Chateada porque uma artista que admiro muito resolveu se afastar do instagram e listou os motivos. Basicamente disse que não estava conseguindo segurar a onda da ansiedade e de se comparar com outras pessoas o tempo todo e que ficava constantemente mal por isso. Ela é incrível, foda, linda de viver e absolutamente talentosa. Fiquei chateada mas compreendi e até me identifiquei, pois eu mesma me afastei de uma rede recentemente.

A pior cobrança nunca é a dos outros: sempre é a que vem de nós mesmos. Comparamos belezas, roupas, felicidades, comidas e bebidas, amores e sucessos. Somos obrigadas a estarmos sempre lindas. Sermos sempre pessoas muito legais. Produtivas. Felizes. E eu não vou nem começar a falar aqui sobre o quanto isso recai muito mais pesadamente sobre as mulheres porque este post não é sobre isso.

Nos tornamos, todos, pessoas ansiosas e depressivas. Sentimos raiva e fingimos que não, ou ainda, externalizamos essa raiva de forma obsessiva e constante – o que também não é muito melhor que negação. Nos tornamos hostis. Inversamente proporcional a isso, nos apaixonamos. De verdade. Veja bem: por ilusões que são a edição do recorte de uma vida. Por algo que está num monitor… É um tanto quanto patético, mesmo.

É realmente fascinante o poder que as redes exercem sobre nós, para o bem e para o mal. Sempre importante lembrar que tudo o que acontece online são recortes do recorte do recorte que é editado e, ainda assim, insistimos em acreditar em tudo por aqui. Na verdade quanto mais incrível é a ilusão, mais a idolatramos… E por mais que pareça, isso tudo não é tão banal nem fútil assim quando sentimos na pele os efeitos dessa armadilha que hoje permeia nossa vida…

E é uma dor bastante palpável, sim. Diária. Constante.

Acho interessante e extremamente motivador vivermos numa época em que ninguém mais sabe direito o que é real ou não. Acho divertido, de verdade. Tudo o que comparamos por aqui nada mais são que ilusões auto-impostas, para dizer o mínimo. E é isso divertido justamente porque nos força a nos questionarmos e a buscarmos o que é real, o que tem significado e o que é realmente importante, de verdade, pra nós. O resto, é perfumaria. Mesmo. De verdade. E é claro que falar é muito mais fácil que fazer. Mas ninguém nunca me prometeu que seria fácil, então estamos aqui pra isso.

Título original Solar Eclipse in Cancer – July 2018, por Chani Nicholas em seu site pessoal

Colagem por Chani

No dia 4 de julho imagens de Therese Patricia Okoumou inundaram nossas timelines e telas. Com nada além de água embaixo dela e os pés da liberdade acima dela, e os olhos do mundo sobre ela, ela arriscou sua própria vida para deixar claro o princípio mais importante possível.

Estamos aqui para amar e proteger uns aos outros.

Através de sua ação sincera, Okoumou disparou o alarme para o nosso despertar moral coletivo e pessoal.

Dia 12 de julho, às 23:48 (no Brasil), a lua nova e o eclipse solar parcial ocorrem aos 20° do signo de câncer. Se o signo de câncer nos ensina qualquer coisa é que nós realizamos a curadoria de uma vida bem vivida desenvolvendo e demonstrando nossa habilidade de nos importarmos. Se um eclipse nos ensina qualquer coisa ele nos ensina que é de nosso maior interesse direcionar nossos esforços para o que é mais impactante. Nos introduzindo em um tempo de crescimento pessoal, eclipses preenchem a lacuna entre nossas vidas privadas e sociais. Com nossas questões coletivas amplificadas, o que normalmente existe apenas por baixo da superfície de nossas situações, torna-se exposto. O que inibe nosso acesso à verdade é ceifado.

Rapidamente.

Com um pouco mais do que a crueza-emocional-da-lua-nova-em-câncer, esse eclipse solar nos introduz em uma época de crescimento rápido e cura acelerada através de nossos processos emocionais. Câncer é o fluído amniótico no qual toda vida começa e se desenvolve. A ressaca emocional desse eclipse pode nos subjugar momentaneamente, mas também nos traz de volta a sabedoria que obtivemos no poder das origens das nossas histórias. Como fomos criados, amados e acalentados? Como precisaríamos aprender a fazer isso por nós mesmos? Como estamos sendo pedidos para transformar uma ferida dentro de nossa genealogia para que esse dano seja interrompido?

Câncer revela a criança interna que está carente. Nos ensinando como abraçar, nutrir e amar em toda sua plenitude o que parece estar faltando dentro de nós.

O primeiro de três eclipses do próximo mês, o eclipse solar parcial desta quinta feira pode ser o menos visualmente deslumbrante deles, mas não deixe com que a ótica te engane. Através de bases astrológicas seus significados que não tem relação com o impacto visual, este eclipse vem com uma carta secreta em sua manga. Em uma oposição exata a Plutão em Capricórnio, um planeta incrivelmente potente de transformação, destruição, renascimento e poder certamente deixará sua marca.

Não podemos construir uma família fingindo que dinâmicas abusivas são amor. Não podemos construir um país a partir de terras roubadas que enjaulam crianças roubadas e fingirmos que isso é para o melhor interesse de nossa família nacional. Não podemos mentir pra nós mesmos em relação aos nossos sentimentos e nos tornarmos adultos que sabem como gerenciar conflitos com os outros. Este eclipse nos pede para eliminar, descompactar e quebrar o poder que dinâmicas abusivas tiveram em nossas vidas e no mundo, para que nós consigamos achar uma melhor forma de construirmos uns com os outros.

A fim de proclamar, para todo o mundo testemunhar, que arriscaremos tudo pelos inocentes, pelos incompreendidos, pelos famintos, cansados, pelas massa  para os mal entendidos, para as massas amontoadas que desejam respirar livres, devemos também estar dispostos a arriscar tudo por nós mesmos. Devemos estar dispostos a ir nas profundezas do nosso próprio inferno interior se quisermos trabalhar para desmantelar os infernos que vemos sendo incessantemente erguidos no mundo externo. Devemos saber que somos tão merecedores de proteção quanto aqueles pelos quais estamos dispostos a lutar.

Não há nada mais poderoso do que uma declaração de amor em face a crueldade. Não há nada mais poderoso do que um cuidado gentil e deliberado em um mundo tão cheio de violência. Não há nada mais decente, apropriado ou sagrado do que um ato radical de solidariedade. Com este eclipse, que possamos relembrar que o equilíbrio de fazer por nós mesmos e pelos outros é difícil de atingir, mas que é imperativo se estivermos dedicados a escalar os monumentos de liberdade, amor e proteção que são nossos para reivindicarmos.

I

Acho que ainda não sei lidar com fim de ciclos. Parei de romantizar tanto as coisas, acreditando que elas “não acabam, mas se transformam”. As coisas acabam sim, a gente querendo ou não. Percebendo ou não. Fico com a fama de mal amada, de quem não tem memória, de quem nunca se importou com nada de verdade, de quem não sabe o que é amar, de quem nunca teve nada. Bem. As coisas acabam, independente do que você acha ou deixa de achar de mim. Elas deixam de fazer sentido e aí a gente chuta cachorro morto pelos mais variados motivos: carinho e respeito, pelo histórico, por tudo o que já passamos juntos, porque já cheguei até aqui então não vou desistir agora, morrer na praia. E mais um bando de mentiras que gostamos muito de acreditar que são verdades.

II

Há algum tempo pedi pra ela jogar pra mim e no meio de uma família inteira de espadas (overthinking) saiu a Lua. Um longo caminho pra eu, besoura, chegar em mim mesma. Eu quero o sol, mas sigo o reflexo da lua… Sendo que o meu sol é na verdade interno. Já está tudo aqui. O que estou esperando? Não sei ao certo. Sempre espero que o pior aconteça, nesse sentido específico. O que é bem imbecil da minha parte pois se eu esperar o pior ele VAI acontecer. Por que não esperar outra coisa? Porque entre os altos e baixos, chacais, esfinges, torres existem todas ilusões as quais preciso enxergar e saber lidar. Existe o caminho que não pode ser apenas contemplado, mas vivenciado. E as ilusões estão toda saqui na minha vida, cada uma ao seu modo. O que estou esperando?

III

A atração foi e é inevitável. Ouvi aquilo tudo, percebi aquilo tudo, respirei fundo, fui pra casa. Nunca agi em relação a isso. A atração estava aqui, existindo, no meu chacra básico. Visceral, violenta, despudorada. Cheia de vontade e desejo. Sempre senti isso, nunca deixei de sentir, deixei estar. Só que em dado momento eu elaborei em cima disso, papel, caneta, escreva nos mínimos detalhes tudo isso aí que você sente. Destampei o bueiro. Encarei uma por uma das minhas sombras, de tudo o que era sujo, baixo e vil. Aceitei e reconheci tudo isso como parte de mim, como um presente. Entendi o contexto e as limitações. Me validei e me recolhi justamente para poder me apropriar disso da maneira menos danosa possível. Depois deste passeio, entendi a ilusão e me permiti uma série de afetos de coração aberto: abraços, carinho, troca de gentilezas. Sem medo, me permiti poder gostar da maneira mais genuína possível. E foi bom. É bom ainda. O impulso ainda está ali, ele existe e não o nego. Mas agora está sob o meu domínio.

IV

Esse cara é um idiota. Não, ele não é. Não sei bem o que ele é. Hm. Isso muito me interessa.

Quem ele é?

V

Ela se jogou do sétimo andar. Não achei que fosse me chocar. Me choquei. Senti muito. Ainda não consegui conceber muito bem tudo isso. Consegui muito menos naquele dia que te vi, já tendo te idealizado por meses a fio. O que eu sentia por você vinha de um outro lugar, um lugar que eu julgava – ingenuamente – mais elevado. Apenas olhar pra você era capaz de encher o meu corpo inteiro de ternura, como uma onda de calor e amorosidade. Bem, é assim que isso funciona, parece, chacra cardíaco, sistema circulatório. A morte dela me forneceu um senso de urgência que eu até então desconhecia. Não achava que estivesse fazendo nada errado – e não estava. Sabia que as coisas não seriam mais como antes. Não queria que as coisas fossem mais como antes. Por um momento achei absolutamente injusto guardar o que eu tinha de melhor dentro de mim, sendo que eu podia simplesmente oferecê-lo a quem eu acredito que tanto merece. Me angustiei ao ponto da comunicação. Coloquei meu coração nas suas mãos, para que você fizesse o que quisesse com ele. 

VI

Eu só queria dizer que, meu deus, eu sou muito a fim de você.

VII

Você pegou meu coração pulsando com as duas mãos e, com um cuidado que eu nunca vi antes na minha vida, abriu meu peito e colocou ele de volta no lugar onde ele pertence e de onde ele jamais deveria sair. E, por isso, por esse cuidado, eu te agradeço. Tudo o que eu disser, tudo o que eu teimar em colocar no mundo em relação a isso que aconteceu, vai soar grosseiro e errado, mas a verdade é, que quando temos uma noção melhor de onde as coisas vem e quando entendemos como elas funcionam, toda dor passa a fazer um tipo diferente de sentido… E é justamente através dela que a compaixão consigo mesmo se torna implacável, irresistível. E foi aí que percebi que havia caído em mais uma ilusão auto-imposta e ri, sozinha. Meu ego está ressentido, obviamente. Mas procurei apenas sentir o que aconteceu e entender a dimensão e o significado daquilo tudo. E percebi que isso, que eu acredito existir, na verdade é só mais um véu a me separar do outro. São nomes, termos, palavras, coisas… Existem no mundo e estão aqui.

Talvez o que eu quero não esteja, nem seja. Haverão outros véus. Muitos deles. E eu jamais estarei preparada pra nenhum deles. E devo aprender com todos. Afinal, estou aqui pra isso. 

 

Plantando a Lua do Sagrado Feminino

Já a mulher pertencente ao Ciclo da Lua Vermelha é a mulher que possui o ciclo ao inverso das fases lunares, sendo assim, a mulher tem a sua menstruação na Lua Cheia e a sua fertilidade se dá na fase escura da lua (Lua Negra ou Lua Nova). Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos. (Curandeiras de Si)

Se menstruamos na fase da lua cheia isto indica que quando atingimos o auge fértil estaremos na lua nova. A energia da lua cheia de recomeço acontece banhada não pela nossa criatividade senão pela limpeza do nosso corpo. Simbolicamente, isto pode significar que a mulher está a curar-se interiormente, ou seja, a energia da lua nova, da criatividade, ficará voltada para o nosso interior, indicando que a mulher está mais voltado para o seu auto conhecimento. Diz-me que a mulher que está no ciclo da lua vermelha é a bruxa, a feiticeira, a maga, porque está na busca e conquista do seu poder. (Viver o Feminino)

Por outro lado, a mulher que ovula na lua negra e menstrua na lua cheia pertence ao ciclo da lua vermelha. Nesse caso, como o auge da fertilidade acontece na fase escura da lua, as energias criativas são direcionadas ao desenvolvimento interior e a energia sexual é usada para fins mágicos, relacionando-se com o arquétipo da bruxamaga ou feiticeira – aspecto do feminino costumeiramente negligenciado e temido pelo patriarcado. (Obscura Realidade)

 

This is how
It begins
Push it away but it all comes back again
All the flesh
All the sin
There was a time when it used to mean just about everything
Just like now
Just like now
Breathe, echoing the sound
Time starts slowing down
Sink until I drown
(Please) I don’t ever want to make it stop
And it keeps repeating
Will you please complete me?
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Watch the white
Turn to red
It fills up the hole but it grows somewhere else instead
All my life
Yeah yeah yeah yeah, but it just left me dead
(Well guess what?)
The world is over and I realize it was all in my head
Now everything is clear
I erase the fear
I can disappear
Please I don’t ever want to make it stop
You can never leave me
Will you please complete me
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up
Never be enough
To fill me up

Anos atrás me disseram que hoje era uma bobagem. Anos atrás fui tomada de assalto, nessa mesma data, pra não esquecer. A gente tenta deixar pra trás, fingir que não vale a pena, tenta esquecer. Isso, sim, é bobagem. A maior delas. Algumas coisas importam. Na verdade, só o que importa, importa. O resto é meio irrelevante mesmo.

A pior coisa que já fiz num desses dias foi pedir pra você me escrever alguma coisa. Meu Deus, foi tudo muito horrível. Tudo foi absolutamente sem espontaneidade: o pedido e o que você escreveu. Tudo muito errado, muito triste, muito sofrido. Hoje lembro disso rindo, mas na época sofri muito por não ter sido correspondida da forma que eu imaginava. Aquela foi a epítome de uma situação criada artificialmente, por ambas as partes. Tudo muito falso, tudo muito ridículo mesmo, na verdade. Sofri horrores, você não me ama de verdade, você só quer meu corpo, você só pensa em sexo… Justo quem dizendo isso, não? Enfim. Passou. É até divertido lembrar hoje, porque parece que não foi comigo de tão bizarro.

Reli um texto que escrevi há dois anos atrás, sobre como me sentia em relação a relacionamentos. Mesmo escrito em 2016, ainda reflete um pouco – muito pouco – do que vivo e do que sinto por aqui. Das necessidades que tenho. Mas muita coisa mudou, muita ponte foi queimada, muito comportamento foi revisto e alterado – mesmo que lentamente. Não sou mais a mesma pessoa, praticamente. Minhas expectativas e sentimentos são outros. Me relaciono com – e sinto, e quero, e desejo – o outro de formas drasticamente diferentes. E isso requer sempre muito trabalho interno e lutas diárias pra lidar com todas as minhas sombras. Pra lidar com cada uma delas. Nem sempre é possível né, mas na maior parte do tempo a gente tenta sim. Toda tentativa é válida, absolutamente.

Em 2016 já tinha dado uma certa guinada rumando pra auto-consciência e outros estudos de auto-conhecimento, mas ainda não tinha aceitado muito bem esse meu caminho de construção de identidade. Sim, parece bobo, parece raso, mas não é – eu só não quero e não vou ficar falando muito disso porque nem eu mesma sei ainda do que se trata direito, estou descobrindo. E tudo o que faço e descubro é extremamente pragmático, só diz respeito a mim, ao que eu vivo e como eu vivo. Não sirvo de exemplo pra ninguém, não. Só sei que estou nesse chão que estou pisando e que está se fazendo sob meus pés desde 2016 e só agora as coisas parecem estar ficando mais claras por aqui.

Não me privo de nada, no entanto: sinto atração constantemente, flerto, descubro cada vez mais coisas sobre minha própria feminilidade, adormecida por tantos anos, me apaixono profundamente por homens que me parecem muito interessantes, me declaro, observo cada um de meus ciclos e suas variáveis, me desapaixono aos poucos, sem perder a admiração, sem me perder demais no desgostar, simplesmente porque ele não me interessa e não vale mais a pena. Eu estou aqui, mas não sou mais daqui. Demoro muito pra gostar de verdade de alguém, então nada mais natural que demorar pra desgostar também. Tenho tentado ser menos volátil, mas nem por isso menos mutável. Todo o meu esforço tem sido para tentar ser menos reativa e muito mais contemplativa, do meu próprio corpo, do que sinto, do porquê sinto, das minhas emoções. Em enxergar o outro de verdade e evitar julgá-lo, principalmente sem fazer ideia do que a pessoa passou. Tudo ainda é um grande mistério e cada vez mais. Cada vez mais.

Mas me parece que nos próximos anos eu devo permanecer sozinha mesmo e em busca de descobrir mais algumas coisas por aqui e devo focar minhas energias exclusivamente nisso: pra me trazer cada vez mais ao mundo. Cada vez mais pra essa existência aqui e agora. Me abrir mais pra tudo isso o que existe. Pra descobrir minha verdadeira vontade. Pra fazer com que minha existência tenha propósito (mesmo que breve e irrelevante, etc.). Mas para que tudo seja eu e para que tudo seja meu, do começo ao fim. É bizarro isso porque eu já me acho absurdamente auto-suficiente, mas tudo o que me aparece me diz pra eu me tornar ainda mais independente. Talvez seja em outros níveis, em níveis que ainda não enxergo ou ainda desconheço. É bastante solitário sim, bastante triste… Mas é um caminho que eu sinto que deve ser tomado e eu estou tomando. E o mais importante: eu quero essas coisas mais do que qualquer outra coisa. Relacionamentos são legais sim, mas agora talvez não seja o momento pra mim – quem sabe talvez quando eu for mais velha, quando estiver mais madura pra caminhar com um outro alguém. Ou quem sabe talvez nem aconteça, enfim. Isso não é mais exatamente a coisa mais relevante da vida agora pra mim.

Os últimos dois anos tem sido o de uma luta, diária, pra ser menos amarga e pra não me tornar um poço de cinismo, por mais que o mundo e as pessoas me forcem a isso às vezes. Já fui isso por muito tempo nessa vida e agora isso não me serve mais. Não combina mais comigo, nem com quem eu sou hoje. Tomo muito cuidado com algumas armadilhas do feminismo que, por mais que nos façam acreditar que tenhamos motivos de sobra pra misandria, não quero odiar a todos os homens indistintamente. Não acho isso saudável, prefiro conviver. Nos últimos tempos tive a sorte de conhecer muitos caras que não são completos babacas e também tive a oportunidade de mudar o meu comportamento em relação aos homens. Aprendi que posso sentir afeto por eles, sem precisar me embrenhar num joguinho odioso e que só traz sofrimento e uma sensação terrível de segregação e inadequação. Não é eu e eles: sinto que posso fazer parte, de fato. Aprendi a lidar com as ilusões que a minha mente e o meu corpo projetam em mim, estudando sobre os mistérios do meu próprio ciclo e também da lunação. Enfim… Existem outras coisas em jogo, agora. Existem MUITAS coisas em jogo, agora.

E eu também descobri que não é força, é jeito.

É preciso muito jeito, pra transformar solidão em solitude. É quase uma alquimia, na verdade. E não só fazer isso, como fazer isso com graciosidade. É preciso um senso absurdo de persistência pra fazer com que todo o auto-abandono que sentimos seja sempre preterido. E que todo o cuidado consigo mesma seja feito diligentemente e de forma diária e constante. Ainda peco muito nisso, mas persisto. É preciso atenção para não aceitar nada menos do que eu acredito que mereço em termos de afeto, pra passar pelos desencontros com sorrisos e com o coração tranquilo e não reclamar muito do tempo, mas fazer com que ele trabalhe ao meu favor, ao meu próprio aperfeiçoamento, a mim mesma, quem eu sou, o que faço, o que penso, etc. Ainda terei muito tempo para passar comigo mesma e, bem, eu só estou no começo da jornada. Na escolha que volta e meia preciso fazer entre o medo e o amor, estou aprendendo cada vez mais a escolher o amor. Uma situação de vida por vez. Ainda acho que o amor é uma ideia sim e um ideal também. E relacionamentos até que fazem parte disso, mas são só uma parte. Mas eu amo mais é essa ideia, mesmo. Esse ideal. Acredito que essa seja a chave pro desdobramento de várias outras coisas.

O desafio não é mais tanto ter cada vez mais amor, mas ser.

E não parar.

%d blogueiros gostam disto: