibilidade do que pode acontecer com essa pessoa no futuro. Tu condena uma pessoa à morte por “achar” que ela não vai se dar bem. Bom, se a vida começa na concepção (e é a verdade de fato, segundo constatado pela Biologia), e ‘abortar’ é o mesmo que terminar com uma vida concebida, e se terminar com uma vida é assassinar, então abortar é assassinar.

Dora: Acredito que se algo está rumando a dar muito errado, e você tem a possibilidade de evitar isso, não vejo mal. E se for assim, mesmo eu não tendo feito nenhum aborto na minha vida, eu aborto desde os meus 16 anos pelo simples fato de tomar anti-concepcionais. E aí, sou uma assassina? Deveria ter engravidado todas as vezes então? Isso me soa medieval cara…

Marcos: Não, por que tu impediu que algum dos teus óvulos tivessem contato com algum espermatozóide.

Dora: Tá. E se eu tomar a pílula do dia seguinte então, eu sou uma assasina. Aí sim.

Marcos: Se ouve a geração de vida mesmo, sim.

Dora: Absurdo.. Hehehehe… Eu deveria ter deixado e ter tido filhos então? Absurdo.. É uma coisa que não entra na minha cabeça.

Marcos: Só estou fazendo uma interpretação lógica, conforme eu te demonstrei. Se tu acha que tem algo de errado, tente ver aonde eu errei naquela cadeia lógica que eu montei pra ti. Não está sendo ‘absurdo’ concluir isso. :-)

Dora: Não, não está. Tudo bem que não é ilógico, mas nem todas as coisas funcionam de forma lógica… Ainda mais no que tange às humanidades. Talvez eu tenha as opiniões que tenha por ser filha adotiva. Particularmente, eu gostaria de ter sido criada pela minha mãe biológica… Mas ela tinha 14 anos e não tinha condições, financeiras e psicológicas, de me criar. Sem falar que a família dela nem ficou sabendo da minha existência também. Enfim.. Tudo isso poderia ter sido evitado e aí eu não existiria. :-)

Marcos: Sou capaz de entender. Tenho um primo adotado. Bem, tu acabou de admitir que existe uma possibilidade da tua opinião estar sendo movida pelo que tu passou na história da tua vida. Nem preciso te dizer que isso é subjetivo. Cada pessoa tem sua história e cada pessoa pode formar a opinião que quiser a respeito das coisas.Agora, nenhuma ‘opinião’ (mesmo que venha a ser numerosa) pode ser capaz de dobrar a realidade nos fatos: 1. Aborto é assassinato; 2. Não há certeza alguma sobre o rumo que uma vida vá tomar, portanto probabilidades acerca do futuro não justificam assassiná-la.

Dora: Tudo bem.. Que sejam a “realidade” dos fatos. Continuo (ignorantemente, talvez) acreditando que se as mulheres têm uma opção diferente, não há por que ficar se martirizando em torno de certo conceitos como “assassinato” e “possibilidades acerca do futuro”. É claro que eu gostaria que todas as coisas fossem “certas”, que todas pessoas fossem conscientes, etc.. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Se formos pensar de uma forma holística, por exemplo, em como o nascimento de crianças indesejáveis pode impactar uma sociedade, os recursos naturais, a própria infra-estrutura de um lugar.. É complexo. As pessoas não procriam com um objetivo maior em mente hoje em dia, elas simplesmente fazem isso por fazer, ou ainda, são adolescentes que nem sabem o que estão fazendo. Tá.. A conversa tá se extendendo. Vou postar tudo no meu blog…

Marcos: Nada é perfeito. É por isso que há um sentimento de caridade que leva pessoas acolherem outras pessoas desafortunadas e são capazes de mudar a vida destas. E é exatamente o que aconteceu contigo. Por isso que eu te digo: tu não pode ter certeza sobre como pequenos pontos de vida agirão e se sentirão no futuro. Mas temos certeza que serão pessoas como nós. :-)

Dora: Não tenho certeza de amanhã, mas o que me importa (ainda) é o hoje. Acho que penso assim por que ainda não envelheci. :}

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