Medir forças

by Dora

Como passar por uma experiência a qual você não sabe definir se incômoda ou apenas incomum? Resistir, é a primeira reação. Mas a resistência é polissêmica, posso resistir tanto por aceitação e persistência, quanto por desgosto, negação. Ainda assim há um meio termo, quando persistimos por desgosto e desgostamos mas no entanto, persiste-se (algo incógnito persiste, alheio ao que somos). Somos, enfim, resistentes. Que qualidade ambivalente, que precariedade sutil. De olhos bem abertos e ouvidos atentos, tudo o que pode ser visto, tudo que se esconde, tudo o que se ouve, que faça pressionar o limite dos tímpanos e de todo o resto de lucidez. Não há esboço sequer de retração, há apenas uma espécie peculiar de aceitação, que mais se parece com uma rendição, na realidade. Você não tem escolha, nunca teve. E a rendição ocorre muitas vezes não por desejo, mas por ingenuidade, ignorância, indiferença. Retrair-se é para covardes e mentes pequena, rende-se apenas quem pode ser generoso o suficiente. Há um pedido de olhar, um pedido de escuta. Há, na realidade, um pedido de escolha entre retração, adaptação e rendição. E nenhuma reação jamais parece ser o suficiente. Permaneço com o olhar fixo. Permaneço com a audição atenta. Não mais resisto, nem me rendo. Confronto. Tenho dificuldade em compreender que permanecerei, depois que já mais nada existir.

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Não meço mais forças que sei que não tenho.

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