Fear of money
Fear of love
Fear of being undone
Fear of conscience
Fear of law
Fear of living too long

Each time you reach out
I find it strange
Seems like a waste of goodwill

You’ve shared your dreams
Recounted “wins”
I can’t relate to those things

I wouldn’t last a night
In your head
With your thoughts
Of right and wrong
Good and bad

You have nothing of worth to offer me
Nothing but guilt and luxury
Underneath your disguise
The dream is suffering
Vanishing

I’m at home with my faults
I don’t need your friendship
Your judgement
Your passive aggressive concern

I’ve got fear
I’ve got hate
I’ve got the things you can’t chase out
Hiding in plain sight
And you’ve settled down now
To die in the same cage you were born and raised in

Bury the sentiment
Bury the good intent
I don’t deserve your affection

Piss on your selflessness
Fuck your forgiveness
I don’t believe in redemption

(Escrito em 21 de Outubro de 2017, no Medium)

Esse mês tem sido bem agitado pra mim. Dia 5 teve a Bênção Mundial do Útero, minha primeira Bênção como Moon Mother. Dia 12, dia de Nossa Senhora de Aparecida, foi o dia que ofereci minha primeira Bênção e Cura do Útero individual, para uma colega com quem sempre faço energizações. E no dia 10 uma amiga minha do Twitter estava procurando alguém que se disponibilizasse a falar sobre o Sagrado Feminino para um documentário de faculdade. Vi o tweet e falei que estava disponível.

Perguntei pra mocinha que vai me entrevistar quais seriam as perguntas e ela disse que tudo vai se desenrolar numa conversa mas que seriam basicamente três perguntas:

  1. Como você conheceu o Sagrado Feminino?
  2. Qual foi o impacto do Sagrado Feminino no seu dia a dia?
  3. Qual é sua experiência mais marcante com o Sagrado Feminino?

Vou tentar responder todas por aqui, como se fosse um ensaio pra conversa de amanhã.

  1. Considero que comecei a entrar em contato mais profundamente com o Sagrado Feminino quando comecei a ir nas Bençãos do Útero em 2016. Eu já era consciente do meu ciclo antes disso, mas de uma forma profundamente negativa, focando só na TPM e nos aspectos ruins. Eu era consciente do meu útero como uma maldição, algo que “me faria ir além, caso eu tivesse nascido sem” entre outras atrocidades nas quais eu acreditava. A partir das Bênçãos eu comecei a ser consciente do meu útero de uma forma um pouco mais ampla, até que uma amiga me convidou a fazer o curso de Moon Mother. Num primeiro momento dei risada e achei que aquilo jamais seria pra mim, mas depois me peguei pensando em investir nisso, por mim mesma. Na verdade, nunca achei nem que me identificaria com a Bênção do Útero, mas depois que comecei a participar dos rituais, percebi que eles ressoaram profundamente com várias coisas que eu já sentia e pensava há alguns anos. E de repente foi como se essas coisas simplesmente se materializassem na minha frente, me mostrando outras perspectivas, outras visões, sobre o meu ciclo, sobre mim mesma. Não é tanto uma busca sobre “ser mulher” ou uma busca sobre “ser feminina”. É bem mais profundo que isso: é uma busca sobre a sua verdade interior e uma autenticidade mais refinada. Essas coisas vão muito além da nossa condição e da forma na qual existimos e nos apresentamos para o mundo. Tem a ver com cura não apenas física, mas também com cura de ancestralidade, relacionamentos, coisas que estão além da nossa própria vida, mas acabam interferindo nela de uma certa forma.
  2. Sobre o impacto do Sagrado Feminino no meu dia a dia, vou dar uma resposta resumida e bastante prática, por assim dizer. Foi como se eu tivesse ganhado de presente dois relógios na minha vida pelos quais me guio: o relógio do meu ciclo menstrual mensal e o relógio do ciclo lunar. E o que eu faço é tentar perceber a sincronicidade desses dois relógios de acordo com o ritmo da minha própria vida e das coisas que me acontecem. Se eu quiser adicionar o “terceiro relógio” da astrologia e também levar isso em consideração de forma mais ampla, é possível, basta olhar para o que se apresenta e saber interpretar isso de uma forma bastante única e íntima. Se existe alguma questão que ainda não está clara pra mim, eu costumo jogar tarô pra mim mesma. Sobre as sincronizações das Bençãos do Útero Mundiais, eu entendo que é como se a cada ritual fosse retirado um véu de cima de mim e eu conseguisse enxergar algumas coisas com um pouco mais de clareza — coisas, claro, referentes ao que eu estou vivendo e não como uma regra pra todo mundo. E isso muda muita coisa sim. Mudou a forma que eu me relaciono com as pessoas, a forma que entendo relacionamentos, a forma que eu lido com a minha própria sexualidade. Optar pela disciplina da abstinência sexual tem sido bastante proveitoso e me feito repensar muitas coisas, de verdade, como nunca antes. E não faço isso como um sacrifício, mas sim porque é o que parece mais coerente com a vida que eu tenho levado nos últimos 2 anos, pelo menos.
  3. Sobre a experiência mais marcante com o Sagrado Feminino, eu não consigo entender esse tipo de experiência nesses termos. Não faz muito sentido pra mim porque compara a espiritualidade, que é um todo um processo fluído, a um tipo de “evento especial”. E não se trata disso, ao menos pra mim, não enxergo deste modo. O Sagrado Feminino faz parte da espiritualidade que eu tento exercer. E a espiritualidade, ao menos as experiências que tenho tido em relação a isso nos últimos dois anos, tem a ver com a visão radical de, literalmente, enxergar o sagrado em absolutamente tudo. Nas coisas boas e nas coisas péssimas também, pois elas englobam o Todo. Não é fácil fazer isso, mas é o meu caminho. Mas se for pra oferecer uma resposta prática, ela seria mais ou menos assim: minha experiência mais marcante é quando eu acordo e percebo que nessa existência, eu me identifico como mulher. E faço disso a minha casa, a minha morada, me sinto confortável com isso, com esse corpo, com esses cheiros, com essa possibilidade. Que meu corpo biológico tem determinado formato e é capaz de muitas coisas. É marcante quando tomo banho e lavo meu corpo e, sem pressa, tento amar cada uma das minhas imperfeições. E quando olho pro espelho e tento fazer o mesmo, repetidamente, dia após dia. A forma que eu ando e que deslizo pela existência é marcante, diariamente. A postura que tenho em relação ao mundo, a forma que me coloco. A forma que eu uso o jeito ao invés de força e tudo bem (e que esta é, na verdade, a minha maior força). Quando sinto cólicas e me lembro da corrente da qual faço parte, e espero, do fundo do meu útero, que a cólica momentânea que esteja sentindo hoje e agora, esteja de alguma forma aliviando para alguma mulher que sente dores terríveis, mensalmente. Quando me olho no espelho e não sinto uma dismorfia absurda porque finalmente parte de mim já me aceitou como sou, não como acham que eu devo ser. Essa é a parte mais marcante: o milagre diário, que faz parte de todo um longo processo e que acontece bem diante dos meus olhos, diariamente mesmo. Mas como um amigo (oi Planetas Diários) sempre cita “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento”…

Traduzido e adaptado do original:
https://www.boredpanda.com/bitter-wisdom-truth-potato/

1 A vida que você está vivendo hoje é o sonho de muita gente.
2 Comparar o seu Capítulo 1 com o Capítulo 9 de outra pessoa é puramente burrice.
3 Algumas pessoas não devem permanecer na sua vida, não importa o quanto você queira isso.
4 As pessoas vão te odiar por nenhum motivo.
5 O mundo está cheio de idiotas que se acham gênios.
6 A maioria das pessoas não sabe dizer “não”.
7 A vida dos outros vai continuar sem você.
8 Você vai conhecer muitas pessoas juntas, que não se amam. Você vai encontrar muitas pessoas que se amam e não estão juntas.
9 Ninguém na verdade está ocupado demais pra não te responder.
10 Dinheiro compra felicidade sim.
11 A vida é uma viagem solitária com muitos visitantes.
12 Só porque você está ocupado, isso não significa que você esteja de fato realizando algo.
13 O mundo não te deve absolutamente nada.
14 As pessoas nem sempre serão legais com você.
15 Suas ações te definem, não seus pensamentos.
16 Investir em si mesmo não é egoísmo.
17 Ninguém se importa com o quão difícil é a sua vida.
18 O que os outros pensam de você realmente não importa.
19 Passamos tempo nos preocupando com as perdas e não com os ganhos que temos.
20 Você não precisa agradar todo mundo.
21 Você é a única pessoa que está se impedindo de fazer qualquer coisa.
22 Você é único. Assim como todas as outras pessoas.
23 Você não precisa esperar por uma desculpa para perdoar o outro.
24 A vida não vai ser perfeita.
25 Quase ninguém faz o que prega.
26 Há um outro caminho. Sempre há.
27 As pessoas irão embora.
28 Um dia tudo vai acabar.
29 Um fracasso é uma chance de recomeçar.
30 Seguir as regras nem sempre é garantia de sucesso.
31 Seus amigos vão falar de você pelas costas às vezes.
32 A mudança é a única constante.
33 Todo mundo é tendencioso para com algo ou alguém.
34 Mesmo se não custa nada, não é de graça.
35 Nem todo mundo tem uma alma gêmea.
36 Somos todos hipócritas.
37 As coisas que fazemos uns aos outros são horríveis.
38 Às vezes, merda simplesmente acontece.
39 As pessoas nem sempre vão te enxergar por quem você realmente é.
40 O tempo é mais precioso do que qualquer coisa.
41 Lutar por perfeição vai apenas te desmoralizar.
42 O passado já está escrito.
43 O prazer é temporário.
44 As memórias não morrem rápido.
45 “Para sempre” é superestimado.
46 Você geralmente tem duas opções: ficar ou ousar.
47 Somos apenas histórias.
48 Não temos muito controle sobre nada.
49 Nem sempre performances de pico resolvem. Descanso também é treino.
50 Não fica mais fácil. Ao menos não da forma que você imagina.
51 As pessoas só te trapaceiam se você der a elas a oportunidade de fazer isso.

I Início

Sempre quis ter moto. Tirei carteira com 18 anos, quis tirar AB, papai não deixou. Não por machismo, nem nada, mas por querer proteger sua filha de si mesma. Papai é um homem sábio. Hoje eu entendo: eu era absolutamente inconsequente mesmo, quando era mais nova.

Dirigi carro por algum tempo em Campo Grande quando morei lá, mas desde que saí de casa nunca mais dirigi. Em Floripa tudo era perto nunca precisei de nada nesse sentido. Aí vim pra Sampa e demorei uns 2 anos pra dimensionar o que era realmente a Grande São Paulo (acho que ainda não dimensionei direito, só sei que é muito grande mesmo). Trabalhei em alguns lugares, peguei muito ônibus, metrô, andei muito a pé até que isso começou a me roubar vida. Meu dia tinha 20 horas: 8 no trabalho, 8 dormindo, de 4 a 5 em trânsito e sobravam só 4 horas pro “resto”. Entendo que existem realidades muito mais duras que essa minha, mas pra mim isso foi ficando *realmente* muito difícil de naturalizar.

Sendo mulher e sozinha, pra mim não só era inviável como era até meio irresponsável ter um carro: um trambolho enorme, com quatro lugares (eu sou uma só!), enfiar mais um carro no trânsito imenso que é essa cidade, mais poluição, sem falar nos gastos que, sinceramente, não tenho grana pra bancar. Não queria isso. E também não via outra alternativa a não ser continuar pegando transporte público, me entalando tal qual sardinha, aturando sarrada de desconhecido, tolerando falta de educação, tudo o que auxilia, em muito, na impaciência, na tristeza, no desequilíbrio mental. E isso era diário. E já estava enchendo o saco.

II Inspiração

Aí saiu o filme do Mad Max em 2015. Eu conhecia os filmes antigos e fui despretensiosamente ver o Fury Road no cinema. Na tela grande eu vi as Vuvalini (as Many Mothers) pilotando no deserto e aquilo ressoou em mim com uma intensidade absolutamente fulminante. Um grupo de senhoras pilotando motos no deserto, protegendo umas as outras. No dia que eu vi aquilo, não me dei conta do quanto essas cenas tinham me impactado. Mas depois do filme comecei a pensar em uma moto como uma possibilidade de deslocamento, de libertação, de vida mesmo. Até então, eu achava que eu “não tinha mais idade” pra ter moto. Que era um devaneio juvenil meu. Eu ria de mim mesma quando pensava em incluir a categoria A na minha carteira. Me achava muito ridícula por simplesmente querer isso e essa parecia ser uma barreira intransponível. Piores que as barreiras do mundo, só as nossas. Tive que vencer algumas boas quedas de braço dentro de mim mesma, com meus próprios preconceitos, pra poder fazer esse desejo existir e vir a tona. Até que comecei a desejar isso com muita força e agi: me organizei e me planejei, meticulosa e sistematicamente, como boa parte das coisas que eu faço.

III Medos

Eu não tinha absolutamente nada: minha CNH não tava transferida pra SP ainda, não tinha carteira A, nem moto, nem nada. Tive que ir atrás, do zero. Com 33 anos, eu só avisei meus pais que tiraria carteira de moto. Não pedi autorização. Eles não disseram nada, mas por dentro acho que eles silenciosamente só esperavam (esperam, acredito) que nada de muito ruim acontecesse comigo. E de acordo com o que eles vêem na TV, “todo mundo” já sabe como é o trânsito em São Paulo: violento, caótico, hostil, etc. Tive que conviver com o medo, mas cheguei a conclusão que ele era um amigo antigo e que, com moto ou não, ele apenas permaneceria sendo meu amigo mesmo. Ter medo pode ser bom, não há nada de errado em ter medo. Precisei lidar não só com o medo de si, mas também com o medo dos outros. Foi um passo de cada vez.

Incluí a categoria A na minha CNH no final de março de 2017 e dia 5 de abril comprei a moto de uma mulher, da Tathy. Descobri que além do capacete obrigatório, também poderia ser interessante usar algumas coisas – pra me manter viva – tais como jaqueta, botas, luvas, equipamentos de proteção em geral. Foi aí que comecei a entender que parece que não é só uma moto, tem todo um contexto mais amplo, todo um universo. No primeiríssimo dia que saí de moto de casa pro trânsito, peguei a Rebouças de primeira, pra ir pra faculdade. Eu tremia, suava, coração disparado. “Você não tem medo?”. Tenho. O tempo todo. Mas aos poucos o medo foi se aquietando e se acomodando dentro de mim. Uma queda aqui, outra ali, aprendendo a cair 7 vezes e levantar 8, a voz do medo foi ficando cada vez mais quietinha, embora sempre presente. Hoje, mesmo sendo um sussurro, é ele que me faz prestar atenção, me deixa focada e evita muita coisa.

IV Entusiasmo

Me surpreendi positivamente com o trânsito em São Paulo porque ele nem sempre é o que a mídia diz que é. Nem de longe. Na grande maioria das vezes, o trânsito é ok (pelo menos nas áreas onde eu transito, centro, etc) e em um ano nunca presenciei nenhum desentendimento, nem nada de muito horrível. Em absolutamente TODAS as vezes que eu caí no trânsito, as pessoas pararam e foram solícitas, me ajudaram a levantar, a levantar a moto, perguntavam se eu estava bem, se precisava de algo, etc. Nunca houve indiferença, nunca senti isso. Tudo muito diferente mesmo do caos e da desumanização que pintam na TV e que fetichizam no imaginário. Ou talvez eu tenha “sorte”. Também, não é por menos: peço proteção pra três guias todos os dias antes de sair de casa e os carrego comigo, pra onde quer que eu vá. Por algum tempo, pedi proteção só pra mim. Depois que isso se fortaleceu, hoje peço por mim e pra todos os veículos e pedestres que estejam ao meu redor. Se percebo que o dia está muito pesado, faço a oração de São Jorge antes de sair. Nunca imaginei que o fato de ter uma moto fosse se misturar com o desenvolvimento da minha própria espiritualidade, mas isso acontece sim, também.

V Mulher de moto

Algumas mulheres tem isso de pilotar “tão bem quanto homem” ou “pilotarem como homens”, mas pra mim essa é uma comparação descabida. Competição também é algo que não me apetece, nem nunca apeteceu. Eu não estou competindo com nada, nem ninguém. Não sou homem, nem quero ser e eu piloto como mulher mesmo. E é um estilo de pilotar, ao meu ver, completamente diferente: temos uma postura diferente, temos mais cuidado, nossas preocupações muitas vezes são outras. E isso é ok. Também observo diariamente no trânsito o machismo trabalhar ao meu favor: bastam ver que é “uma mulher na moto” que os espaços se abrem, os sorrisos, os “bom dia”. Já me chamaram de corajosa. Talvez eu seja, sei lá, isso nunca me interessou. Nunca fui assediada no trânsito, talvez porque já seja velha demais pra isso. Bom, tanto melhor, menos desconforto. E também nunca me privo de nada: piloto de vestido, de short, de saia e é sempre muito libertador.

VI Moto é perigoso

A real REAL mesmo, de coisas que eu vi e vivenciei em 1 ano andando de moto em São Paulo: 1. carros são lentos, mas nem por isso devemos subestimar o estrago que eles podem fazer; 2. a grande maioria dos motociclistas são kamikazes mesmo, por N motivos. Às vezes tenho a impressão de que muitos acham que estão andando de bicicleta – isso porque até pra bicicleta hoje em dia tem regras! – mas digo isso porque eles ignoram absolutamente toda e qualquer regra de trânsito e muitas vezes colocando a própria vida e a dos outros em risco. Róla muita coisa desnecessária, se arriscam de maneiras completamente intransigentes aí acidentes e mortes acontecem e: “moto é perigoso”. Bom: nem sempre. Só digo isso.

A frase “você não é todo mundo”, ouvida mil vezes durante a infância, sempre vem na minha cabeça quando estou no trânsito, vejo motociclistas fazendo merda e sinto um breve ímpeto de seguir a manada. Sempre me repreendo e nunca me arrependo. E muitas vezes acho que só sobrevivi por aqui e evitei muita coisa justamente por não entrar nessa onda de neurose e ansiedade que a cidade impõe sobre a gente. O desafio nunca é chegar primeiro ou mais rápido: o desafio sempre vai ser chegar viva e sem ter matado ninguém nem nada no percurso. Novamente: eu não estou competindo. Se eu atrasar, eu atrasei: minha vida e a segurança de todos veículos, pedestres e quem mais tiver ao meu redor pra mim são mais importantes do que quinze minutos. É sempre uma questão de prioridade, acho.

VII Cultura

A moto não é só uma moto. Conheci muita gente, fiz muitos amigos, meu dia voltou a ter 24 horas (que ainda são poucas, mas é o que tem pra hoje), chego rápido (mesmo sem ter pressa) no trabalho e na faculdade, volta e meia vou em passeios maravilhosos como o de ontem do Free Spirit Night Race, até agora fiz 3 viagens bem curtinhas mas que me ensinaram uma coisa e outra. Claro que tem o lifestyle e muita gente prefere focar nisso, mas entendo essa parte mais como um efeito colateral mesmo, de ter de se adaptar ao fato de ter uma moto: mudanças de roupa, mas também de corpo e de noção de espaço e principalmente de enxergar, de verdade, o outro. A caveirinha é sempre o símbolo mais óbvio e clichê por isso: porque por debaixo de tudo o que existe, no final mesmo, é isso o que somos. E é bom se lembrar disso, diariamente. Pra mim, é um privilégio poder reconhecer que andar de moto é um dos mais importantes exercícios de alteridade que já fiz na vida. Me obrigo a enxergar o outro independente de qualquer coisa e a estar atenta sempre. E ao mesmo tempo isso já é uma parte de mim, uma parte de quem eu tento ser. É uma paixão que não tem muita explicação, como toda paixão deve ser.

“Take it all back. Life is boring, except for flowers, sunshine, your perfect legs. A glass of cold water when you are really thirsty. The way bodies fit together. Fresh and young and sweet. Coffee in the morning. These are just moments. I struggle with the in-betweens. I just want to never stop loving like there is nothing else to do, because what else is there to do?” — ~ Pablo Neruda (sent on 08/07/2014, 14:20)

30/3

7h da manhã a campainha tocou. Abri a porta, voltei a dormir. Não consegui dormir. Acordei e comecei a fazer o bacalhau. Almocei e dormi, profundamente. Eu estava cansada da semana. Choveu enquanto eu dormia. Eu esperava não dormir demais mas ainda estava desregulada da semana e da falta de remédios. Acordei 18h pra um compromisso às 18h, com gente perguntando se eu ia mesmo ou não. Ia. Vou. Estou indo, mas devagar, porque não quero correr na chuva. Cheguei para uma pequena seção do filme do Doutor Estranho. O filme ainda estava relativamente no começo. [Spoilers adiante]. No final do filme, o Doutor Estranho vai até o antagonista e entra em um loop temporal onde diz, eternamente, “vim para negociar”. E chega em um acordo a partir de uma persistência que pode ter sido quase eterna. Guardei essa cena com carinho em algum espaço da minha mente. Não costumo negociar, não sou boa negociadora e, principalmente, não negocio com terroristas. Mas acredito que essa minha perspectiva talvez caia por terra em algum momento um pouco mais adiante.

31/3

Durante o dia passeamos pela Liberdade, fomos em lojas, comemos lámen. Voltei pra casa. Não me lembro se dormi. Senti as vibrações do arquétipo de mãe, me emocionei, chorei um tanto. Arrumei minhas coisas. A saia, o xale, as baquetas, o tambor, o tarô, as cumbucas, o yoni egg, as velas, perfumes, o livro, a pulseira, o pesto, tentei não esquecer nada, acho que não esqueci. Levei 15 minutos daqui até ali. Me sinto em casa, me sinto bem vinda, me sinto confortável, me sinto querida, principalmente. As pessoas foram chegando aos poucos, mas antes eu fiz um jogo de tarot pra ela. Foi meu primeiro jogo sério que fiz pra outra pessoa, depois de ter consagrado o tarot por duas luas novas, os arcanos maiores e menores. Meu primeiro tarot foi o Wild Unknown, mas depois de um tempo me apaixonei pelo Thoth do Crowley. Ele é meio agressivo, pra dizer o mínimo, mas eu gosto dele justamente por conta da sua complexidade. Ele fornece mais informações. Mesmo sem tanto conhecimento dos contextos, cartas, etc. é mais fácil lê-lo por conta das cores e dos símbolos. Acho que preciso estudar mais também, mas enfim. As cartas falavam sobre uma história que se repete. Pediram pra que ela fosse menos dura, mais branda. Que se abrisse mais, se divertisse mais. As cartas de fogo dançavam com as cartas de água. Enxerguei repetições, recomeços e reprises n’O Louco e no Dois de Ouros. Agradeci o Thoth por não ter sido tão agressivo dessa vez. Talvez ele tenha sido assim porque se tratava de outra pessoa e não de mim, que sou “de casa”. Porque comigo é só violência. Após o ritual e a meditação, fiquei com sono e fui pra casa. Carta para o dia 1/4: a Torre. Ok. Vamos lá. Dormi.

1/4

Sonhei que tinha ido visitá-lo, em uma quitinete pequena, escura, suja e mal iluminada. Ele estava com um semblante bem cadavérico e estava envolto por sombras, não conseguia nem enxergá-lo direito. Senti uma tristeza bem profunda pela cena. Não me sentei em nenhum momento porque era um lugar que eu não queria ficar, na verdade. Fiquei triste por tudo, pelo lugar, por ele, pela forma que ele estava, pela forma que se tratava. Perguntei por ela, ele disse que ela não estava mais. De qualquer modo ela veio até a porta, olhou o que acontecia e foi embora. Tudo muito estranho e triste. Um sonho estranho, um lugar muito escuro, eu me sentindo meio mal por testemunhar aquilo tudo. E ele reagia das formas que geralmente reage com problemas: com ironia, passivo-agressividade, sarcasmo, enfim. Não acordei tão puta ou bolada com esse sonho, só acordei triste mesmo. A irritação só veio depois porque eu achei que isso tivesse acabado em janeiro, mas parece que não. Não sei mais o que fazer. Não quero mais sonhar com isso e a impressão que eu tenho é a de que vou ter que, continuamente, usar de artifícios para me livrar disso. A repetição, novamente. Não sei se isso é algo que está emperrando certas áreas da minha vida, ou se é pra ser assim mesmo, se isso faz parte, queria descobrir. Não que isso esteja inviabilizando minha vida nem nada, mas isso tem me incomodado. É um incômodo, pois é uma coisa que pra mim já estava superada. Pedi ajuda, me falaram pra fazer algo que eu já fiz. Obedecerei. Me disseram que simboliza, com muita força, o que eu tenho sentido pelo masculino, pois se trata do último referencial. Quando preciso elaborar conteúdo afetivo com o masculino (seja qual for), acontecem os sonhos. Há também uma ligação de alma que se mantém, uma frequência que precisará ser mudada. Vênus em peixes, ascendente em capricórnio: crio sempre ligações muito fortes. Não quis pensar nisso ao longo do dia. Fiz brunch, saí no meio da tarde, deixei um presente com uma amiga e fui me encontrar com eles no Sesc Pinheiros, pra um show. Chegamos no horário, sentamos na cadeira, primeira coisa que ouço:

“Eu vou deixar ela ir embora
Chegou a hora
Chegou a hora

Eu não vou mais me fechar pra sempre

Daqui pra frente
Daqui pra frente

O que começa terá seu final
E isso é normal
Isso é normal

A dor do fim vem pra purificar
Recomeçar
Recomeçar”

Bom, só eu sei o quanto eu chorei. Voltei pra casa, parei num lámen antes, deixei minha moto na rua, retornei, minha moto estava com o manete da embreagem quebrado. Deve ter caído e quebrou. A Torre, enfim. Voltei pra casa a pé, era perto. No caminho liguei pro mecânico, marquei pra amanhã, larguei a moto à própria sorte por ali mesmo. Espero que ainda esteja lá amanhã quando eu voltar.

Ovulo ainda hoje.

A lua começou a minguar.

 

Heal me darling
Pleaded the playboy bedroom eyes
Grace your sunshine
Till everyithing’s ok, alright, fine

What’s hers is his
‘Cause everything is forgiven
Forgiven

Though he soured the milk of human kindness
All is forgiven
(All is forgiven)

Truth and avarice
Encircle his words like a barberpole
Twisted and useless
Till they disappear in her camisole
(Goodnight alibi)

Throw away your daggers and pills
‘Cause everything’s still
Forgiven
Forgiven

Though he bit off the nipple of human kindness
All is for…

Hypocrite, four flusher, snake in the grass
Just a swindler and wolf in sheep’s clothing
Liar

Yes he tries to hide the cross he bears
But splinters, like the truth have always risen
All is forgiven

Though he shelters himself in the
Shades of the wings of a stool pigeon
All is forgiven

%d blogueiros gostam disto: