Break it down again
So those are my dreams
And these are my eyes
Stand tall like a man
Headstrong like a horse
When it’s all mixed up
Better break it down
Oo, oo. Oo, oo
In the world of secrets
In the world of sound
Oo, oo
It’s in the way you’re always hiding from the light
See for yourself, you have been sitting on a time bomb
No revolution maybe someone somewhere else
Could show you something new about you and your inner song
And all the love, and all the love in the world
Won’t stop the rain from falling
Waste sleeping underground (break it down again)
I want to break it down (break it down again)
Break it down again
So those are my schemes
And these are my plans
Hot tips for the boys
Fresh news from the force
When it’s all mixed up
Better break it down
Oo, oo. Oo, oo
In the world of silence
In the world of sound
Oo, oo
“No sleep for the dreaming” say the architects of life
Big bouncing babies, bread and butter can I have a slice?
They make no mention of the beauty of decay
Blue, yellow, pink umbrella, save it for a rainy day
And all the love, and all the love in the world
Won’t stop the rain from falling
Waste sleeping underground (break it down again)
I want to break it down (break it down again)
Horsing around
Pray to the power
Play to the crowd with your big hit sound
And they won’t simmer Won’t simmer
Won’t simmer down
Play to the crowd
Play to the crowd
It’s in the way you’re always hiding from the light
Last off to heaven just like moses on a motorbike
No revolution maybe someone else somewhere else
Could show you something new to help with the ups and downs
Break it down again
I want to break it down Break it down again
Break it down again (break it down again)
Break it down again (break it down again)
Break it down again
No more sleepy dreaming
No more building up
It is time to dissolve
Break it down again
No more sleepy dreaming

I wanted to be with you alone
And talk about the weather
But traditions I can trace against the child in your face
Won’t escape my attention
You keep your distance with a system of touch
And gentle persuasion
I’m lost in admiration, could I need you this much?
Oh, you’re wasting my time
You’re just, just, just wasting time
Something happens and I’m head over heels
I never find out till I’m head over heels
Something happens and I’m head over heels
Ah, don’t take my heart, don’t break my heart
Don’t, don’t, don’t throw it away
Throw it away
Throw it away
I made a fire and watching it burn
Thought of your future
With one foot in the past, now, just how long will it last?
No, no, no, have you no ambition?
My mother and my brothers used to breathe in clean in air
And dreaming I’m a doctor
It’s hard to be a man when there’s a gun in your hand
Oh, I feel so
Something happens and I’m head over heels
I never find out till I’m head over heels
Something happens and I’m head over heels
Ah, don’t take my heart, don’t break my heart
Don’t, don’t, don’t throw it away
And this my four-leaf clover
I’m on the line, one open mind
This is my four-leaf clover
in my head, my mind’s eye
(La, la, la, la, la) one little boy, wandering by
(La, la, la, la, la, la, la, la, la, la) funny how
Time flies

Hoje

Eu queria fazer várias postagens sobre os dias das mulheres. Mas fico com a sensação de que estarei pregando pra convertida. Ou ainda: jogando pérolas aos porcos. Tento prestar atenção melhor nessas sensações e nos porquês delas enquanto escrevo esse post. A minha bolha inteira está falando a exata mesma coisa… Há alguns anos, já. E as coisas não mudam, sabe? Pelo contrário: tudo parece piorar muito. E são textos e palavras de ordem que não são de hoje que conheço. Isso me dá sentimentos conflituosos, porque ao mesmo tempo que acho importante se expressar, também acho que seja infrutífero se for feito desse modo, meio superficial demais. Tenho pegado um ranço muito forte de ativismo de sofá. A gente fica falando, postando, twittando, dando like, tapinhas nas costas, se congratulando o tempo inteiro, etc., mas o que foi feito de fato pra melhorar qualquer coisa? O que foi feito de real para melhorar a vida de mulheres ao meu redor, diretamente? Aí quando eu vejo que tudo o que foi feito ainda é muito pouco, me frustro e me dá um desânimo incomensurável. É isto: é 2019 e eu estou um tanto quanto desanimada nesse dia.

Ancestralidade

Minha avó fugiu com meu avô, porque queria casar com ele e meu bisavô não permitia. Minha mãe nasceu desse amor. Minha mãe só casou pra poder sair de casa e trabalhar. Ela queria ser bailarina e pro meu avô, dançar era coisa de PUTA. Minha mãe casou, saiu de casa, dançou pela vida a vida inteira e a maior dor da vida dela, até hoje, é a morte do meu avô. As atitudes delas, todas, são feministas mas para navegar nesse mundo e principalmente para sobreviver ela teve que ter outro tipo de comportamento socialmente – nada feminista. Minha mãe é conservadora. E minha mãe me teve. Nasci em uma casa com base matriarcal, era minha mãe quem pagava as contas e botava comida em casa. Sempre foi. Fui uma adolescente rebelde. A primeira vez que fui num ginecologista, com 16 anos, minha mãe tentou se matar porque não queria conceber que sua filha estava fazendo sexo. Ela nunca esteve preparada pra lidar com nada disso. Ao menos não com a própria filha. Minha mãe me oprimiu de formas incrivelmente cruéis e violentas a vida inteira em relação ao meu corpo, me fazendo me sentir rejeitada, não amada, não quista. Me fazendo me sentir uma aberração. Contando vantagem pra todo mundo sobre mim, mas em casa arruinando e devastando qualquer resquício de alma que eu tivesse, me destruindo por dentro mesmo. Por anos a fio. Hoje sei que não era minha mãe, era outra coisa. Era uma herança de violência que ela carregava e que reproduzia comigo porque isso era tudo o que ela sabia sobre amor, infelizmente. As pessoas não são perfeitas, são limitadas. As coisas se transformam e se repetem. E eu sobrevivi a isso, não à minha mãe. Com o tempo eu tive o meu momento certo de cortar o cordão umbilical da nossa relação, estabelecer limites e dizer em alto e bom som “daqui, você não passa, eu sou outra pessoa e exijo respeito”. Foi duro. Foi uma das coisas mais difíceis que fiz na vida. Me senti a mais ingrata filha do mundo, a pior pessoa do mundo. Foi absolutamente necessário. Nossa relação também se transformou quando me tornei uma mulher adulta e me vi em situações de extrema fragilidade e vulnerabilidade. E eu em algum momento soube dizer não a essa situação. Porque eu tenho mãe. E não qualquer mãe: mas a minha. Porque eu tenho uma família, independente de qualquer defeito. Porque eu tenho pra onde voltar e não preciso depender financeiramente ou emocionalmente um homem ou de qualquer outra pessoa pra nada nessa vida. Eu tenho o privilégio ancestral de poder manter a minha integridade física e como pessoa, intacta. Incólume. E minha mãe tem sua parte nisso. E por isso eu sou profundamente grata.

Violência Justificada

O movimento feminista não é essencialmente violento, mas pode ser e é aí que está a graça da coisa toda. E assim o é porque a violência é uma linguagem que os homens entendem muito bem. Isso quando não é a única linguagem que são realmente capazes de compreender. Pessoalmente não me agrada o “olho por olho, dente por dente” mas algumas mulheres se satisfazem resolvendo algumas questões assim. Pessoalmente não acredito que esta seja a resposta definitiva pra nada, apenas uma resposta-espelho por conta do tempo de opressão. Algumas mulheres se cansam em definitivo. Algumas perdem a paciência e com ela, também a razão. Não compactuo com todo o ódio, nem com toda a misandria: acho infantil, na verdade. Desnecessário. O ódio, a violência e a misandria me servem apenas pontualmente, mas eu jamais sirvo a elas. Também não condeno a violência feminina, mas não atuo nesse sentido porque eu não sou assim, eu não sou isso. As mulheres também não são assim, boa parte do tempo. Acredito sinceramente que o sangue que a gente jorra é de outra natureza.

Os homens e o masculino

Desde 2013 eu tenho tentado – e falhado, algumas vezes – recuperar a minha relação com o masculino. Essa sempre foi uma questão pra mim, a minha vida inteira e eu não havia percebido até então. Tem sido um caminho e tanto. E recuperar – e, principalmente, curar – minha relação com o masculino, significa curar a mim mesma, curar partes adormecidas em mim. De 2013 até 2015 fiquei em uma encubadora e somente em 2016 é que comecei realmente a trabalhar essa questão curiosamente quando comecei a trabalhar mais a sério questões do Sagrado Feminino, através das Bençãos Mundiais do Útero. Só aí é que as questões começaram a emergir e pude compreender o Sagrado Masculino e como ele era valoroso e de quais modos. Em 2017 me tornei Moon Mother e a partir daí entrei em celibato (voluntário, rs) e comecei a observar da forma mais lenta e analítica possível os meus processos de atração, de repulsa e de afeto pelos homens e como eles se desenvolviam. Fiquei um tanto quanto desconcertada com tudo o que descobri que havia em mim. Descobri paredes de sombras imensas, que não cabiam em mim e tive que fazer vários shadowwork pra acolher essas sombras e mantê-las sob os meus domínios, na medida do que me foi e me é possível. Tive que descobrir e definir o que eu queria em uma relação, o que eu buscava e busco e – acreditem – não é nada fácil saber exatamente o que se quer. Me vi obrigada a redefinir a minha referência de masculino e de masculinidade pra mim, de vários modos, sabendo inclusive detectar masculinidade tóxica, toda vez que ela se apresenta. Tive que aprender a combater a estrutura, não os homens em si. Tive que aprender a ter amigos homens. Tive que aprender que sentir desejo não é sinônimo de me submeter cegamente e inconscientemente a ele. Tive que aprender a perdoar, genuinamente, todas as atrocidades que foram feitas contra mim nessa vida nesse sentido. Aprendi também que é possível continuar sentindo e emanando afeto, mesmo não sendo correspondida. Todos os aprendizados são incomensuráveis e fizeram de mim uma pessoa melhor, sim. Não foi fácil, não é fácil e é extremamente necessário. É o que me faz viver hoje em dia, basicamente.

A mulher selvagem

Hoje em dia eu sangro na terra porque me vejo como parte dela. Eu devolvo pra terra o que não foi semeado. Eu me canso e me esqueço das coisas e não quero socializar e então eu não me obrigo. Me respeito e abro espaço pra mim mesma, o espaço que eu quiser. Não tenho mais medo da introspecção porque é nela que eu me encontro: jamais me sinto sozinha. Não tenho medo de dizer ao outro: não vou, não quero, não posso, isso não me agrada. Não faço questão nenhuma de ser agradável, se não quero. Hoje entendo que não há nada errado em ser incisiva, em fazer o que há de melhor e exigir isso também, de quem quer que seja. De fazer o que precisa ser feito como brincadeira, de me levar menos a sério e levar menos o mundo a sério também. Hoje eu sei que em um momento do mês eu sou o puro Sol e quero amar a todos indistintamente. E nessa época do mês eu estou muito sociável, agradável, minha pele está linda independente do que eu faça e o meu cabelo também. Hoje em dia eu aceito um pouco melhor as minhas oscilações bruscas de humor e entendo que não estou ficando louca ou tenho algum problema grave: são apenas a forma que meus hormônios operam e está tudo bem. Num dia eu amo o mundo com a força de mil sóis e no outro eu quero matar o primeiro que me olhar torto com as minhas próprias mãos, se for preciso. Isso ocorre aqui dentro e é bastante real. Não me censuro mais, não escondo mais minhas sombras de mim mesma, nunca mais. As encaro, frente a frente, com os cabelos desgrenhados, olho diretamente naqueles olhos injetados e digo em alto e bom som: quem é soberana, aqui, sou eu. E danço com ela. Danço e escrevo e pinto e cozinho até me sentir muito, muito cansada novamente. Até meu Sol interno terminar de se pôr e eu virar pura Lua Cheia novamente. Um pedaço de mim se vai mas eu sei que sempre amanheço depois. E eu sangro na terra mesma de onde vim, que é a mesma pra onde vou. E mais um ciclo se fecha e outro se inicia novamente. Me entendo como mulher cíclica e respeito e honro cada uma das minhas fases e cada um dos meus ciclos integralmente. E a compaixão por mim mesma e pelo meu caminho só aumenta.

Minhas restrições com certos tipos de Feminismo

Sou contra e a favor de uma das principais pautas discutidas: o aborto. Pessoalmente não faria um, mas acredito que as mulheres devem ser as únicas a decidirem sobre seus próprios corpos. Para mim também é ok manter esse tipo de contradição. Existem certas práticas com as quais eu também não compactuo muito e vejo exemplos em alguns grupos: a ode ao sofrimento, a ode a miserabilidade e a incapacidade. O próprio movimento muitas vezes extirpa de mulheres capazes qualquer senso de agência sobre a própria vida, como se opressão fosse tudo o que existisse. É um terrorismo que faz com que mulheres deixem de enxergarem a si mesmas, não ajudando em nada. Não fecho em tempo algum com mulher transfóbica e isso, pra mim, sequer é passível de discussão. Até a misandria frequente demais, infantil e injustificada, também me faz querer deslegitimar completamente o discurso de alguns tipos de feminismos. Mas existem mais coisas que me perturbam além dessas. Para mim, ainda é extremamente difícil conviver com mulheres misóginas. Tenho duas na minha família, com as quais obviamente converso muito pouco, mas elas declaradamente odeiam feministas. Ou ao menos acham feminismo uma grande bobagem. Acho que a visão de mundo que ambas têm, é muito triste. Mas a perturbação pode ir ainda mais além. Se já é frustrante quando se trata de mulheres misóginas e conhecidas, a coisa realmente fica estranha quando tratamos de feministas misóginas. Até hoje só me deparei com dois tipos: 1. feministas que odeiam menstruar, odeiam o próprio útero e odeiam o próprio ciclo, por qualquer motivo que seja e 2. as que odeiam falar sobre reprodução, as child-free que odeiam mães e odeiam crianças. Uma pena elas não perceberem que esse auto-ódio e esse ódio ao que é biologicamente feminino é também parte de uma agenda do patriarcado para que sejamos nós contra nós mesmas. É um movimento que tem muitas sombras e eu faço questão de reconhecer uma a uma, pra saber melhor lidar com elas.

O que eu tenho feito? Efetivamente. Pra mudar. Qualquer coisa.  

O que eu faço é limitado pois entendo que só a cerca de 3 anos acordei pra essa questão. E ainda estou acordando, aos poucos. Já tive que lidar com uma tonelada de questões e ainda existem outras tantas… É muita coisa pra lidar e preciso ir com calma e persistência. Ainda há muito a ser feito, compreendido, estudado e executado. Mas como estou num mundo capitalista e é isso o que conta no final do dia, muito frequentemente, tenho tentado, na medida do que é possível apoiar mulheres nesse sentido: comprando. Há 3 anos também (2 como Moon Mother) tenho participado das Bênçãos Mundiais do Útero, do sistema da Womb Blessing. Entendo essa prática como um serviço que realizo para a egrégora de mulheres que também estão envolvidas com esse sistema. Também tenho feito Bençãos do Útero e Curas do Útero individuais, mas com menor frequência do que gostaria. Me sinto como uma estudante relapsa nesse sentido, mesmo porque, ainda estou dando conta de conciliar decisões que fiz no passado com coisas que sinto quero hoje. Então por hora tudo está bastante descompassado, mas com o tempo as coisas vão se acertar, aos poucos. Ainda tenho um longo caminho pela frente.

Mulheres que considero incríveis e pra mim são uma inspiração constante

Adriana Amaral, Ágata Sousa, Ale Nahra (Herbívora), rAna Marysa Santos, Bárbara Vieira, Camila Oliveira, Camille Chew, Carla Soares, Carol Almeida, Cátia Andressa da Silva, Cecile Dormeau, Cibele Garrido Godoy, Daniela Marques, Daniela Neder dos Santos Pereira, Dorothy Rocha, Elisa Polonio, Estela Miazzi, Fernanda Vidal, Flavia Barbosa (Capins da Terra), Giovanna Laloni, Giovanna Zanatta, Giulia Crippa, Giuliana Aggiunti, Isabela Framboisas, Juliana Gomes, Juliana Leuenroth, Larissa Anzoategui, Laura Pimentel, Laura Pinheiro, Liz Mandetta, Luciana Lupe Vasconcelos, Luciana Moraes, Luciana Terceiro, Luiza Guedes, Lyz Beltrame, Maíra dos Anjos, Maria Clara Carneiro, Mariana Rosa, Marina Macambyra, Marisa Martellote, May Shuravel, Nadiajda Ferreira, Neide Garrido, Paola Geoffroy, Paula Garde, Paula Macedo, Petrucia Finkler (Casa Panteon), Priscila Barbosa, Rachel Patrício, Regina Fazioli, Renata Micheleto Marques, Rosangela Pereira, Taís Oliveira, Tatiana Samper, Taty Guedes Vairagya, Taty Steimer, Thays Tonin, Victoria Mandetta

(T.W.: EPILEPSIA)

My face is the front of shop
My face is the real shop front
My shop is the face I front
I’m real when I shop my face
Artificial bloom
Hydroponic skin
Chemical release
Synthesize the real
Plastic surgery
Social dialect
Positive results
Documents of life
Oh
Nana-nana-nana-nana
Nana-nana-nana-nana-na
Na-na-na-na-na
Na-nana-nana
My face is the front of shop
My face is the real shop front
My shop is the face I front, front
I’m real when I shop my face
Scalpel, lipstick, gel
Action, camera, lights
Violence in your heart
Memories of love (What?)
Professor?
Oh
Nana-nana-nana-nana (Hold it)
Nana-nana-nana-nana-na
Na-na-na-na-na
Na-nana-nana
My face is the front of shop
My face is the real shop front
My shop is the face I front, front
I’m real when I shop my face
So you must be the one
That I’ve seen in my dreams
Come on, touch me
Set my spirit free
Oh, test me
Do you feel what I feel?
Do you see what I see?
Oh, reduce me to nothingness
Yes, yes
My face is the front of shop
My face is the real shop front
My shop is the face I front, front
I’m real when I shop my face
And you know what I want
My face is the front of shop
So give me what I want
My face is the real shop front
I said everything I want
My shop is the face I front
So give me what I want
I’m real when I shop my face
And you know what I want
My face is the front of shop
So give me what I want
My face is the real shop front
I said everything I want
My shop is the face I front
So give me what I want
I’m real when I shop my face

Every time you come too close
Every time you come
Every time I loose my way
Every time I loose
Someone take my hand
Because I can feel myself
Dying inside

Houve uma vez um rei que disse aos sábios de sua corte:

– Estou fazendo um lindo anel. Tenho um dos melhores diamantes possíveis. Quero manter escondida dentro do anel alguma mensagem que possa me ajudar em momentos de total desespero e que ajudará meus herdeiros e aos herdeiros de meus herdeiros para sempre. Deve ser uma pequena mensagem para que ela caiba no anel de diamante.

Todos os que ouviram ao rei eram sábios, grandes eruditos. Eles poderiam ter escrito grandes tratados, mas deveriam que escrever uma mensagem de não mais do que duas ou três palavras que o ajudasse em momentos de desespero total. Eles pensaram, procuraram em seus livros, mas não conseguiram encontrar nada. O rei tinha um servo idoso que também fora servo de seu pai. A mãe do rei morreu cedo e este servo cuidou dele, portanto, ele o tratava como se pertencesse à família. O rei sentia um imenso respeito pelo velhinho, então ele também o consultou. E o velho senhor disse:

– Não sou sábio, nem erudito, nem acadêmico, mas conheço uma mensagem. Durante a minha longa vida no palácio, conheci todo tipo de pessoas e uma vez conheci um místico. Eu era o convidado de seu pai e estava a seu serviço. Quando ele saiu, como um gesto de agradecimento, ele me deu esta mensagem – o velho escreveu em um pequeno pedaço de papel, dobrou e deu para o rei. Mas não leia, ele disse, “mantenha-na escondida no anel. Abra-a somente quando você sentir que tudo deu errado e quando não encontrar saída para sua situação”.

Esse momento não demorou muito para chegar. O país foi invadido e o rei perdeu o reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e seus inimigos estavam perseguindo ele. Ele estava sozinho e os perseguidores eram numerosos. Chegou a um lugar onde a estrada terminava, não havia saída: na frente havia um precipício e um vale profundo. Mais um passo e seria o fim. E ele não podia voltar porque o inimigo estava bloqueando seu caminho. Ele já podia ouvir os cavalos trotando. Ele não podia seguir em frente e não havia outro jeito…

De repente, ele se lembrou do anel. Abriu-o, tirou o papel e lá encontrou uma pequena mensagem tremendamente valiosa: “isto também passará“.

Enquanto lia “isso também passará” ele sentiu um grande silêncio pairando sobre ele. Os inimigos que o perseguiam devem ter se perdido na floresta, ou deviam estar errados, mas a verdade é que pouco a pouco ele parou de ouvir o trote dos cavalos.

O rei se sentiu profundamente grato ao servo e ao desconhecido místico. Essas palavras foram milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou o reino.

E no dia em que ele entrou vitorioso novamente na capital houve uma grande festa com música e danças. E ele estava muito orgulhoso de si mesmo. O velho estava ao seu lado no carro e disse:

– Este momento também é apropriado: olhe novamente para a mensagem.

– Que queres dizer? O rei perguntou. Agora sou vitorioso, as pessoas celebram meu retorno, não estou desesperado, não estou em situação sem saída.

“Ouça”, disse o velho, “esta mensagem não é apenas para situações desesperadas. É também para situações agradáveis. Não é só quando você é derrotado. É também para quando você se sente vitorioso. Não é só para quando você é o último. É também para quando você é o primeiro. O rei abriu o anel e leu a mensagem: “Isto também passará” e novamente sentiu a mesma paz, o mesmo silêncio, em meio à multidão comemorando e dançando, mas o orgulho, o ego, tinha desaparecido. O rei poderia terminar de entender a mensagem.

Então o velho disse-lhe:

– Lembre-se que tudo passa. Nada ou nenhuma emoção é permanente. Como dia e noite, existem momentos de alegria e momentos de tristeza. Aceite-os como parte da dualidade da natureza porque eles são a própria natureza das coisas. Lembre-se de que tudo o que é circunstancial, passa. Seja porque fica para trás ou porque você se acostuma – lembrou o velho criado – Só fica você, que permanece para sempre.

Quando eu não sei exatamente por onde começar eu geralmente tenho começado por dentro. Estou em uma semana ovulatória. Quando ovulo e vivo o arquétipo Mãe, me torno um outro tipo de pessoa. Sempre busquei personagens externos para compôr as histórias da minha vida. Faz pouco tempo que percebi que tenho mais personagens dentro de mim que jamais poderia imaginar. A Mãe é a doadora infinita. Estou me percebendo numa época em que eu não tenho medido esforços para ser o suporte de pessoas que nunca imaginei que eu pudesse querer ajudar. Que nunca sequer mereciam minha ajuda. Em um dos casos, uma indiferença e inaptidão completa, de alguém muito mais jovem que eu, que não poderia me ajudar de qualquer modo. No outro caso, alguém que cuspiu em mim boa parte da vida e que, até pouquíssimo tempo atrás, fazia pouco caso de absolutamente tudo o que tenho me tornado. Eu lembro. Me lembro bem, de tudo o que foi dito, de tudo o que foi feito. E eu resolvo, conscientemente, ajudar, estender a mão, dizer sim, que aqui dá, que aqui você pode, eu te ajudo, conte comigo para o que precisar, estou disponível. Porque eu posso. Porque é disso que sou feita.

 

Ofereço esse suporte porque eu mesma não o tive na época em que mais precisei – assim como essas pessoas estão precisando dessa energia agora. Meu chão cansou de ser retirado de debaixo dos meus pés, repetidas vezes. Tive meus próprios desígnios e desejos extirpados de mim incontáveis vezes, em favor de outros, em favor dos outros, de desejos que nunca eram os meus – e sequer me davam espaço pra saber quais eram os meus próprios. Eu era pura forma, onde preenchiam sempre com o que bem queriam e entendessem. Hoje sou eu quem transborda, quem não tem limites. E a minha falta de limite chega a esse extremo: o de me rachar completamente para que a luz possa entrar e assim irradiar. Sem restrições, sem condições, oferecendo o que for possível oferecer, sem esperar por absolutamente nada em troca. Irrestrita, incondicional, sem limites, sem passado, nem futuro algum, apenas esse agora inescrupulosamente amoroso. Chuto a porta do sol em peixes com os dois pés e assim abro mais essa temporada. Esse sol pisciano sou eu, é a minha essência e é assim que eu me movo. E transpareço isso tudo ao modo do meu ascendente, cravado em pele, para que eu não me esqueça de suas lições, capricórnio: trabalho, currículo, disciplina, restrição. O fazer, o criar, o materializar.

 

E eu materializo, sim. Mas não sem sentimento, não sem um significado que eu sei bem qual é, porque ele é meu.

 

Porque ele sou eu.

 

Vou ajudar sim, irrestritamente, neste sentido. Sem nunca me cansar, sem nunca dizer não, sem pensar duas vezes. Vou bancar essa estrutura, sem reclamar, sem sequer me achar injustiçada. Porque na grande teia, eu sou esse fio. Porque na grande engenharia, eu sou essa engrenagem. E saber exatamente qual é o meu lugar, me confere cada vez mais sustentação e me imprime cada vez mais potência. Me torno grande, me faço imensa, como jamais quiseram que eu fosse (aquela mulher, a mulherzinha). De onde estou, não me reduzo mais. Nesse mundo áspero, obscuro e hostil, vou fazer a caminhada de quem estiver a minha volta e de quem pegar na minha mão, ser sim mais leve.

 

É essa a forma que eu me expresso e é isso o que eu sou, quando estou no meu centro, na minha autonomia e com plena soberania sobre mim mesma. Eu estou aqui pra isso. Então que seja.

 

 

(Vênus e Lilith em peixes)

Lonely, lonely, lonely, lonely, lonely world
Casts a shadow on the shallow love it hurls
To the feet of swine it need not cast its pearls
Lonely, lonely, lonely, lonely, lonely world
And the sound of the void
Flows through your body undestroyed
And the sound of your voice
Flows from your body, white as noise
And the void speaks to you
In ways nobody speaks to you
And that voice fills the air
Fog in the morning going nowhere
Lonely, lonely, lonely face under a veil
After all the laughter, emptiness prevails
Born into this world with no consent or choice
Lonely, lonely, lonely, lonely, lonely, lonely
Hoje fui na zona norte só com o GPS do googlemaps buscar uma compra que fiz na zona cerealista e não me perdi, nem peguei entrada errada, nem nada. Acho que estou virando mocinha. Parece que depois de 8 anos de São Paulo eu finalmente estou conseguindo identificar os corredores, as marginais e as radiais da megalópole e como eles funcionam. Tenho conseguido codificar datas, horários, climas, condições e deslizar pelo trânsito sem maiores problemas, indo sempre devagar porque já tive pressa, etc. E continuo sem medo.
 
Na verdade bem pelo contrário: cada vez mais fico com a impressão de que São Paulo é, na verdade, um grande fazendão com uns prédios feios e invasivos no meio. Tenho feito um exercício de mapear na minha memória o cheiro dos lugares por onde passo com certa frequência: as plantas do parque Trianon-Masp pela Alameda Santos, os eucaliptos cheios de orvalhos que me recepcionam toda vez que saio da Consolação e entro na Rebouças, o cheiro das águas frescas do Ibirapuera… Gosto do cotidiano, da repetição, do familiar, desses mesmos lugares. São sempre os mesmos mas todos os dias são como se fossem novos pra mim.
 
Quando eu era mais novinha e ainda tinha muito medo da maioria das coisas, enxergava a cidade como “a grande selva de pedra” que me engoliria em menos de 3 meses. A cidade ainda assusta em muitos sentidos, nada que eu não encare, mas essa sensação – de que não sei lidar com o imensurável – não existe mais. A sensação de hoje é a de que eu caibo aqui e agora tenho me posto a imaginar como deve ser o ‘resto’ do mundo. Ainda acho um pouco que os outros lugares devam ser obscuros também, com grandes selvas de pedras, mas essa é uma impressão passageira. A verdade é que o mundo inteiro deve ser mesmo um fazendão velho sem porteira, com pequenas grandes variações aqui e ali. Mas a real mesmo é que c’est tout la même chose, pra não dizer outra coisa.
 
A verdade mesmo é que algumas coisas não mudam, não importando muito pra onde eu vá. E eu não me importo muito em ir, desde que eu vá de moto.

I

Esses acordes sempre estarão aqui e, por algumas vezes, eles serão tocados ao longo da minha vida.

II

Relataram sobre um término de namoro de 2 anos, onde a pessoa morou com a outra e foi um fim bastante nefasto. Terminaram “se amando”, como se isso fosse possível. Conheço o nome desse filme. Ela saiu do local, no entanto levou consigo coisas de uso mútuo: colchão e roupas de cama. Saiu com pouco e, no momento, tem menos ainda pra comprar qualquer coisa nova que seja. Os outros sugeriram algumas limpezas pra ela, energeticamente: banho de anis, lavar os pertences com sal, reiki, defumação, colocar ao sol..

III

“O que você fez com aquela camiseta que eu te dei? Certamente você colocou fogo nela. Você tem motivos para isso. Eu sei disso. É o que eu faria.”

IV

“Vocês sabem de alguma limpeza boa para tirar a energia desses objetos?”.

Eu sei.

Queime-os.

V

Você me teve muito tempo antes que eu mesma tivesse. E este era nosso único tipo de linguagem.

Esta, é a sua herança.

VI

É meu dever conviver com esses acordes – que são persistentes mas que vão ficando cada vez mais tênues – até o fim da minha vida. Eles jamais deixarão de ser o que são, tocarão sempre do mesmo modo, todas as vezes. São absolutamente previsíveis.

VII

Não há espaço para nós e, acredito, nunca houve. Nem nunca haverá.

Mas há espaço para isto.

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