Arcano 0 – O Louco – Source Vibrarions – Gabriel’s Trumpet (432Hz)
Arcano 1 – O Mago – Behemoth – Blow Your Trumpets Gabriel
Arcano 2 – A Alta Sacerdotisa – The Angelic Process – Mouvement – The Rest of the World is Noise
Arcano 3 – A Imperatriz – The Prodigy – Spitfire
Arcano 4 – O Imperador – The Prodigy – Firestarter
Arcano 5 – O Hierofante – Dead Can Dance – The Host of Seraphim
Arcano 6 – Os Enamorados – Skold/KMFDM – Bloodsport
Arcano 7 – A Carruagem – Atari Teenage Riot – Revolution Action
Arcano 8 – A Justiça – VNV Nation – Honour
Arcano 9 – O Eremita – Skinny Puppy – Worlock
Arcano 10 – A Roda da Fortuna – Death In June – The Calling (Mk II)
Arcano 11 – A Força – Ministry – Thieves
Arcano 12 – O Pendurado – Nadja – Clinodactyl
Arcano 13 – A Morte – Philip Glass – Einstein on the Beach: Knee Play 5
Arcano 14 – A Temperança – Nine Inch Nails – La Mer
Arcano 15 – O Diabo – KMFDM – Dogma
Arcano 16 – A Torre – Maurice Ravel – La Valse, M. 72
Arcano 17 – A Estrela – The Algorithm – trojans (hard mode)
Arcano 18 – A Lua – Neurotech – The tide is rising
Arcano 19 – O Sol – The Angelic Process – Milion Year Summer
Arcano 20 – O Julgamento – Mournful Congregation – The Epitome of Gods and Men Alike
Arcano 21 – O Mundo – Dead Can Dance – The Carnival is Over

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Essa noite eu sonhei com o vírus e foi estranho. Foram 3 situações completamente diferentes.

I

Sonhei que entrava na edícula da minha casa e que nela havia uma cama de casal e outra de solteiro. Por algum motivo entrei lá para me deitar na cama de solteiro e achei que não havia ninguém no quarto. Mas na cama de casal havia um senhorzinho velho, definhando. Ele ficou muito puto por eu entrar no quarto e acender a luz pois ele estava dormindo. Como eu já tinha deitado na cama de solteiro, fiquei lá, imóvel, só ouvindo ele esbravejar enquanto se levantava, bunda de fora, pra ir apagar a luz. Quando ele se deitou, a primeira coisa que me veio em mente foi “puta merda esse velho está com covid e eu vou me infectar”. Esperei ele dormir de novo, dormiu tossindo, levantei-me e saí do quarto.

II

Em dado momento eu estava em algum lugar quando me deparei com um sigilo enorme. Agora, tentando lembrar do sonho, ele me parece apenas um grande borrão, como se minha mente consciente o tivesse censurado. Mas havia uma legenda enorme no sigilo que dizia “Sigilo criado para quem quer se infectar com covid-19”. Lembro que fiquei PUTARÁÇA no sonho. “Mas que porra, quem que cria uma porra dessa pra se infectar com essa merda?”. Fiquei indignada. Acordei e continuei putáça. Será que existe isso? perguntei pra ele. “Claro que existe, Dora. Muita gente acredita que, ao se infectar, automaticamente se torna mais resistente ao vírus”. Caralho mermão, que porra mais doida. Isso é absolutamente contraintuitivo e não faz nenhum sentido. Mas de fato, muita gente quer medir forças com o que não é visível. Sempre.

III

Sonhei com a minha família, num carro, numa viagem. Como sempre meu pai dirigindo e eu de co-piloto. Era no futuro, mas também no passado, várias vezes viajei como co-piloto com meu pai. Não teve a ver com o vírus em si, mas no sonho eu pensei “porque caralhos a gente tá fazendo essa viagem no meio de uma pandemia, meus pais são loucos?”. Ninguém da minha família estava doente, nem nada do tipo. Mas em dado momento quando paramos pra abastecer ou algo do tipo, meu pai voltou para o carro e todos estavam no carro quando de repente houve um terremoto, mas não apenas isso: a terra passou a nos engolir e comprimir tudo o que há ao redor. Já sonhei com isso antes: a terra se levantando até os céus e devorando tudo o que há e existe. Só que nesse sonho engolia o carro em que estávamos. Não ouvia nada do que o resto da minha família dizia, apenas do meu pai, que estava mais próximo de mim. Ele chorava e dizia que estava com muito medo de tudo. Comigo acontecia uma mutação muito estranha em que eu me tornava as ferragens do carro, a terra, o terremoto e tudo mais. Eu acolhia meu pai – e apenas ele – e dizia que ia ficar tudo bem. Depois de um tempo todas as coisas voltaram ao seus estados anteriores, a terra, o carro, a família, eu e meu pai. Definitivamente não éramos mais os mesmos e aquela realidade era outra. Mas ainda estávamos ali.

 

Vírus de merda.

Esses dias fui fazer uma lista e me dei conta de que, de todos os arcanos maiores, o que eu mais tenho dificuldade de lembrar é o arcano 7. Na hora eu simplesmente travo e não me lembro o que é. Vou lembrando de toda a jornada, mas quando chega do 7 ao 11 dificulta muito. A sequência do 7 ao 11 é:

  • 7. O Carro
  • 8. A Justiça
  • 9. O Eremita
  • 10. Roda da Fortuna
  • 11. A Força

Imagino que eu precise aprender alguma coisa com essa parte da jornada, justamente por não me lembrar dela com tanta facilidade. O problema de memorização começa com O Carro e tenho tendência a me confundir com os arcanos 8 e 11, pois alguns baralhos invertem a posição destes dois. No Tarot de Thoth, o 11 é a Força (Lust) e o 8 é a Justiça (Adjustment). No Smith-Waite isso se inverte, com A Força sendo o arcano 8 e a Justiça o 11. Um colega me perguntou qual era a sequência que eu usava e eu não entendi. Uso a sequência que estiver pré-estabelecida no baralho, geralmente. Aí ele me explicou que em todos os baralhos clássicos (Marselha, que ainda não estudei e Thoth, que já tenho mais familiaridade) a ordem é: 8 A Justiça e 11 a Força. E ele ainda arrematou com a frase “força sem retidão é tirania”. Um aprendizado que preciso me lembrar sempre e não é de hoje. Acho que com essa frase vai ficar mais fácil.

Fiz aniversário dia 15/3 agora e meu marido (sim, o da promessa da uva) me comprou um bolo de prestígio. Achei ok, mas não dei muita bola na real. Mal sabia eu que aquela seria uma das últimas vezes que eu comeria côco em muito tempo. Eu não ia fazer promessa pra São José esse ano, mas ele é extremamente sedutor e me fez um convite que não consegui recusar. O danado catou a promessa do ano passado e enganchou com a desse ano e eu meio que me fodi nessa de confiar nele… Não é porque é santo que é santo! Não sei se digo que esse será o último ano que faço isso, talvez seja, talvez não. Mas vou me manter aberta e observar o que acontece no caminho, como tentei fazer das outras vezes.

Ano passado resolvi fazer a promessa colocando uma questão de trabalho. No entanto coloquei de forma muito, muito genérica e bem abrangente. Não fui nada específica no meu pedido, só falei: “trabalho”. E também acho que eu não tinha como ser específica na verdade. Não tinha uma predileção por trabalho X ou Y ou por ganhar muito mais dinheiro e ~ficar rica. Acho que só queria entender melhor o meu propósito e o propósito das coisas que eu fiz e faço. Mais no sentido de direcionamento e desenvolvimento mesmo. E isso se sucedeu até, só que de forma completamente contrária, divergente mesmo, do sentido strictu sensu de promessa. Me vi, no fim desse período, tendo que recusar ofertas de trabalho, por compreender que elas não se alinhavam com o meu propósito maior. Que tipo de promessa é essa que nos TIRA coisas ao invés de nos prover? Bem. Fez sentido pra mim, olhando agora. Às vezes eu tenho a impressão de que pra mim todas as coisas acontecem ao contrário mesmo.

Tive de dizer não pra algumas coisas que eu sempre achei que queria, com firmeza. Foi horrível e maravilhoso ao mesmo tempo. Não fez sentido nenhum a princípio e me ajudou muito mesmo. A verdade é que as coisas não são tão exatas quanto a gente gostaria, pra mim principalmente. Nesse ano da tangerina, eu fui capaz de fazer e criar umas associações bem malucas na minha cabeça que me ajudaram a entender certas coisas e alguns limites que deveriam ser auto-impostos também. Mudei muito minha relação com a minha identidade profissional, com as habilidades que já possuo e as que posso desenvolver e com as coisas que quero e posso fazer também. Acho que o que mais bateu mesmo foi a mudança de percepção de detalhes que antes disso passavam completamente batido. Eu decido acreditar então que o milagre está nas entrelinhas: porque está, mesmo. Pensar nessas coisas deveria ser ato contínuo na minha vida, mas não é. Nunca foi. E isso foi incorporado ao longo de um ano. Não considero, de forma alguma, um ano perdido. Mesmo que eu não esteja em um dream job.

Mas sempre fiz isso tudo de forma extremamente displicente. Sem reza, sem devoção, nem nada do tipo. Simplesmente selecionava a fruta e tentava manter o foco na questão, toda vez que a fruta aparecia na minha frente. Pesquisei, muito por cima e ao longo do tempo, quem era São José e as questões que ele se encarregava. Somente ano passado que adquiri uma imagem de São José dormindo e hoje outra dele com Jesus no colo. Tenho algumas deusas aqui em casa mas a polaridade masculina está sempre meio que em desvantagem então, querendo ou não, essa foi uma forma de tentar equilibrar, acho. Ele não foi um santo escolhido, ele apareceu pra mim em 2018 e a promessa me pareceu uma boa ideia. Enfim.

Esse ano eu vou fazer diferente e a ideia é ser menos indolente – sim, pois por mais que tenha envolvido sacrifício, não se dar nem ao trabalho de acompanhar a coisa toda é bem indolente sim. É possível sistematizar a promessa e ir verificando como está se desenvolvendo (e eu nunca fiz isso). Podemos começar assim:

  1. A Questão: Este ano estou pedindo auxilio e proteção para materializar algumas coisas físicas na minha casa. É um pedido bem pragmático e físico, não tem nada de genérico ou abstrato. Vou especificar ele no diário mais tarde, mas dessa vez sei exatamente o que quero.
  2. O Chamado: São José, um servidor cristão. Protege e concerne questões de família, casa, trabalho e relacionamento. Tenho 2 imagens pequenas aqui em casa e chamo elas no probleminha.
  3. O Trabalho: É o sacrifício em si. Não parece nada demais, mas abrir mão de uma fruta é bastante coisa. Toda vez que você sentir a dor de não poder desfrutar daquilo, você deve reforçar a forma-pensamento do que você quer para que ela se manifeste com mais facilidade. Essa é parte do negócio a outra parte é dever do santo (que envolve, também, nesse paradigma a questão de merecimento inclusive).
  4. A Pesquisa: É a profundidade do entendimento da questão. É fazer a sua parte pois a graça não vai cair do céu se você não se mexer. É o foco e o reforço na forma-pensamento e no aumento de consciência e de percepção do que ocorre ou do que pode vir a ocorrer. Pesquisar sobre o santo, a técnica, etc. é tudo ok, mas o interessante mesmo é pesquisar sobre a própria vida, seus desígnios e desejos.
  5. O Resultado: Esta foi a parte em que mais falhei nos últimos 2 anos: a de fazer o scrum com a entidade; Não houve nem planejamento, nem acompanhamento do desenvolvimento de nada. Talvez muito provavelmente por isso o resultado (óbvio, objetivo, racional) não saiu no prazo agora em 2020 – mas eu confio que acontecerá logo menos. Isso também não me preocupa pois trata-se de uma relação de confiança com a entidade. E só pelo que vivi no caminho, já clareou bastante algumas ideias.

I know what it is to be broken and be bold
Tell you that my silver is gold
Though we’re much too old for make believe
And I know what it’s like to behold and not be held
Funny how a stomach unfed
Seems satisfied ‘cause it’s swell and swollen
And you caught me
Shootin’ cross the sky like a star
But nobody told me
To never let it get too far
You see my silhouette, so you’re standing scared of me

Can I tell you a secret?

My wings are made of plastic, my wings are made of plastic
My wings are made of plastic, my wings are made of plastic
Oh, my wings are made of plastic, my wings are made of plastic
My wings are made of plastic, my wings are made of plastic
My wings are made of plastic, my wings are made of plastic
My wings are made of plastic, my wings are made of plastic
My wings are made up
And so am I

Ela me chamou pra jantar hoje, recusei, disse que estava sem dinheiro e estou mesmo. Falou sobre uma viagem pra fora, Irlanda, visitar uma amiga em comum. Concordei, acho que é isso mesmo. Nunca fui, não sei se iria. Não nesses termos. Falou que faria o exato oposto do que sempre fez. Achei bom. Espero que assim o faça, espero que isso resolva algo, embora acredite que não.

No fim do dia outra amiga me manda uma fotografia de mulheres ajudando uma outra mulher durante uma crise. De pânico, talvez. De tentativa de suicídio. Não sei bem, não entendi bem ao certo, não quis ler. Achei mórbido para um fim de sexta-feira, que costuma ser um horário animador. Questionei. Diz que achou interessante a história de pessoas, mulheres, que se apóiam. Me disse em seguida que passou mal e está ficando doente.

Saquei.

As pessoas não querem ser ajudadas. O que eu posso fazer pelas pessoas é limitado. É possível ser muito miserável morando em um país de primeiro mundo. É possível ser profundamente miserável tendo muito dinheiro. Essas não são boas respostas. Certa vez um conhecido me disse que eu pareço constantemente viver numa  prisão. As respostas e – principalmente – todas as perguntas estão aqui dentro e eu tenho pleno acesso a elas.

Possuo uma porção de super poderes. Consigo respirar. Consigo colocar minha cabeça no travesseiro e dormir com o coração em tranquilidade, em que pouca coisa ou nada me pese. Sou capaz de viver um dia de cada vez, deixando o passado onde ele pertence e sem pretender prever futuro algum. Nunca fiz uma viagem ao exterior – mas pro interior já fiz várias. Não tenho nada que possa chamar de meu e tudo o que possuo caberia numa mala.

Não sou livre, mas me sinto.

O que, exatamente, importa? E para quem?

I am fire I am damage in the making
I am an army set out to control your every ticking
I am a giant stepping on the tiny world you live in
And you shake and you shiver
As the roof is coming down
And the walls grow thinner

Shadowshow darkens the river
Turn hearts into stone
We run we run terrified what have we done
Is this how it goes
Silence grows loudly bigger
It’s heartrending crow
You run you run terrified what have you done
Is this how it goes
It’s how it goes

Mass confusion never been so excited
What your hearts felt for us was evidently unrequited
And by the sea we’re laying down our hopes
You will conquer all
Your rise our fall
And by the sea I’m laying down my hopes
We will conquer all
Our rise your fall

And I shake and I shiver
As I cut through skin and bone
Can you solve the riddle
Shadowshow darkens the river
Turn hearts into stone
We run we run terrified what have we done
Is this how it goes

Silence grows loudly bigger
It’s heartrending crow
You run you run terrified what have you done
Is this how it goes
It’s how it goes
I am fire I am damage in the making
I am an army set out to control your every ticking

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