Quanto mais a gente tem medo que uma coisa aconteça, maiores se tornam as chances dessa mesma coisa acontecer. Lei da correspondência que chama? Algo assim. Insistimos em pensar “qualquer coisa menos isso”. Na verdade existem inúmeras variações de pensamentos parecidos com este que eventualmente tomam forma: “eu não quero que isso acabe”, “fulano nunca vai me trair / me deixar / me abandonar / me magoar”, “tenho certeza que isso não vai dar certo”, “eu não quero nunca ir embora”, “eu não quero ficar aqui”, “eu não quero perder meu emprego”, “eu não quero terminar sozinha”, “eu tenho muito medo dos meus pais morrerem”. Pensamos tanto na negação que muitas vezes deixamos de viver nossa própria afirmação.

O medo é a negação extrema do desejo e absolutamente nenhum ato de coragem é capaz de surgir disso. Sabemos muito sobre o que não queremos e quase nada sobre o que efetivamente queremos (e me incluo nisso). Essa é uma época que parece que lidamos demais com o anti-desejo – pro bem e pro mal. E menosprezamos e às vezes até desprezamos o que efetivamente desejamos, como sonhos bobos ou inatingíveis. Olhamos pro buraco ao invés de olhar pro queijo – e sim, o queijo existe, não aceito cinismo algum que me diga que não. Mas esse tipo de mindset pernicioso – focado no medo, na ausência e na possibilidade de dor – produz muito mais escassez do que qualquer outra coisa.

O universo ouve, diuturnamente, nossos piores medos. Inclusive aqueles que escondemos de nós mesmos, lá no fundo. Ele ouve com um nível bem acertado de detalhes exatamente a forma que alimentamos esses medos e como eles crescem em nós e na nossa vida. You can run but you can’t hide. Eventualmente a vida se compromete em fazer a gente se confrontar com esses medos – pelo amor ou pela dor. Não existe escapatória disso – pra ninguém – podemos tentar nos proteger o quanto quisermos. É preciso coragem e é preciso não ter tanto medo do medo. E a parada mais difícil de se fazer é justamente encarar a vida e os acontecimentos ao longo de seus desdobramentos.

E se o medo vier, que venha. Como tudo o que existe, ele certamente encontrará inúmeras resistências.

Nenhuma existência é impune – por mais que, a princípio, não pareça.

 

Vamos falar um pouquinho sobre experiências de rendição ritualizada. Psicólogos nos dizem direto que é no ato de largar mão das coisas que você descobre quem você é. Mas ter em mente a morte do Ego, no entanto, ter em mente qualquer tipo de rendição ritualizada parece muito com morrer, mas apenas para aqueles que resistem a isso. Aqueles que eventualmente percebem que a morte não existe, ao menos, que a morte psicológica não é nada além de uma ilusão, O último “Viva!”, a última resistência antes que você se atire ao abismo e perceba que ele é uma cama de penas. Terence McKenna falou sobre isso, ele disse: “esse é o segredo, isso é o que todos os xamãs, professores e sábios compreenderam. Esse é o objetivo alquímico. É assim que magia é feita. Você se atira no abismo e percebe que é uma cama de penas”.

Nossa sociedade hoje é construída, sabemos, de forma que muitas pessoas são afligidas com uma quantidade patológica de ansiedade e depressão. É o que Jamie Wheal chama de “século 21 normal” – esse estado fibrosante de um ego superativo que surge de uma falha na ignição de um modo de rede padrão que é a mente autobiográfica que é, essencialmente, tornado em uma doença que é algo tipo uma desordem autoimune do eu e a ruminação excessiva e a auto-consciência que caracteriza depressão e ansiedade ambas vem de uma mente que se tornou muito ordeira, muito rígida, muito hiper-vigilante. É como se todos estivéssemos vivendo com uma micro síndrome de stress pós-traumático perpétua. E o que as pesquisas nos mostram, e isso me auxiliou tanto na minha vida criativa, é que em containeres seguros e com as precauções adequadas utilizadas, a experiência de rendição em êxtase, a experiência de morte do ego, o que Jamie Wheal chama de “o êxtase da crucificação” é na verdade onde toda a cura é feita. É quando você morre no momento que você percebe que todos os seus medos são infundados. Você percebe que tudo o que você quer está no outro lado do medo. É como o filme “O Jogo” do David Fincher nos revela naquela frase que cita a bíblia, João, capítulo 12, algum versículo: “Considerando que uma vez eu estava cego, agora eu posso ver”.

É difícil transcrever em linguagem essas instâncias de rendição em êxtase. Atirar-se no abismo e perceber que é uma cama de penas vem para você como um domínio que existe fora do tempo. O eu experiencia isso como uma liberação do incessante diálogo interior. Somos livres para sermos nós mesmos. Nos tornamos infinitos, é o que parece. Momentos encantados transitórios nos quais prendemos a respiração, compelidos a contemplações estéticas que sequer compreendemos ou talvez nem mesmo desejemos. Cara a cara com algo proporcional a nossa capacidade por maravilhamento. Nós experimentamos de novo o êxtase dificilmente suportável da energia direta que explode em nossas terminações nervosas. Recontextualizamos o eu como um condutor maravilhoso em um buraco atemporal do qual moléculas e significados fluem de neurons para nébulas e vice-versa. Vemos o mundo em um grão de areia e vemos o paraíso em uma flor selvagem. Seguramos o infinito nas palmas das nossas mãos e seguramos a eternidade em uma hora. E aí o momento passa. E todas as contradições são reconciliadas. Homens e mulheres superaram os deuses. E o que encontramos depois desses momentos encantados? O que encontramos depois desses momentos opiantes adjacentes quando nos derramamos, quando transbordamos, quando nos rachamos ao meio que a luz entre? Descobrimos que pessoas reportam sentimentos de bem estar em seu dia a dia – sentimentos aumentados de compaixão, criatividade, alegria e uma sensação de ter vislumbrado a verdade noética, uma sensação de ter encostado no infinito, um sentimento de comunhão com o cosmos, um despertar ontológico, uma experiência espiritual de avaliação contundente com o que é, uma integração do espaço e tempo através do nervo óptico. Nós nos tornamos o que contemplamos e contemplamos o infinito. Miguel de Unamuro escreveu: “No sentido trágico da vida, eternidade, eternidade. Nada que não seja eterno é real”.

Então a questão permanece. Nós sabemos o que fazer. Nós sabemos o caminho. Sabemos o que precisamos fazer para nos curar. Como transformarmos nossas iluminações passageiras em uma luz permanente? Como tornamos nossos auto-sistemas de baldes furados e peneiras para cálices? Jamie Wheal disse: “Como podemos nos tornar inteiros? Como podemos nos tornar sagrados?”. Essa se tornou a principal preocupação da minha vida.

(Jason Silva)

I
“Você abandonou sua família. Você nos abandonou!”

II
Eu vivia chorando. Eu me sentia uma merda de pessoa. Vivia murcha mesmo, sendo sugada o tempo todo. Parecia uma uva passa. Me sentia mal comigo mesma, culpada o tempo inteiro. Me sentia profundamente incapaz de qualquer coisa sozinha. Impotente mesmo. Mas a verdade é que desde essa época, nunca mais chorei que não fosse de TPM. Sinto menos medo da vida, das coisas, de tudo e isso é muito bom. Tenho percebido que tenho me soltado mais. Tenho rido mais. Tenho conseguido manter pessoas que efetivamente me amam – e as quais eu amo – a minha volta… Uma série de coisas sabe? Que antes eu não tinha. Estou bem melhor. Assim: muito mesmo.

III
Ah, cara… Nem sei se sou forte nem nada. Eu só não aguentava mais sofrer, sabe? Eu era maltratada e não merecia aquilo. Eu não sei definir o que sinto hoje. Eu queria muito ser amiga dele, sabe? Mas ele jamais quis ser meu amigo. De verdade. Ele quis se vingar de mim, o tempo todo. Do início ao fim. A última coisa que ele quer e que ele quis, foi ser meu amigo. Não vou me relacionar com alguém que faz questão de me tratar como lixo. Então ao mesmo tempo que sinto saudade, eu sinceramente dispenso. Sinto saudades de conversar com ele mas eu sei que preciso pagar um preço muito caro pra me relacionar com ele sabe? Eu não quero mais isso, não. Eu não tinha parado pra pensar no que eu sinto sobre ele até hoje.

IV
Na verdade acho que nem cheguei a concluir nada, não. As coisas só se transformam. É bom lembrar do que rolou pra ter certeza de tudo o que eu não quero e não vou permitir mais que aconteça, pois agora eu sou responsável por mim mesma. E é bom poder perceber que hoje estou melhor sim, com mais saúde mental, bem mais tranquila, seguindo meu caminho. Sem aquele inferno que era antes. Eu chorava horrores. Eu vivia deprimida. Vivia rezando pra que ele simplesmente morresse e sumisse da minha vida. Ele não morreu literalmente, mas morreu de amores por uma outra moça. O que é quase a mesma coisa que a morte, enfim. E assim foi mais fácil que ele me esquecesse. Acho. Sim. Eu sofria bastante.

V
O relacionamento inteiro foi baseado em vingança. Se não foi a partir de mim, foi contra mim ou foi por minha causa em algum sentido. Esse foi o tom de tudo na verdade, o pano de fundo. Por eu ser quem eu sou, por eu gostar de quem eu gostei, por ter feito, desejado, querido muito algumas coisas. E por mais que ele fizesse atrocidades comigo, ele nunca se dava por satisfeito. Nenhuma maldade nunca era o suficiente e eu sempre podia ser um pouco mais humilhada e destruída. Ele sempre que podia escrotizar ainda mais, ir ainda mais baixo e ele se divertia, muitíssimo, com todas essas possibilidades. Pra pra ele, eu nunca tinha sofrido o suficiente. E sofrimento nenhum seria o suficiente pra mim, porque eu merecia tudo aquilo mesmo. Eu tinha que sofrer “mais do que ele sofreu” como se pra compensar e tal. Mas a verdade é que, sendo quem ele é, uma pessoa infeliz, o sofrimento não tinha fim pra ele. Logo, o meu também não deveria ter. Era algo que não tinha e não teria fim, nunca. E você acha mesmo que com tudo isso que eu passei eu tenho condições pra ter qualquer relacionamento hoje em dia? Ainda estou me recuperando da bizarria toda.

VI
Na verdade o que eu achei mais maravilhoso por parte do universo foi o fato de ter aparecido outra mulher, perfeita para a ocasião. Porque a verdade é que: se não fosse por ela, ele não ia parar. Ela foi a morte perfeita.

VII
Eu acho que ele queria que eu me matasse. De preferência por causa dele. Essa seria sua melhor assinatura em uma obra de morte. Esse seria o verdadeiro gozo e o verdadeiro ápice de qualquer coisa que ele já teve comigo. Nada mais.

Sede, vai existir sempre. Garrafas precisarão ser preenchidas. Solitude parece ser perceber que as garrafas estão vazias, enchê-las, depois beber e ficar satisfeita. Solidão é acreditar que alguém irá preenchê-las e, mesmo com isso acontecendo perfeitamente, morrer de sede. Dá pra confundir um com o outro. Também dá pra sentir as duas coisas ao mesmo tempo. A coisa é mais complexa do que a gente (não) imagina. E como as coisas se repetem nessa vida né gente, esse longo dia da marmota… Pretendo morrer de qualquer coisa, menos de sede. Encham suas garrafas. Bebam mais água. Faz bem.

A verdade é que, eu não posso eliminar a morte e o sofrimento das pessoas quando eu estou trabalhando com a morte e o sofrimento delas. Mas eu posso ser uma presença onde elas podem mudar sua consciência de tal modo que não passem por suas experiências de morte e sofrimento da mesma forma. Mas eu não posso eliminar todo o sofrimento das pessoas. E a habilidade de estar com alguém quando o seu coração está sendo quebrado porque elas estão sofrendo e você não tem o poder de eliminar esse sofrimento, e o sentimento que você tem nessas condições, deve ser algo pelo qual se deve refletir. Você precisa tirar tempo para refletir sobre isso, para que então você possa encontrar paz dentro dessa situação.

Parte dos motivos de eu fazer isso é porque eu cultivei esses planos de consciência – a Alma e a Consciência – onde a natureza do sofrimento que existe no plano físico é parte do mistério do universo. Isto é, dentro do mundo do plano físico, você não sabe a resposta de porquê o sofrimento está acontecendo. Por que uma criança nasceria para uma vida de apenas sofrimento? Por que alguém viveria tanto assim? Por que uma pessoa não sentiria dor alguma enquanto outra pessoa sentiria muita dor? O predicamento é que a forma que o sofrimento é disperso neste mundo não é razoável. Talvez seja cármico, mas não é razoável, o que é uma ideia bem interessante porque karma e razão não são a mesma coisa. Então você encara apenas o não saber.

Minhas experiências tem sido as de que o meu próprio sofrimento acabou se tornando graciosidade e que eu geralmente vejo o sofrimento alheio como graciosidade mesmo que as pessoas não vejam assim, mas eu não digo a elas que “é graciosidade”. Porque para elas é sofrimento então eu faço o que posso para aliviar aquele sofrimento, mas ao mesmo tempo minha compreensão de que elas ganharão sabedoria através do sofrimento não me faz, de nenhum modo denegrir a natureza do sofrimento. Sofrer não é um erro de sistema, e o predicamento é o de que a maioria das pessoas respondam ao sofrimento com sentimentos de que fizeram algo errado, ou alguém fez algo errado e é por isso que isto ocorre. E estas são as coisas psicológicas das quais as pessoas tem medo, é isto.

Sentir dor no seu corpo é ter dor no seu corpo, mas todas as coisas fisiológicas que vão junto com a dor no seu corpo como, “eu mereci,” “não sou bom o suficiente,” “estou fracassando, dah dah dah,” “não comi direito”, “não fiz a coisa certa,” essas coisas são o que vão acabar com você. Essas coisas vão acabar com você.

O que minha própria experiência pessoal tem sido é que, tendo ido de uma identidade com ego para uma identidade com a alma ou com a testemunha, eu encontrei um espaço e uma forma em relação ao mistério do universo que me permite estar com o sofrimento, meu e dos outros, que habita este plano, de forma que não me subjugue. E eu não sou subjugado pela minha impotência de eliminar isso, e eu não preciso desviar o olhar disso, e eu lido com isso na medida em que isso aparece pra mim sem sentir a necessidade de carregar tudo isso comigo.

-Ram Dass, October 1995

Artigo de autoria de Clive Treadwell, publicado originalmente no site Rebelle Society com o título original Transformation: if you’re enjoying it you’re doing it wrong

Transformação é literalmente o progresso de uma forma para outra.

Se você está interessado em crescimento pessoal e usa palavras como transformação e metamorfose, você provavelmente já viu uma grande quantidade de imagens de borboletas, simbolizando o processo e sua pretendida consequência.

Este será você algum dia! Você é uma humilde lagarta mas você está criando asas, querida! Você será capaz de voar! Então você lê todos os livros, você passa por coaching e você vai em todos os seminários com vários outros ingênuos idealistas aspirantes. Tem vários abraços e compartilhamento e auto-congratulação mútuas sobre como vocês estão salvando o mundo juntos.

Abordado deste modo, o processo nada mais é que um esporte ou um hobby, e talvez seja a melhor forma de prevenir que a verdadeira transformação ocorra mesmo. É como se esconder em plena vista. Por conscientemente (e só Deus sabe o quanto você e os seus amigos adoram usar esse termo) assumir a causa da transformação, você a está obstruindo e aqui estão os porquês:

  • A transformação não é algo que você escolhe, ela é quem escolhe você. Considerando o que está envolvido, nenhuma lagarta em sua plena consciência jamais decidiria se tornar uma borboleta.
  • A transformação ocorre sozinha. Com borboletas, acontece dentro de um casulo que as previne de um mundo exterior. Então, sem amigos, sem abraços, sem conversas brilhantes, sem seminários, sem posts inspiradores do Facebook. Se realmente estiver acontecendo, é mais provável que você delete sua conta do Facebook porque se sentirá muito sozinho.
  • A transformação começa dissolvendo o seu antigo eu. Literalmente, uma vez dentro daquele casulo, a primeira coisa que a lagarta faz é dissolver a si mesma em uma substância amorfa de proteína. Existem algumas estruturas básicas que provém continuidade funcional, mas além disso, é um imenso colapso que faz com que não reste nada da identidade da lagarta para que ela possa se apegar. Se a sua identidade está envolvida em ser transformacional, então na melhor das hipóteses o que você está fazendo é se tornar uma lagarta melhor.
  • A transformação é uma merda. Você não quer falar sobre isso, você só quer que isso termine. Porque sua identidade foi dissolvida, você provavelmente não tem muitos amigos e pode se ver com pessoas com quem você não se identifica como parte do processo. Você pode pensar em suicídio com frequência, e isso é natural porque de certo modo você está passando por uma morte em câmera lenta e é razoável querer acelerar esse processo e terminar logo com isso.
  • A transformação é confusa. Uma lagarta não tem nenhum conceito sobre o que significa ser uma borboleta e se você estiver realmente passando por uma transformação, você estará constantemente tendo que perder seu próprio conceito do que isso pode significar. Sua auto-imagem se torna tão batida que é inutilizável. E este é o objetivo e isso leva muito tempo porque você é muito apegado a ela. Mesmo a auto-imagem de alguém que não é apegado a sua auto-imagem é um tipo de apego que precisa ser dissolvido.
  • A transformação é inevitável. Uma lagarta não pode impedir a si mesma de se tornar uma borboleta porque todo o processo já está codificado e instalado em seu DNA. Quando uma lagarta passa pela metamorfose, o que são chamados de discos imaginários já estão em seus lugares para se tornarem novas características tais como assas, pernas e antenas. A única coisa que você pode fazer para ferrar com o processo é tentar impedi-lo.
  • A transformação é maior que você. Isso deveria te animar quando você estiver pra baixo e deixá-lo pra baixo se estiver se sentindo especial porque você decidiu transformar a si mesmo. Se você tiver sorte, você vai ficar tão cansado de si mesmo e sua própria história de ascensão que você vai apenas se render e deixe que ela lide com você.

Então como você se rende ao processo? Cá estão algumas dicas:

  • Comece parando. Considere parar de fazer aquelas coisas que você acha que vão consciente e deliberadamente te levar a uma evolução pessoal, tais como ler livros de auto-ajuda, fazer yoga, cantar mantras, músicas espirituais e ter conversas profundas e significativas com pessoas que pensam como você. Cheque para ver se elas não são parte de um complexo de ego que precisa ser dissolvido.
  • Suspeite do conceito de pessoas que pensam como você. Seja cauteloso ao projetar seus ideais nos outros e ao colocá-los em um pedestal.
  • Suspeite de suas próprias crenças auto-limitantes que te fazem depender dos outros ou em ideias pré-concebidas sobre como as coisas devem ser.
  • Na dúvida, pare o que está fazendo e espere por direções.
  • Vá em direção ao escuro. Se você encontrá-lo por dentro ou por fora, dá no mesmo. Você classificou seus conteúdos psíquicos em pilhas marcadas como boas e ruins. Os bons você reivindicou para si mesmo e os maus você mandou embora para que se virassem sozinhos. Você precisa deles de volta. Dê as boas vindas a eles quando retornarem e peça desculpas por abandoná-los e ser uma pessoa tão egoísta e mesquinha.
  • Comece a usar a palavra interessante ao invés de bom ou ruim. Isso promove uma abordagem imparcial à sua experiência sem criar uma nova persona de alguém que está levando uma perspectiva distanciada de sua experiência.
  • Cuidado com os punheteiros intelectuais. Essas são as pessoas que só falam e não fazem nada e se você está começando, você provavelmente é uma delas. A maioria das pessoas é assim não porque a conversa é fiada, mas é porque é de graça mesmo. Ao mesmo tempo, percebem que esta é uma estratégia perfeitamente compreensível de navegar pela vida, então não seja muito rígido com eles ou consigo mesmo por tentar. Valeu a tentativa.
  • Resista a tentação de compartilhar sua experiência de modo que a formalize e te faça sentir especial. É ok ser incompreendido e levado a mal uma vez que você não entende a si mesmo ou não gosta muito de si mesmo também.
  • Veja a si mesmo como um processo. Mantenha o processo aberto por quanto tempo conseguir antes de parar com isso temporariamente para pedir ajuda ou conceitualizar o que está acontecendo (isso inclui pedidos de ajuda para entidades como anjos ou guias espirituais). Tente se lembrar que você não faz ideia do que está acontecendo ou o que que está envolvido nisso tudo e encontre força em sua própria ignorância. A estrada poderia tomar um caminho diferente de meia volta em qualquer ponto e você vai passar reto por aquela parede na qual você acha que vai bater. Depois de um tempo você pode até passar a curtir isso.
  • Observe a nova ordem que está emergindo na sua experiência. Isso é o que vai te manter interessado e é o que vai te manter nos trilhos. Ao longo do tempo você vai aprender a confiar mais e se basear mais nisso.
  • Preste mais atenção na energia das coisas e das pessoas. É aí que a ação está.
  • Lembre-se que não é pra ser divertido, você sabia que não seria, e se você tivesse que fazer tudo de novo, você faria a mesma escolha porque você é um fodão ou uma fodona cósmica. Você consegue, soldado!
  • Quando tudo mais der errado, fique puto e resmungue. Se você não for acostumado a xingar, aprenda. Não importa muito a forma que fizer isso. Tudo o que importa é que você se mantenha no caminho e siga em frente.

Esses dias tenho observado algumas coisas e chegado em algumas conclusões que me inquietam um pouco. Talvez me inquietem porque eu nunca as tenha vivido. Talvez eu já as tenha vivido e não saiba ou não me recorde direito, com os detalhes necessários. Acho que já passei por essas coisas sim, igualzinho e hoje elas me irritam porque devem muito fazer parte de mim e ainda não sei, sei lá.

É horrível presenciar online quando um relacionamento termina. É pior quando você é amigo de verdade das duas pessoas ou de uma delas. É feio. Toda a passivo-agressividade. As indiretas constantes. As fotos com caras chorosas. É tudo muito feio e necessário. É preciso viver o luto. E o luto se vive em fases e re-términos, são vários até o derradeiro, que nunca sabemos muito bem quando vem. Nem as pessoas envolvidas. Mas o caminho, ele é sempre tortuoso. É difícil nutrir empatia.

Algumas pessoas já fazem isso de forma efetivamente contrária e não gostam de se expôr: nem para o bem, nem para o mal. Por N motivos. Porque já sofreram demais. Por motivos de negócios. Por quererem ter um milhão de amigos e se sentirem seguros e amados de alguma forma, ao menos uma vez na vida. Essas pessoas geralmente implodem, para o bem e para o mal. A impressão que fica – que pode estar errada – é que elas tem rabo preso. Nunca sabemos o que está acontecendo e nem saberemos. É difícil nutrir empatia.

Mas a verdade, ela é só uma: é dolorido pra quem fala e é dolorido pra quem cala. Não há escapatória disso aqui. Estamos todos condenados à isto: todo mundo, sem exceção, sofre. Existem os que falam e existem os que fingem que não e criam uma realidade paralela. Mais cedo ou mais tarde, a realidade bate. De um jeito ou de outro. E ela nunca bate leve. O meu trabalho tem sido não mais o de evitar o sofrimento, mas reconhecê-lo, acolhê-lo e integrá-lo em mim mesma pra poder saber qual é a melhor forma de evitar com que isso ocorra a quem me cerca. The way out is through. 

Acho que escrevi isso pois estou, aos poucos, me desapaixonando por alguém quem gostei muito esse ano. Os motivos estão todos aí: velados, logo, absolutamente visíveis e explícitos. Suspiro em desencanto… É o meu suspiro mais triste de todos.

Ela me disse que para que o verme se desfaça demoram sete anos sem nos tocarmos. Sem entrarmos efetivamente em contato um com o outro. Os vermes de luz percebem quando estão a ponto de morrer e se agitam dentro de nós, no nosso baixo ventre, tornando o fio de ligação cada vez mais espesso, cada vez mais notável. Eles não querem morrer. Não querem ser esquecidos. Seus corpos se contraem, se angustiam e se revoltam. Urge uma reconexão pois o elo não pode, de modo algum, ser finalizado em definitivo. Caso isso aconteça a alimentação vai deixar de ser contínua e quando isso acontece o outro perde essa boca livre porém finita para sempre e deixa de nos sugar efetivamente. E isso tudo independe das circunstâncias: casamento, noivado, novo relacionamento, qualquer coisa. O vínculo está constituído de forma seminal, onde há um receptor que é atuante, por todo esse tempo. E esse receptor não quer ser esquecido e não aceita ser morto. Por volta do sexto para o sétimo ano, ficamos bêbadas, vamos em festas, fumamos, equalizamos nossa vibração de um modo ou de outro, reencontros acontecem e nossa faz tanto tempo porque não, porque não hoje, porque não agora, sempre foi assim, sempre foi bom, não há nada que impeça (ou até há mas). O nosso corpo se contorce e se contrai, vibra pedindo e se retrai, a coluna se arqueia e as noites insones e cheias de dores aparecem, as preocupações e angustias profundas os sentimentos absurdos que sequer deveriam estar ali e estão vigilantes impunes incisivos. E nos abrimos pra eles, pra tudo isso, o verme de luz cordado insiste e demanda chegar até o outro lado, até a outra ponta. Coisas acontecem, tornam a acontecer e permitimos simplesmente porque estamos desatentas, porque não estamos acordadas o suficiente, porque estamos num estado de estupor, entre o sono e a vigilia, de volúpia, de paixão, de memória e de lembrança, olhos semicerrados, boca entreaberta, uma porta languidamente ambígua, ali para o outro dar o significado que bem entender, para fazer o que quiser, para moldar o agora de acordo com o seu desejo. E assim as coisas são, dizemos quando permitimos que as coisas aconteçam. Quando temos uma perspectiva consciente o discurso de auto-responsabilidade muda para assim eu o quis. Esse estado de torpor e ilusão cabe na palma da nossa mão, tal qual um brinquedo mal cuidado. Isso requer cuidado trabalho compaixão disciplina diligência. Essa consciência nos prepara para que efetivamente encaremos de frente o desafio de soltar o fio-verme de luz que habita em nós. Sim, soltar pois se as cortamos, as pontas ainda permanecem e retornam a alimentar a relação. É preciso deixar ir com graciosidade, mas diligentemente. Soltar é menos danoso do que cortar, para ambas partes. Existem inúmeras maneiras de soltar: plantar a lua entregando o verme pra terra comer continuamente, jogando o nome ao fogo e pedindo pras salamandras se alimentarem de todo e qualquer vínculo que ainda esteja sendo alimentado, pedindo a grande mãe de fogo que consuma, devore e transmute tudo o que há ali e tudo o que já aconteceu. As ferramentas são infinitas, mas não devemos, nunca nos privar de utilizá-las e nem mesmo hesitar em seu uso, para nosso próprio bem. E para um possível bem que seja ainda maior. Que assim seja e assim se faça.

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