A mulher menor

[Update 30/12/2016: Este texto será alterado em breve.]

Eu nasci mulher e isso é um fato que eu não posso mudar. Ok. Talvez a medicina já tenha avançado a tanto, mas não estou a fim de mudar, mesmo que seja possível. Depois que descobri que eu era mulher mesmo e saquei meu o corpo, também gostei e achei bom. Achava bonito, imponente, mais legal de olhar no espelho do que se eu fosse um menino mirradinho. Aí depois passou um tempinho e eu acabei descobrindo a minha sexualidade e também fiquei muito satisfeita. Nada nunca me confundiu muito a cabeça e nem nunca fui muito confusa por que eu lia bastante.. Se a curiosidade batia, lá estavam os livros pra me saciar. Por um tempo os livros, depois os homens mesmo. Hoje em dia, acho que não há mais muito o que se descobrir no entanto, em vista que não tenho nenhuma parafilia / fantasia muito bizarra. É.. Devo ser totalmente sem graça nesse sentido mesmo.

pcapapunkrock.jpgMas ainda existe algo que estou tentando entender – e falhando sempre, terrívelmente – que é o feminino, a essência feminina, a mente das mulheres. Como funciona? Por que reagimos como reagimos? Por que somos infinitamente idiotas quando se trata de relacionamentos? Tá.. Você pode me dizer que os homens também são assim e eu até concordo com você. Então vou te dizer que o que eu não entendo na verdade não é a mente feminina, mas a mente da típica “mulherzinha”. Explico. Eu me considero diferente da maioria das mulheres justamente por não ser afetada. Tá, talvez eu seja afetada e não saiba, mas a coisa é que eu me esforço sempre pra não ser. Tudo bem que isso de ser “fria como um peixe” também não é comigo, mas a grande diferença entre eu e a “mulherzinha” é que eu tento – assumo que em vão, muitas vezes – usar o cérebro, antes de usar o coração e/ou o útero. E é aí que o bicho pega, pois essa é uma coisa que, ao mesmo tempo em que não estou nem aí, me preocupa pra caramba.

Por ser exatamente desse jeito, eu temo perder uma grande porcentagem do que poderia vir a ser “o meu feminino”. Mas não estou falando de feminismo, daquele papo infinitamente babaca de ‘superioridade da mulher’, nem nada do tipo. Confesso que não gosto de feminismo, nunca gostei e acho uma coisa besta pra caralho: pronto disse. Nada contra as feministas: podem queimar sutiãs, espernearem e gritarem o quanto quiserem sempre. Vou fazer a cara mais blasé do mundo pra vocês, toda vez. Acho o movimento todo bobo, apenas isso. Mas “a mulherzinha” a qual me refiro não é feminista, na verdade ela é simplesmente ela mesma: alguém que vive tão somente apaixonadamente e nas nuvens que se esquece de pensar nas conseqüências. Faz as coisas meio que sem querer e quando vê, a desgraça já tá feita. É um lance meio “ooops, I did it again..” entende? E eu sempre juro por tudo o que é mais sagrado que não sou assim, mas basta eu ser posta à prova que essa entidade maldita surge do vácuo botando palavras na minha boca e fazendo eu me comportar como besta.

E ela ainda toma conta de mim nas horas menos apropriadas e me faz dizer as coisas mais imbecis e absurdas que, em sã consciência eu nunca diria. Ou talvez até dissesse, mas só que com muito mais cautela. Isso me irrita de tal modo, mas aí a cagada já tá feita e é impossível voltar no tempo.. Dizer as coisas na hora errada e com o timing mais errado ainda é tão inevitavelmente broxante que eu sinto vontade de me matar, depois que me toco da situação. Tá, eu sei que sou exagerada, mas a vontade de morrer é sincera. Mulherzinha idiota! Mulherzinha imbecil! Eu xingo por dentro, fico brava.. Mas não há muito o que ser feito. Juro que queria viver sem precisar me preocupar com isso, que droga… Tomara que um dia eu consiga amadurecer de verdade.. Estou quase lá. Falta pouco. Eu ainda tenho a fantasia absurda de que quando eu trintar é que a vida vai começar a valer a pena de verdade e que vou me sentir plena, uma mulher de verdade. Minha intuição maluca me diz que algo muito sinistro vai acontecer quando eu chegar nessa idade…

Imagem: capa da demo da banda de punk rock feminista Bulimia.

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