É normal perder amigos com o tempo?

[Atualização: 21/05/2017]

Ontem mesmo estava pensando sobre isso, sobre pessoas se afastarem e etc. Antigamente eu sempre via essa questão de uma perspectiva rancorosa e passivo-agressiva. Hoje em dia tento não fazer mais isso. Na verdade tento usar a própria contradição que é uma característica da minha vida como ferramenta para me ajudar a ter outro tipo de perspectiva. Faço então o exato oposto: ao invés de ver quantas pessoas “perdi” ou se afastaram de mim ao longo do tempo, tento prestar muita atenção nas pessoas com quem tenho me conectado ultimamente e nos porquês e comos tenho me conectado com essas pessoas. É um exercício e tanto observar o que elas postam nas redes, o que pensam, o que sentem, etc… E vou dizer que me surpreendi bastante positivamente a última vez que fiz isso.

Sim, é triste perceber que algumas pessoas se afastaram muito mesmo. Mas não posso culpá-las por isso. E nem à mim mesma, na verdade. São coisas que vão além da minha compreensão, mesmo. Esses dias fui castrar minhas gatas na frente da casa de uma amiga, mandei mensagem pra ela dizendo que estava lá perto e ela disse estar “muito ocupada” pra atravessar a rua e me ver por 5 minutos. Enfim, era meio-dia, horário de almoço e ela estava muito ocupada até mesmo para que eu passasse na casa dela. Ou seja, é bem chato sim… Mas paciência, não há nada que eu possa fazer a não ser simplesmente aceitar este fato e agir de forma mais madura, não rancorosa.

Mas o outro lado da moeda – que sempre tem, sempre existe – também é interessante. Como mencionei, existem pessoas novas surgindo… E são pessoas que me inspiram, que eu admiro, que gosto de estar perto e que me fazem um bem danado. Então eventualmente as coisas meio que acabam compensando e se equilibrando de certo modo.

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Ontem alguém achou o feed de uma das minha milhares de tags com essa pergunta. Me chamou a atenção porque a pergunta me pareceu muito ingênua de início, mas quando tentei responder ela a mim mesma é que vi que me enrolei toda e me estendi demais.. Aí senti a necessidade de um novo post.

Nunca tive muitos amigos, mesmo. Na minha época mais nova era difícil achar gente com gostos parecidos com o meu na minha cidade, então eu ficava na minha. Só quando fui fazer 16 é que eu tive alguns amigos. A bem da verdade é que, depois disso, eu só me ferrei com amizades, a vida toda. Mesmo. Me ferrei tanto, mas tanto que hoje, sozinha, ou apenas com amizades superficiais, me sinto relativamente melhor. Eu sei, é chato, é triste, mas ao menos é seguro. E pelo menos eu reconheço e assumo isso. Engraçado mesmo são pessoas que são completamente sozinhas (ou seja, cercadas de pessoas com pouco ou sem significado algum pra sua vida) e não se dão conta disso.

No meu caso, constatei que depois que você se afasta de fato das pessoas e vira meio que loba solitária por um tempo, é possível enxergar as coisas, as pessoas e as situações de uma outra forma.. E isso é muito positivo.

Hoje eu diria que perder amigos não só é inevitável, como essencial. Não adianta: você pode até querer ser o mesmo a vida inteira e/ou ser amigo de todo mundo, mas isso é humanamente impossível, da mesma forma que é impossível agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo. “Quem é amigo de todo mundo, não é amigo de ninguém” e assim vai… Amigos vem e vão e quando não são as circunstâncias cotidianas que os levam, é a própria morte.. Ou seja, não existem muitas alternativas. Mais cedo ou mais tarde as diferenças se revelam e resta apenas o que é importante, ou não resta nada.

Fato: se a amizade não perdura, é porque ela, de fato, não era tão importante assim.. É ilusão achar que teve um grande amigo sendo que a amizade acabou por desententimentos óbvios. Só se perde um grande amigo, de verdade, quando ele morre. Fora isso, é ilusão achar que o que aconteceu foi amizade. O que aconteceu, na verdade, foi um grande equívoco, apenas.

Mas não esquento mais a cabeça com isso não. Hoje em dia eu gosto da maioria das pessoas que estão a minha volta e gosto de interagir com elas, mesmo. Mas não vai muito além disso. Hoje em dia me considero drasticamente reclusa e reservada. Pode não parecer pela “exposição” que tenho aqui no blog e em outros lugares virtuais, mas eu lhes digo com toda certeza: não ponho minha alma – por assim dizer – aqui. As palavras que escrevo não são etéreas, quase tudo aqui é efêmero… Então não tenho porque me preocupar. Acho bem ridículo essas pessoas que se expõem até os ossos e depois de um tempo reclamam da falta de privacidade. Quanta bobagem..

Enfim… Em relação a amizades, eu acredito que tudo faz parte de um grande processo contínuo do que somos, do que queremos, do que fazemos e do que vivemos. Pessoas mudam: pra pior, pra melhor. Mas pessoalmente, eu prefiro exercitar a minha frustração sempre, assim não tenho surpresas desagradáveis ao longo do caminho. É certo que alguns sentimentos perduram, mas é preciso cuidar para que eles não se demonstrem doentios, viciados e degenerados. Por vezes nos curamos, por outras não, é uma questão pessoal. E eu nem sempre escolho o que me convém, pois nem sempre o que queremos a curto prazo é o melhor. Na verdade isso é bem raro.

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