Já estamos no fim do dia 28/12. Faltam exatos 3 dias pro ano novo. Como eu acho que nada de surpreendentemente interessante ainda vá acontecer nesses três dias, escrevo aqui a minha retrospectiva anual, pra tentar me lembrar mais ou menos de como foi esse ano de 2007. Pra mim, o ano já acabou, hoje. E o saldo foi muito mais do que positivo.
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Janeiro
Nem lembro direito como foi. Só sei que teve o já tradicional ano novo com amigos em Campo Grande/MS. Depois o resto do mês foi se arrastando até terminar de vez. Quis que terminasse logo, pra eu ir embora logo. Não aguentava mais aquela cidade.
Fevereiro
No começo do mês eu já tava contando os dias pra vir pra Florianópolis. Já tava de saco cheio daquela cidade, das pessoas e até mesmo (confesso sim) dos meus amigos. Não aguentava mais aquele lugar. Ir embora no fim do mês foi um alívio pra mim. Fiquei lá com a minha mãe por uns dias e depois ela me deixou aqui em Florianópolis/SC sozinha.
Março
Morei na casa da Ana por um mês. Ganhei um laptop de aniversário. Daí tive de sair de lá por que ela ia casar. No fim do mês mudei-me pra uma casa com +3 garotas. Eu ainda não estava feliz, mas estava bem aliviada apenas pelo fato de não estar mais morando em Campo Grande. Fui na Pelvis Shaker com uma galera da comunidade Floripa EBM que conheci pessoalmente. Recebi uma notícia muito escrota, o que me fez concluir que uma pessoa que até então eu admirava e até mesmo confiava, era uma mentirosa de primeira linha. Na verdade, sempre foi, só eu que não quis enxergar, mas depois da notícia e da confirmação pela própria pessoa, foi mesmo inevitável. Mas essas coisas acontecem. Vida que segue.
Abril
Comecei entender Florianópolis, a cidade, o centro, como as coisas funcionam, onde elas existem, onde elas estão, como chegar até elas. As ruas principais, os lugares mais conhecidos, algumas caminhadas. Onde ir, o que fazer, etc. E então na metade do mês comecei a namorar. Foi bom. Vê-lo pela primeira vez foi como uma manhã de natal. Passei o resto do mês pisando em nuvens. Eu estava muito feliz.
Maio
No começo do mês ainda estava muito apaixonada. E feliz. Mas decidi que morar com 3 mulheres era demais pra minha cabeça. Ninguém merece. E elas também não mereciam morar comigo, por que eu sou tosca. Enfim, intimidade, com qualquer outro ser humano que seja, é uma merda. Foi nesse mês que começou a germinar em mim a idéia de que “eu nasci pra ser sozinha”.
Junho
Fui no show do Krisiun dia 16. Grande acontecimento. um marco na minha vida. Acho que nunca tinha ido num show ‘grande’ de metal, tipo, com banda que toca na Europa e pá. Foi uma coisa linda. Acho que nunca tinha ido num show tão brutal na minha vida. Foi bacana. Tava animada também por que comecei a trabalhar com jornalismo, achei que pudesse dar certo. O namoro ia bem, mas já não achava que “ia durar pra sempre”. Felizmente.
Julho
Fui na Detrito, festa de EBM que teve aqui em Floripa, organizada pelo pessoal da Floripa EBM no orkut. Conheci amigos virtuais, pessoalmente. Terminei meu namoro um dia depois, acho. Durou exatos quatro meses. Foi bom, mas não rolou. Revi meus pais. Não sei dizer ao certo se estava com saudades, mas acho que sim. Eles estavam os mesmos, e eu também. Saí do meu emprego por que meu chefe simplesmente não me pagava (simples assim). Só me meto em roubada..
Agosto
Meus pais foram embora. Coisas inesperadas, mas ótimas aconteceram. Dei muita risada, aprontei pra caramba. Às vezes parecia que eu estava vendo a minha vida de fora, de tão absurdamente impressionantes que algumas coisas foram. Algo tipo “Isso simplesmente não pode ter acabado de acontecer comigo… Isso só pode ser algum erro da Matrix!”. Mas enfim… Adoro ser surpreendida, ainda mais quando são surpresas boas. E todas foram. Mas a verdade é que esse foi um mês em que fiquei completamente inerte em relação a vida..
Setembro
Inércia tomou conta ainda mais, mas não cheguei a me sentir mal, apenas indiferente quanto a tudo. Uma indiferença profunda, juntamente com uma pontinha de tristeza. Não sabia explicar ao certo pra mim mesma o que acontecia, mas diante da vida eu ainda me via como uma completa otária.. Baixa auto-estima. Me perguntava por que eu não tinha motivações, por que fazia algumas coisa e não outras… Mas não tinha as respostas, não as achava de jeito nenhum. Parei de perguntar e não esquentei mais a cabeça. Não foi fundo do poço (mesmo por que, já me aconteceu coisa muito pior, acreditem), mas foi beirada. Mas ainda assim fui me arrastando me inscrever pro vestibular da UFSC em… Letras? Não. Filosofia? Também não. Biblioteconomia. É.. É isso aí mesmo. “Nada de querer inventar moda. Apenas faça o que você tem que fazer, garota”.
Outubro
E lá estava eu, no meu canto, em toda a minha inércia, insatisfação e indiferença com a vida quando me aparece um doido. Conversa vai, conversa vem… Aí me contaminei com a loucura dele e bem no meio do começo do mês e decidi viajar pra Porto Alegre/RS. Não me lembro a última vez que tinha sido tão impulsiva. Conheci lugares e pessoas novas. Uma cidade nova, ruas novas. Fui numa exposição de arte (nunca tinha ido numa exposição de arte na vida, antes). Observei vidas pulsantes, de perto. Tudo tinha cores, era muito intenso e de uma vivacidade incríveis. Tudo transparente e verdadeiro, como deve ser sempre. Fui muito feliz por quatro dias. Continuei feliz depois desses quatro dias. Fui pra Campo Grande/MS, bem depois. O aniversário do meu pai seria no dia 30 e eu fazia questão de estar lá. Revi minha madrinha e todas as pessoas que não via há uns 10 meses. Vi algumas pessoas novas, mas foi tudo muito rápido. Fiz tudo o que tinha direito: bebi, fumei, saí, briguei com a minha mãe. Voltei pra Florianópolis e decidi fazer TUDO diferente. Passar minha vida a limpo, mesmo.
Novembro
Tirei cerca de uma semana de férias de mim mesma e essa foi a melhor coisa que fiz nesse ano. Sem exageros, acho que foi a melhor coisa que já fiz na vida. Foi como se fosse uma desintoxicação de mim mesma e, mais tarde, um reencontro. Nada de livros profundos, de filosofia, de epifanias e novas descobertas. Meditação e disciplina pura. Uma semana completamente nula. Quando regressei, decidi me desfazer de todo o meu antigo estilo de vida. Botei todas “as minhas coisas” (meu jeito de pensar, de viver, de comer, de me alimentar, de ouvir música, de ler…) no hold por tempo indeterminado e decidi então AGIR. Agir de verdade, e não só em pensamento. Depois dessa desintoxicação, meti um objetivo na cabeça e decidi torná-lo real, de fato. Não tomei uma decisão temporária, tomei uma decisão pra vida, de uma vez por todas.
Dezembro
Redescobri até agora uma parte bem pequena do que é a minha auto-estima. Sei que ela é bem maior que isso, mas acho que não vou chegar a virar uma esnobe: sou legal demais pra isso (ha-ha!). Pra quem julgava auto-estima inexistente, até que estou indo bem. De 11/11 a 11/12, perdi 5 quilos, mas quanto mais emagreço, mais gorda me sinto. Estou indo bem, no entanto. Meus pais chegaram. Viemos aqui pra Jurerê e eles ficaram feliz com o fato de eu estar mais magra e com uma aparência melhor. Minha mãe disse que eu “pareço saudável”. É um começo. Cortei meu cabelo bem curtinho, de novo. Pretendo usá-lo assim, durante 2008. Talvez mude, talvez não. Me matriculei numa academia e descobri um lugar pra me pesar regularmente por aqui em Jurerê, pelo menos até o carnaval. Tive um natal como nunca tive antes com a minha família e fui muito feliz, como nunca tinha sido antes. Hoje saiu o listão e vi que passei em biblioteconomia na UFSC, o curso que sempre quis fazer, desde o ensino médio. Pra mim o ano acabou nesse exato momento. Fechei com chave de ouro. Eu não preciso que mais nada me aconteça agora mesmo. Nem pro bem e nem pro mal.
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Olho pra trás e não consigo acreditar no quanto consegui amadurecer em… 2 meses, cacete! Foi muito absurdo e muito bom. Gostei das mudanças que percebi em mim. Minha vida é o filme mais estranho de todos… Mas gosto do jeito que as coisas vão tomando forma. E vejo beleza em todas as coisas agora. E bem… Levando em conta que 2005 e 2006 foram anos do mais profundo DESGOSTO pra mim e me drenaram completamente emocionalmente, em 2007 eu lavei a minha alma com água sanitária. E não foi bom… Foi algo um pouco acima de extraordinário. Não tenho nem palavras.
E acabo a restrospectiva por aqui mesmo antes que fique chato.