Saloman hung down her head
Laid bare her heart for the world to see.
She craved for intimacy.
Through darkened doors her aspect veiled with indecision, gazed out sea.

She craved lucidity.
Cast adrift from past relationships in her life,
Hoisted up the ideal. This was her saving grace.
Seas of rage that once assailed her concern for the truth

Had passed her by and left her high and dry in her saviours arms.
Across the sea lies the fountain of renewal,
Where you will find the whole cause of your loneliness
Can be measured in dreams that transcend all these lies
And I wish and I pray that there may come a day for a saviours arms.

Essa noite sonhei com demônios que não eram meus. Tenho tido sonhos recorrentes com um desafeto, por assim dizer. Na verdade eu não sinto nada em específico, mas volta e meia meu inconsciente faz essa pessoa submergir pra cá. Acordo sem entender, não sinto nada, nem raiva, nem ódio, nem desprezo… Me sinto indiferente e fico curiosa com os rumos do sonho, apenas. Mas este sonho com demônios esta noite foi em uma reunião familiar de um desafeto em específico. Foi bem tensa a coisa toda. Enxerguei dois demônios, um mais óbvio, outro nem tanto. O mais óbvio era imenso, devia ter uns 2 metros de altura, patas de aranha, ele tinha 3 rostos e o ventre (?) dele cuspia, com muito esforço, um corpo pra fora. O outro demônio apareceu nos olhos da mãe do desafeto, que ficou trincado e amarelado do nada… O sorriso dela também mudou, como se estivesse apodrecendo. No sonho eu só estava como observante e quando vi a coisa ficando muito feia simplesmente fui embora da situação. Basicamente eu sonhei que dois demônios estavam no círculo familiar de um desafeto meu, sendo que um deles inclusive tinha ligação direta com o desafeto em questão – estava na mãe dele.

Como me senti no sonho? Com um pouco de medo – mas não muito, pois eu sentia que estava protegida – e quando vi tudo aquilo acontecendo, quando me vi testemunha da desgraça da casa e da família de alguém, me senti triste. De verdade. Acordei e a primeira coisa que pensei foi “espero tudo isso seja só um sonho mesmo. espero que esteja tudo bem com essa pessoa ou que ao menos fique, eventualmente… por que por hora parece que está um tanto quanto foda”. Fiquei um pouco preocupada também. Sim, com um desafeto. Não é meio louco, isso? Meio irracional? Sei lá, na verdade, completamente contraditório. Fui pensando mais nisso ao longo do dia. Sempre achei meio bobo o conceito cristão de dar a outra face, sempre pensei “ninguém faz isso”. E ninguém faz mesmo… Também sempre tive dificuldade em entender o conceito de rezar por quem você não gosta ou por alguém com quem você já teve algum tipo de problema. Ou ainda, colocando em termos mais diretos e simples: rezar pelos seus inimigos. Isso nunca fez nenhum tipo de sentido pra mim. Acho que já tenho recebido sinais disso há algum tempo mas só hoje é que ficou claro pra mim.

Hoje depois desse sonho, acho que estou começando a entender isso. Mas estou bem no começo mesmo, pois ainda estou meio bolada e chocada com o fato de estar entendendo isso. Embora seja meio óbvio, este não é um entendimento muito racional. Sempre pensei que o que a gente não gosta e o que nos faz mal tem que ser aniquilado, né? E “tem mais é que se ferrar mesmo, foda-se” e rir da desgraça dos outros parece ser sempre a saída mais fácil. E é, de fato. No entanto, as saídas mais fáceis muito frequentemente não são as mais adequadas. Mesmo. Como uma amiga disse hoje, nossos inimigos nos mostram a nós mesmos, quem somos de verdade. É claro que a gente nem sempre vai conseguir pensar desse jeito, afinal somos humanos: vamos pensar que foi “bem feito”, vamos querer q o outro se lasque mesmo, etc. Tem vezes que essas coisas vencem. Mas elas nunca se satisfazem por completo: porque a gente sempre vai querer mais, até a aniquilação completa do outro. Elas se retroalimentam, essas coisas. Mas na medida em que pudermos ser consciente sobre elas e evitar alimentar isso, vou tentar fazer isso sim.

Eu tenho feito, pensado, agido, etc. de forma muito, muito, muito errada no quesito relacionamentos. Na verdade eu já começo tudo de forma bem errada mesmo. Há algumas semanas eu entrei em abstinência sexual total (incluindo ausência total de pornografia e masturbação), então podemos dizer que eu atualmente atravesso uma fase 100% celibatária. É só uma escolha, não sou melhor nem mais santa que ninguém por isso não. Li em algum lugar que abstinência de sexo nos faz pensar mais claramente acerca de algumas coisas, que desanuvia alguns tópicos e pela minha experiência isso tem sido muito real. Essa restrição faz outras coisas florescerem e me faz eu me conhecer melhor e mais profundamente.

A impressão que tenho é a de como se eu estivesse observando o meu próprio comportamento em câmera lenta e vendo tudo o que sinto e todas as formas que ajo com uma riqueza de detalhes que eu não conseguia enxergar antes. E eu não estou gostando nada do que eu vejo em mim mesma. Tenho me questionado, muito, sobre certas coisas que penso e sinto, etc. Chega a ser meio fascinante a forma que eu projeto umas paradas absolutamente NADA A VER em relação a algumas pessoas – geralmente pessoas de quem eu fico a fim em algum nível – e aí depois fico reclamando do resultado, sabe? Eu faço sempre as mesmas coisas, esperando resultados diferentes… É insano.

Sempre reclamei de ser hipersexualizada em meus relacionamentos, até perceber que, quando me sinto atraída por alguém, a primeira – primeiríssima – coisa que eu faço, antes de qualquer coisa, é sexualizar totalmente a pessoa. E isso, por mais contraditório que pareça, mais me afasta do que aproxima do outro. Pior ainda: faz com que eu não o enxergue, de verdade. Por que faço isso? Bom, não sei… Só sei que já me peguei fazendo isso e mais de uma vez. Outra coisa que ocorre e que me irrita um pouco é o que eu chamo de performance. Essa performance que me despe de mim mesma e me faz ser outras coisas. Muito frequentemente acredito que se eu não agir de X ou Y modo, ou que se eu não estiver de acordo com que esperam que eu esteja e seja, que nunca irão gostar de mim…

Mais profundamente ainda: caso eu não performe, eu jamais serei digna de amor algum. Preciso sempre agradar e ser agradável – e de um modo muito específico, que precisa ser espontaneamente reconhecido para ser performado, inclusive. Haja bola de cristal… E isso tem me irritado, bastante. 

Performar me condiciona a ser algo que eu não sou de verdade. Performar a mulher que querem que eu seja (e não sou). Muitas vezes fico presa nisso, não consigo sair do meu próprio personagem… Do personagem que inventei. Do personagem que inventaram pra mim e me convenceram disso de algum modo. E isso tudo é uma merda. Não posso rir fora do tom, não posso rir do que eu quero… Essas coisinhas, miudezas. Não posso usar o meu cabelo zoado, sem corte, seco, sem cuidado. Não tenho permissão de mim mesma pra uma série de coisas que são na verdade completamente ilusórias… O gostar do outro não deve estar condicionado a esse bando de mesquinharia.

Não sou um prêmio, caralho, sou uma pessoa. Não quero que me reconheçam, quero só estar aqui: isso já me basta. Não quero me sentir obrigada a nada que eu não queira fazer, ou ser ou estar… Não quero mais relações de poder na minha vida. Quero outras coisas pra mim. Eu mereço outras coisas. Enfim…

Essas são duas das sombras que notei com pouco tempo de observação. Devem haver mais, bem mais, que ainda não enxergo, pois são sutis demais, quase imperceptíveis. São sempre detalhes e talvez não se repitam o suficiente, por isso é difícil notá-las. Mas estão aqui sim, que eu sei. Precisarei estar atenta para perceber e analisá-las… Como essa abstinência vai se prolongar, acredito que terei bastante tempo para identificá-las com maiores detalhes. Por hora, vou ver como faço para lidar com essas que já estão bem mais que claras e definidas. Não é algo bonito de se ver… Também não é algo bom e fácil de se lidar. E geralmente não gosto. Mas vamos lidar sim.

 

If time is my vessel, then learning
To love might be my way back to sea
The flying, the medal, the turning above
These are just ways to be seen
We all get paid
Yeah, some get faith before they die
But in the stars we will navigate
Through the holes in your eyes

How many days will it take to land?
How many ways to reach your hand?
Oh, you and I
Oh, so swoon, baby, starry nights
May our bodies remain
You move with me I’ll treat you right, baby
May our bodies remain
There is love to be made
So, just stay here for this while
Perhaps heartstrings resuscitate
The fading sounds of your life

How many days will it take to land?
How many ways to reach your hand?
Oh, abandon
So swoon baby, starry nights
May our bodies remain
As weak we move
I’ll feed you light, baby
May our bodies remain
Oh, yeah, in history I’ll treat you right, baby
I’m honest that way, hey
Swoon, baby, starry nights
May our bodies remain

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