por Celso Martins, no jornal A Notícia
Fábrica mantém receita há 63 anos
Mistura de açúcar e coco é a fórmula dos populares tabletes Dalva
Florianópolis, década de 1920. O jovem Alberto Henrique Schütz começa a traballhar em uma fábrica de balas de coco de propriedade de Rodolfo Hickel, localizada na rua Almirante Lamego, defronte à atual Caixa Econômica Federal. Trabalhador aplicado e pontual, foi subindo na hierarquia da empresa até chegar ao cargo de mestre-de-produção industrial, onde permaneceu até 1943, quando a Segunda Guerra estava em andamento. “Meu pai não chegou a ser perseguido, mas algumas famílias de origem alemã da região da rua Almirante Lamego sofreram bastante e muitas pessoas chegaram a fugir para Palhoça e outros locais, onde se esconderam”, recorda Alberto Schütz Júnior (Nêne), filho do fundador da fábrica de balas e tabletes Dalva. “O produto era feito artesanalmente”, lembra Nêne, e o antigo empregador de seu pai não chegou a sofrer com o novo concorrente, “pois a população estava crescendo e muitos imigrantes chegavam devido à guerra”, recorda.
Em pouco tempo, o novo produto conquistou o mercado, atraindo crianças e adultos, situação que se manteve ao longo dos anos. A embalagem criada na época é a mesma que envolve os tabletes até hoje, nas cores amarelo e vermelho, com a seguinte inscrição: “Doce de coco em tabletes Dalva”. O sucesso do produto foi tão grande nas décadas seguintes, que surgiram pelo menos mais três fábricas de tabletes de coco, todas usando as mesmas cores nas embalagens. “Não adianta recorrer judicialmente, só se colocarem o mesmo nome Dalva”, justifica Augusto Schütz, neto do velho Alberto e filho de Nêne, a terceira geração da mesma família a cuidar do negócio. Outro problema enfrentado pela empresa é com empregados que tomam contato com a receita da bala e depois pedem demissão dispostos a abrir outra indústria do mesmo produto. “Corremos esse risco. Saber a receita qualquer funcionário sabe, mas ele vai precisar de capital para adquirir os equipamentos”, destaca Augusto.
A fábrica de balas Dalva permeneceu no mesmo endereço da rua Almirante Lamego, uma paralela da avenida Beira-mar Norte, até 2001, quando teve que se transferir de local. “O pessoal da vigilância sanitária começou a nos procurar, sob o argumento de que a cidade havia crescido e não caberia mais a presença de uma instalação industrial na região”, lembra o neto do velho Alberto Schütz. Além disso, as atividades no local começavam às 7 horas, quando os equipamentos eram ligados e a produção começava, com todos os barulhos que isso implica. Em represália, alguns moradores dos prédios vizinhos passaram a jogar objetos no telhado, incomodando os operários e danificando a cobertura. Foi quando a família se reuniu e resolveu instalar a unidade no número 349 da rua Arno Eleotério dos Santos, em Biguaçu. “Só estamos aguardando o sinal verde para nos instalarmos no futuro Distrito Industrial de Biguaçu, quando poderemos nos livrar do aluguel que pagamos por este espaço que ocupamos”, explica Augusto. Nas futuras instalações será possível adquirir novos equipamentos e ampliar um pouco mais as vendas dos tabletes Dalva – o principal produto – e das balas queimadas com amendoim torrado.
Produção artesanal se manteve até os anos 90
Até 1990, toda a produção era totalmente artesanal. O coco ralado era colocado em uma caldeira alimentada com lenha e mantido assim por cerca de uma hora e meia a uma temperatura de 180 graus. Depois a massa era espalhada manualmente sobre uma mesa, onde permanecia por entre 15 e 20 minutos para esfriar, ficando pronta para ser cortada em pedaços (tabletes). Mais tarde, elas eram embaladas uma a uma. A situação começou a mudar no final da década de 1990, quando Nêne, filho de Alberto Schütz, começou a pensar em mecanizar a produção, tendo ido a São Paulo adquirir um equipamento para embalar os tabletes. Outros maquinários foram sendo comprados com o passar dos anos, até a fábrica chegar ao estado em que se encontra atualmente.
“A primeira fase da elaboração das balas continua como antes. A diferença é que possuímos uma máquina para cilindrar ou prensar a massa, que já corta os tabletes no tamanho padrão de 3,5 centímetros de comprimento. O passo seguinte é a embalagem automática”, lembra o funcionário mais antigo da fábrica, Israel I. Florindo, 42 anos, desde 1981 na atividade. Atualmente, a fábrica consegue produzir cerca de 300 quilos diários de tabletes, podendo chegar a até 700 quilos com a mesma infra-estrutura. Para produzir mais serão precisos novos equipamentos, “sem que isso signifique a perda da qualidade”, assinala Augusto Schütz. Se isso vai ser feito ou não, só será possível saber depois que a unidade estiver instalada no Distrito Industrial de Biguaçu.
O pai de Augusto, Nêne, não acredita muito que a ampliação da produção garanta a manutenção da qualidade, mas deixa para o filho a tomada de qualquer decisão neste sentido. Tendo começado a atuar na fábrica com 19 anos de idade, em 1962, Nêne enfrentou diversas dificuldades para manter a produção, tendo também providenciado a troca da denominação do tablete. De “Bala de Coco Dalva” passou para “Doce de Coco em Tabletes Dalva”, mas “sem mudar em nada sua fórmula original de fabricação”, enfatiza.
Distribuição é restrita à Grande Florianópolis e Sul do Estado
O quilo do tablete Dalva é vendido atualmente por R$ 6,90. Se o produto for levado para ser vendido na capital paulista, por exemplo, o preço subiria para R$ 9,00, devido ao frete, e não conseguiria competir com similares fabricados na mesma cidade. “Por esse motivo as balas são distribuídas apenas na região de Florianópolis e em cidades do Sul do Estado, como Tubarão e Criciúma”, explica Augusto Schütz. Depois de prontos, os tabletes são colocados em embalagens de um quilo e de 1,8 quilo, seguindo então para cerca de 50 distribuidores que os deixam em aproximadamente 650 pontos de venda da Grande Florianópolis e nas cidades do Sul do Estado. A opção pela permanência no mesmo mercado tem outras razões, segundo o jovem empresário.
“Nossos tabletes são feitos de coco puro e têm o mesmo sabor desde que a fábrica foi criada pelo meu avô”, salienta. “Os concorrentes”, observa, “misturam essência de coco e farinha de trigo, o que altera o sabor. Como estamos com a mesma fórmula ou receita de quando a atividade se iniciou, confiamos na qualidade do produto e suas vantagens.” Além da entrega aos distribuidores, a fábrica realiza vendas diretas, recebendo pedidos através de cartas, e-mails e ligações telefônicas. “As pessoas pedem dois ou três quilos, mas não podemos enviar”, observa Augusto. Entretanto, dezenas de pessoas com parentes em outros Estados aparecem na fábrica de balas Dalva antes de viajar para adquirir os tabletes e levá-los de presente.
O fundador da unidade, Alberto Schütz Júnior, viveu tempo suficiente para ver todas essas transformações (maquinários) e permanências (fórmula), além de acompanhar os esforços do filho Nêne e agora do neto. Morreu em maio de 2004, com 92 anos de idade, tendo deixado uma herança para a família e uma deliciosa tradição para os consumidores privilegiados de Florianópolis, onde suas balas podem ser encontrados em diversos pontos.
Quinta-feira agora estarei viajando pra Campo Grande, novamente. Não digo isso com ânimo, mas com um certo tédio/indiferença mesmo. Mas dessa vez o motivo que me leva pra lá são algumas pedras que tenho na vesícula. Vou tirar a vesícula dia 31 pela manhã. Vou passar alguns dias lá e vejo se faço algumas coisas importantes nesse meio tempo, como rever meus padrinhos, rever uma ou duas pessoas com quem (ainda) me identifico, ir na feira, ir no China In Box (velha história). Cada vez menos eu culpo a cidade pelas coisas que me aconteceram… E isso é bom, acho. Não sei. A essa altura da minha vida isso não me importa mais. Mesmo. Não moro mais lá e não pretendo voltar.
Mas ainda assim, não me animo muito em ir pra lá não. Na verdade, não me animo nada. A perspectiva de rever algumas pessoas não me agrada muito. Por isso digo que não sei se vou querer sair, nem ir pra festa/bar/whatever nenhum. Quero cada vez menos festa e cada vez menos agitação. Chega. Não estou mais com saco, nem com idade pra isso. Estou com preguiça das pessoas, de quase todas elas. Só se for algo muito divertido, sei lá.. O que acho difícil. Não estou mais bebendo.. Aliás, nem vou poder beber de qualquer forma, pois vou estar operada mesmo… Mas enfim, preguiça de tudo, das pessoas, da maioria dos lugares, etc.
Além da extração da vesícula, vou ver também se consigo nesse período o sobrenome do meu pai. Aproveito a estadia e já renovo todos os documentos que eu tiver em mãos, etc. Acho que vai ser uma semana muito prática, apesar de eu ter que ficar “meio que” de repouso por causa dos 3 furos na barriga. Enfim… Vamos ver o que eu consigo resolver.

Foda-se o róquenrou, as festas, as mulheres e as drogas! Vou prestar concurso público e me realizar como ser-humano!
[por @interaubis]
Um dos maiores medos que tenho na vida, antes mesmo que o medo primordial de morrer, é o medo de engravidar. Tenho muito medo mesmo, um verdadeiro pânico só de pensar na situação. Se o medo de morrer é (bem) menor do que o medo de dar a vida a alguém, vocês podem então imaginar o meu medo. Felizmente existe a pílula anti-concepcional e isso faz de mim uma mulher muito feliz e realizada. Com menos medo, com certeza.
Decidi definitivamente por não ter filhos há pouco tempo atrás. Sim, o definitivamente é pra irritar mesmo.. Sei que nada é definitivo, mas… Pra mim, por hora, é. Hehe.. A vida é feita de escolhas e essa é uma das minhas. Tenho vários motivos pra não querer engravidar e irei numerá-los por aqui.
Acho que não possuo o que chamam de “instinto materno”. Não o possuo e não pretendo desenvolvê-lo.
Um dia já me disseram com todas essas palavras “acho que você seria uma boa mãe”. Na verdade eu não sei o que ele quis dizer com aquilo. Quis concordar e acho que por dentro concordei, mas por fora me censurei. E continuo me censurando. Sim, talvez eu fosse uma boa mãe. Talvez.
Mas realmente eu percebo que a minha vida não está rumando pra isso. Já tenho 25 anos, percebo que não vou casar tão cedo e que também não vou ter espaço na minha vida pra filhos. E mesmo que eu tenha espaço: não quero, não tenho essa vontade. Acho triste por um lado, mas por outro acredito que não se pode ter tudo. E a minha escolha já está feita. E quem quer que apareça terá de se adaptar à ela, se quiser conviver comigo.
“Acho que você seria uma boa mãe”. A frase martela pesadamente no fundo minha cabeça. Olha, sinceramente… Eu não tenho jeito nenhum com crianças. Nunca tive. Nunca soube lidar com elas e nem fiz e nem faço questão. Prefiro ignorá-las na maior parte das vezes. Eu não sei conversar com elas, não sei como tratá-las. Sou um verdadeiro fracasso nesse sentido. Não tenho paciência, nunca tive, nem com minha irmã menor, que sofreu muito nas minhas mãos.
Mas existem outros motivos sim… Motivos que tem a ver comigo.
Devo ter sido uma criança que não deu muitos problemas pra minha mãe, acho. Mas a partir dos meus 12 anos, fui uma pré-adolescente/adolescente muito problemática e lembro muito bem o quanto a minha mãe sofreu por isso. Na minha concepção, e pelo que pude observar, ela mais sofreu do que teve alegrias comigo.
Minha mãe é uma pessoa muito, muito estranha. O objetivo de vida dela é conciliar uma carreira cheia de compromisssos, com uma vida familiar intensa. Duvido que alguma vez ela tenha falhado na primeira, mas quando ela sente que falha na segunda (mesmo que não tenha falhado), ela sofre imensamente. E claro, me culpava (direta e indiretamente) pelos sofrimentos dela. E eu, adolescente que não sabia das coisas, carreguei a culpa por todos os sofrimentos dela por muitos e muitos anos..
Hoje não faço mais isso. Os sofrimentos são dela, não meus. As culpas, idem. Hoje consigo identificar prontamente quando ela quer jogar algum sofrimento ou culpa pra mim.. Chega a ser infantil a forma como ela faz isso, mas na mesma hora eu faço com que ela note e reconheça esse erro de comportamento. E hoje em dia ela se irrita, por que eu detecto as intenções dela de me usar como bode expiatório dos problemas que ela não consegue resolver consigo mesma. Enfim… Histórias dentro de histórias.
De qualquer forma, a possibilidade de eu ter uma filha como eu mesma, me irrita bastante só de imaginar. Mesmo tendo me livrado de boa parte das culpas da minha mãe, ainda penso que dei “muito trabalho” pra ela por que vivenciei muitos dos seus sofrimentos, mas a bem da verdade é que eu fui uma adolescente como qualquer outra, com coisas boas e ruins. Não vou entrar no mérito de como foi a minha criação por que senão o post vai ficar mais longo do que já está e esse texto vai sair do foco mais do que já saiu.. Enfim.
Existe uma outra pergunta que me intriga bastante… Quem seria o pai da criança? O pai do meu filho/a?
Bem, atualmente estou solteira. E me vejo solteira por mais uns 5 anos, tranquilamente. A possibilidade de eu engravidar hoje é nula tanto por que estou tomando pílulas, quanto por não ter vida sexual ativa. Previsão de estabilidade emocional? ZERO. Previsão de estabilidade financeira? IDEM. Se não tenho previsão dessas duas coisas, se nada nessa vida me dá o mínimo de segurança, por que diabos eu colocaria a vida de uma pessoa que nem existe em risco por isso? Não sei… Isso não me parece justo. Nem certo. Por isso me cuido tanto pra que isso não aconteça, mesmo que “sem querer”.
E aliás, pra mim, não existe isso de “sem querer”, de “acidente”.
Existe camisinha, pílula anti-concepcional e pílula de emergência.
Não existem “acidentes”.
Existiam acidentes, há sei lá… 50 anos atrás. Hoje, não.
Vou soar muito escrota no próximo post, mas enfim…
“I don’t mean to sound bitter, cold, or cruel, but I am, so that’s how it comes out.”
Quem irá ficar com o corpo todo deformado, quem irá carregar, passar noites sem dormir e sofrer pra parir a criatura sou EU, então a culpa pelo “acidente” é toda minha. Homens são homens… Irresponsáveis por natureza, ainda mais relativo à essas coisas. Não acho que os homens devam ser responsabilizados pelo que simplesmente não lhes diz respeito… Ainda mais quando eles nem mesmo tem noção de como é isso (estar grávida).
A responsabilidade é toda da mulher. Isso de “mas nós fizemos isso juntos” é conversa pra boi dormir. Toma pílula, sua imbecil irresponsável. A não ser que você realmente queira agir de má fé, o que eu acho uma cagada igualmente fenomenal.. Mas aí é outra história.
Soei machista? Pois bem… Fazer o quê, né?
Mas voltando à questão de não querer ter filhos, pra mim não é tanto uma questão de “ser egoísta” (pfff…), mas eu acredito que na época que eu realmente começar a curtir minha vida como ela deve ser curtida (lá pelos 35~40 anos) eu não quero ter impedimento nenhum pra nada: viagens, compras, mudança de cidade, mudança de apartamento, o que for. Quero poder fazer o que quiser sem ter ninguém dependendo de mim pra isso.
Sendo muito otimista (e talvez ingênua, como sempre), a minha previsão é de até os 35 ter “terminado meus estudos” (como se isso fosse possível algum dia na vida…) e depois que eu atingir uma certa estabilidade, viajar pra lugares diferentes que eu não conheça. Ou ainda, viajar para os mesmos lugares, só que várias vezes seguidas. Afinal, a probabilidade é de que eu continue solteira pro resto da vida e só trabalhe mesmo. Eu sei que esse é o meu destino. Já aceitei isso. Pois bem. Paciência.
Esses dias conversando com um amigo ele me disse que tem gente que pergunta pra ele: “e quem vai cuidar de você quando você estiver velho?”. Resposta dele: “Essa não cola. Tenho primos e alguns já tem filhos. Seja um ‘tio’ legal e também tá valendo. Na pior das hipóteses, vou pra uma casa de repouso da vida. Bem mais barato do que criar filho”. Pois é. Penso que a minha irmã terá muitos filhos por mim.. Então prefiro me preservar bem pra poder estragar todos os filhos dela.
Voltando a falar da minha mãe, a cobrança por parte dela para que eu tenha filhos é outra coisa que me irrita muito. Acho que se minha mãe quer tanto bebês assim, ela deveria adotar mais alguns e não ficar me importunando com isso.
Um dia eu peguei minha mãe na curva com essa história de “netos”. Ela veio cheia de graça pra mim, como sempre vem, com essa de “E os meus netinhos? Mimimi… Queria tanto netinhos…” e eu comecei então uma discussão, falando que não quero ter filhos, que não é pra mim, não tenho o perfil, etc. E então ela começou a discutir comigo como se não houvesse amanhã e eu, bem… Eu fiquei quieta né? Fiz cara de Monalisa até ela encher o saco de ficar reclamando a toa…
Aí esperei ela se acalmar, aquietar… PARAR de falar. Olhei pra ela com o meu olhar mais profundo e falei no tom mais sério que eu consegui fazer:
“Mãe: e se eu te dissesse que eu estou grávida, agora mesmo. Que eu estou esperando um filho, um neto, SEU neto, que vai nascer daqui uns 6 meses… Você iria gostar?”
Aí ela me olhou… olhou… pensou.. e respondeu: “Não”.
Aí eu falei “Ok, mãe. Obrigada”.
Mas é ÓBVIO que ela se borrou quando eu falei que podia estar grávida. Ficou pálida com a possibilidade de ser avó e com a possibilidade de o que eu tinha acabado de dizer ser verdade. Foi engraçado. Mas não, não era verdade… Eu nunca engravidei e nem pretendo. Não sou imbecil nem louca de jogar o que me resta de vida fora. Mas a pressão pra parir no meu caso é muito maior por eu ser mulher. Acho isso ridículo, mas já fiz minha decisão. E a minha decisão consiste em alguns fatos irrevogáveis que vou ter que carregar, pro resto da vida:
Eu serei a única mulher da minha família que irá “ficar pra titia”.
Meu pai não vai me levar em altar nenhum e eu não irei engravidar.
Minha existência enquanto mulher será seriamente e socialmente comprometida, pela minha decisão.
Eu serei MENOS mulher dentre todas as mulheres.
Não cumprirei meu propósito biológico para com a existência.
Serei pra sempre uma solteirona e daqui alguns anos serei vista como uma leprosa pra sociedade.
Pois bem… Essas coisas acontecem.
Boa parte das pessoas acredita que as mulheres que não têm filhos são necessariamente amargas. Não diria amargas, mas sim, talvez elas não sejam lá muito amáveis.
E como eu já não sou amável de qualquer forma, não seria um filho que me faria ser.
A verdade é essa.

- Dora, posso te perguntar algo? Constrangedor.
Dora: Claro que pode.
- E tipo, eu vou perguntar, e nunca mais tocamos no assunto. Pode ser?
Dora: Poxa.. Nunca mais é meio pesado. Mas, enfim.. ok.
- Certo. Pergunto pois nunca reclamaram, mas agora fiquei complexado, fui pesquisar, vi que é comum hoje em dia e eu devo ser bem atrasado. Um cara do trabalho estava falando em aparar a virilha. Adequado? Como faz? Sabes disso? Achei que poderias saber, já que tu é mulher, por mais que err… Tu seja mulher. Enfím, entendeu.
Dora: Olha cara, é super aconselhavel.. Te digo viu?
- Pois é, estou pesquisando e já me convenci.
Dora: Claro que você não vai raspar como uma mulher, a não ser que você queira. Mas pelo menos os caras com quem conversei, eles morrem de medo de qualquer objeto cortante ou perfurante que chegue muito próximo da virilha… rs
- Mas então, aparar. O quanto tu acha “interessante”?
Dora: Ah, isso só vc vai saber. Corta curtinho oras. Isso é meio difícil de mesurar..
- Pois é. Não sei o quanto é curtinho. E tenho medo de fazer besteira. Falei com um amigo e ele disse que encosta na pele e corta, daí fica bem curto.
Dora: Bem, é uma técnica, a do seu amigo. Particularmente, enquanto mulher detesto pelos de qualquer natureza. Tipo, eu tiro tudo.. Então pra mim não existe o ‘curtinho’.
- É que pelo que li, gurias falando, a maior parte gosta de um pouco. Que o.. Bem… Fique visível, você sabe. Mas elas não dizem o quanto. Complicado isso.
Dora: Ah.. Depende. Na hora eu não costumo notar muito isso não. Mesmo por que, acho homem pelado uma coisa muito feia.. hahaha.. É difícil explicar meu sentimento, na verdade… Acho feio e bonito ao mesmo tempo, mas enfim… Não fico reparando.
- Heh. Bah, só fiquei mais confuso.
Dora: Não sei, minha opinião é muito diferente das gurias no geral, mesmo por que eu sou muito esquisita. Mas enfim, corte. Tente uma vez. Se não gostar, deixe crescer.. E vai tentando de novo.. Até vc se sentir confortável..
- E tá, aparar a região, é só a região né? Tenho medo até qual ponto se deve cortar, heh.
Dora: Uma coisa é importante: se vc não se sentir confortável, não faça. E cara, só corte a parte de cima.. Não tente cortar na parte de baixo pois pode ser uma tragédia. Assim, eu acho interessante.. Mas tb acho que o cara tem que ter muuuita coragem pra depilar o saco.. Muita mesmo.
- Heh. Dá pra cortar o excesso.
Dora: Heh, sim.. Mas todo cuidado será pouco. Não sei qto a maioria das meninas, mas enfim.. é tão simples.. acho mais higiênico ficar sem pêlos. Bem melhor.. Mas confesso que cera é uma tortura medieval.. Usei algumas vezes mas pra nunca mais. Me dou bem com gilete e pinça.
- Então, depilar é foda… Mas gastas um bom tempo nisso né? Mas não volta a crescer rápido?
Dora: Ah, volta.. Mas aí paciência né?
- Ahn, isso é outro medo, começar a cortar não vai começar a crescer mais? Mais demais eu digo.
Dora: Não moço.. Começa a crescer normal.. Não existe isso de crescer mais.
- Ahn, ótimo. Vou testar hoje então, heh. Antes do banho.
Dora: Boa sorte.. vc vai estranhar no início, mas depois se acostuma.
- Eu pensei também em máquina de barbear, deixa um 3 ou 4, poderia ficar legal. Mas como não tenho máquina, só o pai… Não rola. Mas enfim.. Fiquei cabreiro agora com este lance de aparar, nunca tinha pensado nisso, daí hoje fui bombardeado com a novidade. E pensei que pode ser interessante, mudar, ainda mais que tenho possibilidades sexuais próximas. E também por isso estou cabreiro de fazer merda e ficar ridículo…
Dora: Ai, desculpa mas tô rindo muito aqui.. Por que tipo, parece que tu fez a descoberta do século tá ligado? E sei lá, eu me depilo desde sempre.. Então pra mim fica engraçado ler essas coisas.. Enfim.. Não vai ficar ridículo moço.. Tu só vai te sentir estranho, mas é normal..
- Poxa, mas pior que pra mim foi a descoberta do século! Eu nunca tinha nem pensado nisso cara. E achava que tosar as partes fosse algo extremamente metrosexual..
Dora: Ela não vai reparar. Eu prometo pra ti isso. E não é metrossexual. Seria se vc se preocupasse além da conta. Mas não é o caso. É uma questão de higiene, acho… E de preocupação com a parceira.. Apesar de que, a maioria das garotas não nota.. Só nota se vcs estão trepando há séculos e ela conhece cada centímetro do seu corpo. Which is not the case.
- Ótimo. Ultima pergunta. Pois sim, estou adoidado em fóruns. E vi uns tantos comentando….
Dora: Sim?
- Embaixo do suvaco não precisa né? Tipo, não sou mega peludo, não é um tufo nem nada…
Dora: Menino, por favor.. NÃO FAÇA ISSOOO… NÃO!!!
- UFA!!!
Dora: NÃO!!!!
- OBRIGADO!!! \o/
Dora: NEM PENSAR!
- Era isso que eu queria ouvir…
Dora: PARE JÁ! NÃO!!!! DE NOVO, pra gravar bem: NÃO FAÇA ISSO!!!!!!
- Anotado.
Dora: Garoto, te digo: VI-A-DA-GEM. PURA. Não faça! Não faça… Se vc fizer isso perderá boa parte de sua masculinidade.
- Mas uns caras tavam falando com tanta convicção… E como eu já descobri algo hoje, vai que este fosse outro algo…
Dora: Não cara.. Não acredite neles. Eles estão errados. Eu estou certa. Mané raspar axila… Isso não se faz!
- Ainda bem que não sou peludo.. Ia odiar ter peito cabeludão. Não gosto de pelos também, por constagem. Por isso gostei de descobrir que aparar ali em baixo é legal..
Dora: Mesmo que fosse peludo! Isso não se faz com homem nenhum!!! Aliás, com homem (hetero) nenhum! Aparar a virilha tudo bem, mas quanto a raspar qualquer outra parte… Não. Só se vc for nadador ou ciclista profissional.. Por que eles precisam mesmo.. Não é por vaidade. Outra coisa que eu não deixei claro: eu não gosto de pêlos em MIM… Mas em homens.. Ah, é homem né? Homem tem que ter pelo mesmo.. Acho um nojo aqueles corpos de gogo boys, lisinhos..
- Certo, vamos repassar as notas: 1. cortar tesoura rente a pele (espero que fique visível que há algo ali mesmo); 2. parte de cima, excesso de baixo se achar que precisa. E só. Aqueles poucos pelos em baixo do umbigo é tranquilo né?
Dora: Não, não.. deixa como está. Não mexa.

- Ótimo. Valeu pelos conselhos. Serei um homem mais… menos… menos peludo? John Lennon que não depilava…
Dora: Ah.. Olha.. Você será um homem que facilitará o serviço pra moça.
- Sério, mesmo na imagem grande parece que ele não tem pau cara. Tá escondido na mata. Então, ele era meu exemplo de homem pelado normal. Fora isso só filmes pornôs, que eu achava que fossem a excessão…
Dora: Olha, o Lennon nessa foto é um homem pelado normal natural.. que nunca se depilou nem nada..
- Eu só pensava “Poxa, pelo menos o meu é visível, o John deve ter bem pequeno pra sumir ali no meio”..
Dora: Nas poucas pornografias que eu vi, a maioria dos caras tira tudo.. O que eu acho bizarro, mas enfim, facilita pra eles… Mas o do Lennon não aparece justamente por causa da quantidade de pelos… por incrível que pareça. Deve ter alguma coisa ali embaixo.. Mas enfim.. Aparar é saudável.
- Beleza então, vou lá.. Depois te falo como foi.
[Alguns minutos depois...]
- Nossa, muito bom o resultado! Até aumentar de tamanho “aumenta”, hahahaha…
Dora: HAHAHAHAHA! Viu só pq o do Lennon não aparecia?
- O meu que já aparecia, agora tá Ó! Heh.. Tá, pinica um pouco, mas deve acostumar né?
Dora: Sim, com o tempo acostuma..
- Bom. Sério, gostei bastante do resultado. Ficou aparecendo que tem algo ali. Sei lá, bem melhor.
Dora: Hahahaha.. Garoto animado!! Agora é só acostumar..
Ontem eu fiz algo fantástico antes de dormir. Tomei dois cálices de vinho, deitei nos meus lençóis gelados. Virei pra um lado, pra outro e não consegui dormir.
Então eu comecei a falar, em voz alta, das coisas que me angustiavam. E elas, obviamente, tinham a ver com pessoas que eu gosto. Falei tudo. Falei tudo o que tinha pra dizer. PRAS PAREDES. Pra mim mesma.
Me entediei em pouco tempo. Minhas paredes não.
Continuei falando. Falei até a exaustão, como se estivesse numa sessão infinita de psicoterapia.
ESVAZIEI os assuntos, as pessoas, as conexões, as situações. ESVAZIEI ao ponto da exaustão.
Quando fiquei exausta, dormi.
E foi o melhor sono que tive em muito tempo.
Preciso fazer isso mais vezes.
Depois de ter uma longa conversa comigo mesma sobre motivações versus hábitos, eu decidi que neste mês de agosto eu tirarei 1 hora do meu dia pra fazer caminhada, diariamente. Enquanto caminhava hoje a noite, lá pelas 23h30, passei do lado do Pida (um barzinho que é praticamente uma extensão da UFSC) e vi que estava lotado de gente, que todo mundo estava bebendo e que a igrejinha tinha virado o mijódromo oficial dos calouros. Me senti velha. Senti que não faço mais parte dessas coisas.
Não tenho nada contra festas, nem contra álcool, nem contra cigarro. Por mim as pessoas fazem o que querem com suas vidas. Mas a verdade é que as vezes me sinto inadequada por não estar wasting my youth, por não ter mais a quem provar o quão durona eu sou, o quão divertida eu sou e o quanto eu consigo beber sem começar a fazer (muita) baixaria, etc. Claro que posso sair a noite que quiser, beber o quanto quiser e enfim, me socializar, mas isso não tem mais me apetecido tanto quanto antigamente.
Sei lá, vai ver é que eu não tenho mais 18~20 anos mesmo. Sem falar que eu ando com uma preguiça mortal das pessoas. Uma preguiça crônica. Das pessoas em geral, de qualquer pessoa.
Não deveria me sentir culpada por não me estragar, mas sinto. Não sei. É uma sensação ridícula e estranha. A sensação de que “um dia estarei velha e vou perceber que não aproveitei o bastante”. Talvez. Mas acredito que eu deveria pensar menos nisso, assim como eu deveria pensar menos em várias outras coisas. Mas não consigo,.. Não consigo desligar.
Hoje a gente vive numa época em que se socializar (pelo menos na minha área de estudo) é uma das coisas mais importantes que existem. E eu me socializo, claro. Mas isso não quer dizer que eu seja uma pessoa sociável. Eu não gosto de todo mundo. Outro fator agravante é que eu não tenho muito o que compartilhar com as pessoas, ou seja, eu não sou uma pessoa interessante (ou ao menos não me considero).
Na verdade não que eu não tenha muito o que compartilhar com as pessoas… Mas o que eu compartilho não interessa à (quase) ninguém.
A maioria das pessoas que conheço e com quem me relaciono são cultas, ou seja, tem algum tipo de cultura, gostam de alguma coisa, tem alguma paixão, ou ainda várias. Pessoalmente, não me considero culta.
Acho que estou mais pra anti-cult.
Gosto das coisas que gosto, não me forço a me comportar de modo pré-determinado apenas pra conseguir me entrosar mais facilmente em qualquer circuito ou grupo que gosta exatamente das mesmas coisas. Ou de coisas parecidas, que seja.
Assim, claro… É bom quando as pessoas se identificam.
Mas é MELHOR quando isso ocorre ESPONTANEAMENTE.
Os relacionamentos hoje em dia estão cada vez mais forçados e eu acho isso um nojo. Eu não faço isso. Fazer isso, me relacionar dessa forma, quase que artificialmente, seria falta de honestidade comigo mesma (e por que não dizer, com o outro também). Essa não é a minha praia. Acho que a minha praia, na verdade, não existe em lugar nenhum. Vou ser uma eterna outsider, onde quer que eu vá, o que quer que eu faça. Nunca me sentirei verdadeiramente ACEITA em lugar algum. Enfim…
Desde a época do ensino médio e da faculdade de jornalismo que os professores recomendam “assistam filmes”. Acho que essa era uma forma deles de tentar, aos poucos, aguçar o senso crítico dos alunos de forma divertida. Eles queriam fazer de todos os alunos cinéfilos e consequentemente, críticos de cinema. Assim, eles seriam igualmente críticos com outras coisas também (na cabeça dos professores, claro).
Mas acho que ver filmes não deixa todo mundo com um melhor senso crítico… Algumas pessoas exercem o senso crítico com filmes, outras apenas se entretém e FIM.
Aceitem isso. As pessoas são assim.
Embora eu me entretenha, eu não vejo muitos filmes. Na verdade eu vejo filmes por osmose, quando alguém me chama pra assistir ou quando eu vejo “acidentalmente”. Na verdade mesmo, eu DURMO no meio da maioria dos filmes que assisto. Mas aí já é outra história. Enfim… Eu não vejo (nem vi) os tais dos filmes clássicos que “todo mundo já viu”. Mal aí, eu não faço parte do “todo mundo” então me inclua fora dessa.
Não me esforço pra ver filmes, não vou atrás, não decoro nomes de atores, diretores, cenas. Não vejo seriados e também não gosto muito de televisão. Nada contra a linguagem áudio-visual: eu só não tenho paciência com ela. Infelizmente sou bastante alienada quanto à tevê e qualquer pessoa que quiser conversar comigo sobre isso irá se frustrar bastante.
Apesar de ler mais do que a média das pessoas (acredito) não leio tanto quanto deveria. Não leio por osmose (assim como é com os filmes, etc), mesmo por que, não me considero uma analfabeta funcional: eu entendo as coisas que leio. Mas a verdade é que eu realmente gostaria de ter ‘o caminho das pedras’ pra algumas leituras, o que é bem difícil, por mais que conheçamos gente que nos indique, etc. Não é tão simples assim…
Tenho alguns livros aqui em casa que ainda preciso finalizar. Leio alguns artigos científicos, mas são todos voltados pra pesquisa. Leio monografias e dissertações por curiosidade. Mas já faz algum tempo que não me dedico a literatura mesmo, ler algo que gosto “por ler”, tipo Umberto Eco, que gosto tanto.
Eu gosto de acreditar que consumo muita música, mas a verdade é que eu sempre ouço as mesmas coisas, repetidamente. No entanto, música é uma das coisas que eu mais aprecio, que gosto de verdade. Eu não faço outras coisas enquanto estou ouvindo música, eu me dedico à ela. Ouço, percebo, ouço de novo, com mais atenção, busco por letras, busco por significado, tudo. Minha memória não é das melhores pra lembrar nomes, discos e datas, mas eu me lembro bem de faixas e melodias. Me considero mente aberta pra música, mas ainda assim tenho algumas preferências.
Perco muito, muito, muito tempo na Internet e no computador. Boa parte do meu dia, eu diria. Não tanto pra me informar, mas mais pra me comunicar mesmo. Perco meu tempo com coisas muito úteis e muito inúteis. Com coisas que nunca sei se me darão retorno ou não, mas enfim.. Acredito que ainda tenho uma visão muito limitada do que a Internet pode me oferecer, mas até então faço bom proveito do que usufruo.
Por tudo o que eu contei por aqui até agora qualquer pessoa que conviva com um pouco mais de quantidade de informação e entretenimento, irá me achar uma pessoa profundamente degenerada e triste por não ter acesso a tudo (ou quase tudo). Mas não sou, não. Não ter esse acesso não é falta de oportunidade: é uma escolha. Não sei por que sou assim, só sei que sou.
Não preciso ver vários filmes, seriados e saber de muitas coisas pra compartilhar com os outros e me sentir bem com isso. Da mesma forma que também não preciso sair a noite, beber e me esforçar pra chamar atenção de todo mundo com a minha eloqüência e com o meu bom humor, pra ser considerada ‘simpática’ por quem quer que seja…
Não quero compartilhar “coisas” com os outros, com qualquer um.
Quero compartilhar momentos e experiências, apenas com as pessoas que me são caras.
Sim, talvez eu esteja errada por me comportar assim. Sim, talvez eu tenha problemas de socialização e sei lá… Não tenha recebido muito amor na minha infância ou qualquer coisa que o valha. Mas acho que hoje em dia eu consigo me sentir bem de outras formas, com outras prioridades, outros objetivos.
Assim como algumas pessoas mais velhas que conheci, me considero satisfeita com a minha base de conhecidos/amigos e com o que eles podem me oferecer. Não acho que eu precise conhecer muito mais gente. Se eu precisar, será por algum motivo específico, profissional, etc.
E se eu conhecer alguém, espero então que seja espontaneamente.. Por acaso. E que aconteça alguma identificação que não seja superficial, nem temporal… Uma identificação que vá além de filmes, músicas, seriados, livros, etc..
Quantas exigências, né?
E eu quero algo que eu nem mesmo sei se existe.
Não é a toa que eu sou a pessoa mais solitária que eu conheço.
:]
Tenho pensado sobre isso há alguns dias mas tenho tido medo de escrever sobre. Na verdade não é bem medo, me falta mesmo coragem. Nesse mês de julho que passou eu levei uma (entre várias) bronca da minha mãe, quando nos vimos. Minha mãe sempre me dá broncas imbecis, mas essa ficou na minha cabeça justamente por que eu não consegui discutir sobre isso com ela. Ficava quieta e, por dentro, dava razão a ela. Sei que dizer isso é idiota e infantil mas me sinto incomodada toda vez que dou razão à minha mãe, secretamente. Oh, well…
O motivo da discussão é normal, um dos mesmos motivos de sempre. Ela estranha o fato de eu não estar mais tão motivada (pra fazer exercícios e emagrecer, enfim, cuidar da minha aparência) quanto eu estava no final de 2007. Ok. Minha justificativa: “eu tenho meus motivos”. Ok, isso não é o bastante pra me convencer. Além do que, a grande verdade é que os meus motivos são fajutos até pra mim mesma. No final de 2007 eu tinha algo idealizado. Algo bobo, pequeno e infantil, mas que me movia de uma forma surpreendente.
Pois bem. Acho que isso durou pouco tempo. De novembro de 2007 a outubro de 2008, se não me engano. E então, ao final de 2008, tudo o que eu tinha idealizado tornou-se outra coisa. Não posso dizer que se tornou algo bom ou algo ruim. Simplesmente não era mais o que era de início e essas coisas acontecem, as coisas são assim. Isso não é conformismo, é um fato: todas as coisas são assim, todas as coisas se transformam ou até mesmo tem prazo de validade. O que me deixa chateada é o fato de eu me mover apenas por causa de algo idealizado e não simplesmente por que devo, gosto, ou por causa de mim mesma.
Não quero ser injusta: idealizar algo, ter na minha mente a fantasia de algo bom e perfeito mudou a minha vida de forma muito brusca e profunda. Foi muito bom pra mim, por um tempo. Sei que deveria ser mais delicada com as afirmações que faço pra mim mesma, mas a verdade é que essa “fantasia” me tirou da depressão. Tirou-me de uns oito anos de depressão. Depois disso comecei enxergar as coisas de outro modo, comecei de fato a gostar mais de mim mesma. Ainda não me valorizo tanto quanto devo, mas reconheço claramente que já fiz grandes avanços.
Cuidar da minha aparência foi superficial, mas fez parte da mudança como um todo. O que me fez perceber genuinamente o quanto mudei foi quando voltei a tomar meu remédio (hipotiroidismo) e comecei a ir a todos os especialistas necessários pra manter a minha saúde em dia. Nunca tinha feito isso na minha vida, nunca tinha me interessado, nunca havia cuidado de mim mesma desta forma. Sempre que ia a médicos, era uma chateação, uma obrigação. Não gostava de me preocupar comigo mesma, não me dava valor, por mim eu podia morrer a qualquer hora.
Entendo que hoje eu também posso morrer a qualquer hora, mas a diferença é que hoje eu quero morrer bem e saudável. Eu quero uma morte digna. Enfim… Voltando ao foco: motivações.
Minha mãe chegou pra mim e falou “pois em 2007 pelo menos você tinha uma motivação… E agora, o que você tem? Por que você não faz mais as mesmas coisas? Por que você mudou?”. Sinceramente eu não soube o que responder de imediato. Tudo o que eu respondesse pra ela soaria como uma desculpa fajuta e eu SEI disso. Então eu acho que fazia cara de Monalisa e esperava ela parar de me questionar sobre a minha (falta de) motivação. Mas a grande verdade é que eu broxei mesmo. A grande broxada interna, aquela que ninguém vê mas que eu sinto.
E eu sei também que é apenas uma broxada, não tem nada a ver com depressão. Não estou “de mal comigo mesma”, nem “de mal com a vida”. Não chego nem mesmo a estar desanimada com nada, pelo contrário. Mas a realidade dura e cruel é que: A FANTASIA ACABOU. E a pergunta que eu tenho é: e agora, o que eu faço? Bem, eu sei o que fazer. Sei como agir, como me comportar. Tenho o auxílio de médicos e de pessoas que gostam de mim, mas isso não é o suficiente: preciso do meu próprio auxílio. Eu só preciso FAZER ACONTECER, o que parece muito simples quando a gente lê, mas na prática não é tão fácil.
São muitas as perguntas (idiotas) que eu tenho a fazer pra mim mesma. O que fazer quando a fantasia acaba? O que fazer quando a idealização desaparece? O que fazer quando o tesão termina, ou ainda, é saciado? Esperar que apareça um novo? E se isso não acontece? O que eu devo fazer no meio tempo? O que sobrou de mim nesse processo? Sobrou muita coisa… E muita coisa boa. Eu ainda tenho vontade de viver bem. Ainda tenho planos, desejos e vontades, em vários setores da minha vida. Sinto-me bem comigo mesma (não tanto como gostaria, mas enfim… mulheres).
Sobraram todas essas coisas mas ainda assim, hoje, eu não tenho motivação nenhuma “pra continuar”. Entendam: não é depressão, não é desanimo, não é tristeza ou whatever… É que dessa vez eu simplesmente não terei “um prêmio no final”, me esperando. Não terei recompensa por qualquer coisa que eu faça. Aí fico pensando se a motivação que eu tive foi errada. Fico pensando em prováveis motivações escusas, inconscientes, que me levaram sim pra um caminho bom, por um tempo, mas que depois desapareceram como se nunca tivessem existido.
É bastante confuso, mas não adianta nada eu ficar buscando por “culpados” nessa história toda quando na verdade a única culpada sou eu mesma e minha cabeça. E ao mesmo tempo em que sei que sou “a culpada” disso tudo, paradoxalmente eu não SINTO a culpa. É como se fosse algo que não fosse meu, mas que eu apenas observasse de fora. É estranho, difícil explicar. Hoje eu observo essas coisas, mas não me revolto mais com elas. É preciso entender e compreender, antes de julgar. É preciso ter MUITA paciência e mais além: é preciso PERSISTIR nas coisas boas. O que é muito, muito, MUITO difícil de fazer.
É preciso sempre ver além das coisas boas e ruins. Enxergar as coisas com dualidade e pensar de forma maniqueísta nunca é muito saudável. Se as coisas estão “ruins” pra mim hoje, preciso modificá-las pra que tudo melhore, ou ao menos, pra que não me afetem tanto ou me afetem o mínimo possível. Reclamar apenas não resolve muito. Entendo que não tenho motivações pra me cuidar por esses dias. Me cuidar pra mim mesma não me parece uma recompensa boa o suficiente. Entendam: não é baixa auto estima, é preguiça de mim mesma. Mesmo.
Mas eu também preciso entender mais ainda é que talvez, apenas talvez, eu não precise de motivações, nem de recompensas, mas sim de HÁBITOS. E é claro que eu falo de bons hábitos. De virtudes. Isso pra mim, devido a minha personalidade não deveria ser algo tão difícil de entender, mesmo por que, no geral, eu nunca espero nada em troca de ninguém, observando os relacionamentos que tenho. Mas é.. Sempre me engano comigo mesma.
Enfim, preciso entender que preciso fazer bem, fazer o melhor pra mim mesma, por que eu mereço, “por que sim”, por que é assim que tem que ser, etc… E não ficar me apoiando em fantasias, em realizações, em recompensas ou motivações.
Também não estou falando que “nada disso é importante”. Claro que é. Mas em outros contextos. Neste, não funcionou direito comigo.
Agora é hora de tentar o plano B.


Isso pra mim é aurora. Quando eu vejo, penso em recomeço. Lembro de acordar bem cedinho pra viajar pra longe, pra um paraíso. Lembro do fim da balada, eu bêbada, sentada em algum canto ou deitada no chão frio de casa, virada pra janela. Me preparo pras cores novas, as cores quentes que invadem o fim da noite fria. O grandioso recomeço. Uma pintura diante dos meus olhos feita pelas nuvens e pelo vento. Mas essa foto pode tanto ser o recomeço de um grande dia como pode ser o fim de um dia bastante nublado e cinzento. A foto não se move, as nuvens e as horas sim. O que conta não é a foto, a situação, mas o desejo. Se precipitado ou não, somos nós que decidimos para então lidarmos com as conseqüências depois. Todos os atrasos de nossas vidas, apenas a nós pertence. É apenas uma questão de escolha entre desejo ou decisão. Se você deseja, não decide. Se decide, terá que se abster de um desejo que seja. Pra mim, o início é melhor que o fim, por mais que eu já esteja acabada. Então que seja. Aurora.
Publicado originalmente em novembro de 2006, no meu antigo fotolog /doritchka

Nem toda perseguição é implacável, nem todo perseguidor é psicopata. Às vezes é mera observação. E das duas uma: ou você observa, ou se deixa observar. Ou ambos. Às vezes fingir que nada acontece é uma opção. Às vezes correr do perseguidor, só o faz correr mais rápido ainda atrás de você. Quando ouço passos atrás de mim, eu mantenho a calma e caminho o mais devagar possível. Afinal, o coelho branco sempre sou eu. A gata que ri também. Eu sumo e só fica o riso. E às vezes, nem isso.
Publicado originalmente em novembro de 2006, no meu antigo fotolog /doritchka
Esses dias fui ao centro pra resolver algumas coisas e aproveitei pra dar uma passeada. Pensei que ainda tinha que fazer um post dizendo o quanto eu gosto de Florianópolis, do centrão, etc, mas acho que isso fica pra outro dia., pra quando eu tiver mais inspirada. Tem estado meio frio por aqui ultimamente e às vezes dá aquela chuvinha fina. Eu estava no centro perto de um prédio e acho que resolvi entrar por causa da chuva. Chuvinha chata. Na saída comprei um guarda chuva vagabundo. Mas pelo menos não molhei meu cabelo, nem meu óculos.
Quando fui pro terminal de ônibus, vi uma cena que é muito comum aqui em Floripa: um guarda-chuva vagabundo, quebrado e jogado no lixo. Na UFSC tem muito disso também.. Guarda chuvas que foram ferrados pelo vento forte e as hastes cederam. Os donos devem ter ficado putos, praguejado e jogado no lixo. Sempre que vi guarda chuvas assim, eu sentia uma tristeza que não conseguia explicar. A tristeza era ainda maior quando a estampa do guarda chuva em questão era bonita. Sempre tive uma vontade de tirar aqueles guarda chuvas do lixo, levar pra casa e sei lá, fazer alguma coisa com eles.
Aí ontem eu fiz isso.
Peguei o guarda chuva do lixo e fui “depenando” ele dentro do ônibus, tirando as hastes e guardando apenas o tecido. Chegando em casa, joguei as hastes tortas no lixo, lavei aquele tecido e guardei. Vou fazer isso com vários guarda chuvas agora, sem medo de ser feliz. Vou ter um cemitério particular de peles de guarda chuvas. Os ossos (hastes) eu jogo fora por que não tenho criatividade o suficiente pra fazer nada nem decorativo, nem útil com eles.
Vou guardar todas as peles de guarda chuva que achar a estampa bonita. Os de estampa lisa acho que ignorarei. Quando tiver uma quantidade de estampas diferentes o suficiente acho que farei uma colcha de retalhos, um edredom ou qualquer coisa tosca do tipo. Com a ajuda de uma costureira, claro. E daí quando ficar pronto talvez eu venda. Ou talvez eu guarde pra mim. Ou talvez dê pra fazer os dois: vender um e fazer um pra mim… Enfim.
Por que eu faço isso? Sei lá. Não sei explicar. Por que tenho vontade. Por que gosto de ser caridosa com guarda chuvas abandonados e inúteis. Acho que é a minha cabeça querendo ser criativa e não sabendo direito como se comportar, aí às vezes rolam esses surtos. Oh, well…